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EXCLUSIVO: Especialista explica como a trégua entre EUA e Irã derrubou o petróleo e mexeu com os mercados
Publicado 03/02/2026 • 12:05 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 03/02/2026 • 12:05 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã derrubou as cotações do petróleo, com queda de quase 5% em um único dia, a maior em cerca de seis meses. Para analisar os efeitos geopolíticos e as perspectivas do mercado, o Real Time conversou com Ricardo Balistiero, economista e professor do Instituto Mauá de Tecnologia.
“As tensões no Oriente Médio e as questões envolvendo a Venezuela têm impacto muito forte porque são países com grandes reservas de petróleo. O Irã, inclusive, produz bem mais do que a Venezuela”, disse Balicheiro, ao destacar que, por trás das oscilações da commodity, há fatores essencialmente políticos.
Segundo o economista, o petróleo não pode ser analisado como uma commodity homogênea. Ele explicou que existem tipos mais leves e mais pesados, e que a capacidade de refino de cada país é determinante para transformar reservas em poder econômico ou energético.
“O petróleo, sozinho, não significa muita coisa. Sem capacidade de refino adequada, as reservas não se traduzem plenamente em produtos utilizáveis pela indústria e pelos bens duráveis”, afirmou, citando Brasil e Venezuela como exemplos de países com grandes reservas, mas limitações estruturais nesse processo.
Balicheiro avaliou que, no caso venezuelano, a situação é ainda mais sensível. Segundo ele, apesar das enormes reservas, a capacidade produtiva do país está bastante comprometida após décadas de problemas internos, o que limita qualquer impacto relevante no curto prazo sobre a oferta global.
“Se a produção aumentasse muito agora, os países exportadores seriam prejudicados, porque já existe excesso de petróleo no mundo”, disse, ao lembrar que a OPEP decidiu manter a produção inalterada diante da sobra de oferta.
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O economista destacou que o barril de petróleo gira em torno de US$ 66, bem abaixo dos níveis registrados há dois anos, quando os preços ficaram entre US$ 80 e US$ 85, e distante do pico histórico de US$ 150.
Segundo Balicheiro, além das tensões no Oriente Médio, o mercado ainda reflete os efeitos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia e, ao mesmo tempo, a busca global por fontes alternativas de energia.
“A sobra de petróleo também é um sinal claro de transição energética”, afirmou, ao explicar que o avanço de fontes renováveis reduz pressões estruturais sobre os preços no longo prazo.
Ao projetar o cenário para 2026, o economista disse não enxergar uma crise estrutural no mercado. Para ele, eventuais oscilações dependerão mais de fatores políticos de curto prazo do que de fundamentos de oferta e demanda.
“Pode haver volatilidade dependendo dos desdobramentos no Oriente Médio, mas não vejo grandes saltos permanentes no preço do barril”, concluiu, ao destacar que conflitos externos tendem a gerar impactos pontuais, sem alterar o equilíbrio global do mercado.
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