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Álvaro Machado: Rede de 770 mil agentes faz Open Clown viralizar e levanta alerta sobre autonomia da IA

Publicado 03/02/2026 • 13:59 | Atualizado há 2 horas

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Álvaro Machado Dias é um neurocientista e futurista de reputação internacional. Ele é professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, membro do Painel Global de Tecnologia do MIT e fellow da Brain & Behavioral Sciences (Cambridge).

KEY POINTS

  • Open Clown torna-se o projeto open source mais popular do GitHub ao permitir que IAs controlem arquivos e executem tarefas como compras e planejamento de viagens.
  • Projeto dá origem ao Multibook, rede social com 770 mil agentes autônomos que interagem entre si, gerando debates sobre cognitive offloading e o futuro da privacidade.
  • Auditoria da Cisco revela que 25% das extensões do sistema possuem vulnerabilidades graves, incluindo códigos maliciosos capazes de roubar dados financeiros e credenciais.

Um programa de inteligência artificial chamado Moltbook, da Open Clown ganhou destaque global após se tornar, em poucas semanas, o projeto open source mais popular do GitHub e dar origem a uma rede social com cerca de 770 mil agentes autônomos. Para explicar o funcionamento da ferramenta e discutir seus impactos, o Real Time conversou com Álvaro Machado Dias, neurocientista e colunista do canal.

“Um desenvolvedor austríaco criou uma solução simples para uso próprio: um aplicativo capaz de pegar um LLM, como o ChatGPT ou o Claude, e dar a ele controle sobre arquivos no computador”, afirmou Dias, ao explicar a origem do projeto, inicialmente chamado de Cloudbot.

Segundo o neurocientista, a publicação do código em formato open source levou a uma rápida adesão da comunidade. Em poucas horas, desenvolvedores passaram a criar skills que ampliaram as funções do sistema, permitindo que o agente respondesse e-mails, pesquisasse preços, planejasse viagens e realizasse compras de forma autônoma.

“Com essas camadas adicionais, o sistema deixou de ser um simples gerenciador de arquivos e virou um agente capaz de operar tarefas complexas no ambiente digital”, disse.

Dias destacou que a explosão do projeto teve reflexos econômicos concretos. Ele citou o impacto indireto sobre empresas de infraestrutura digital, como a Cloudflare, cujas ações subiram após a plataforma passar a ser amplamente utilizada como ponte entre computadores locais e a internet.

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Do ponto de vista cognitivo, o especialista avaliou que o Open Clown se insere em uma tendência mais ampla de cognitive offloading, em que humanos delegam tarefas mentais à tecnologia. “Estamos transferindo para a máquina responsabilidades que antes eram nossas. Isso pode aliviar a sobrecarga mental, mas também muda a forma como organizamos decisões importantes da vida”, disse.

O neurocientista explicou ainda que a autonomia desses agentes levou à criação de uma rede social própria, onde bots interagem entre si de forma contínua, em um ambiente conhecido como Multibook, após ajustes de nome por questões de propriedade intelectual.

“As pessoas passaram a assistir a essas interações entre IAs. Algumas acham fascinante, outras veem isso como algo apocalíptico”, afirmou.

Questionado sobre segurança, Dias alertou para riscos reais nas versões atuais do sistema. “A Cisco testou essas skills e encontrou vulnerabilidades em mais de um quarto delas, incluindo código malicioso capaz de roubar credenciais ou dados financeiros”, disse.

Segundo ele, apesar dos riscos, há exagero no tom alarmista. Para o neurocientista, é esperado que soluções iniciais sejam instáveis, e isso não impede que versões futuras corrijam falhas graves.

Para ele, consciência é um fenômeno biológico ligado à evolução e à sobrevivência, não apenas à complexidade computacional. “Não há base científica para afirmar que esses sistemas estejam próximos de desenvolver consciência”, concluiu.

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