CNBC
Instalações da refinaria SAMREF, em Yanbu, na Arábia Saudita.

CNBCChefe da Saudi Aramco diz que recomposição dos estoques globais de petróleo pode levar dois anos

Álvaro Machado

Álvaro Machado Dias diz que IA amplia diagnósticos, mas não substitui a consulta médica

Publicado 13/01/2026 • 13:28 | Atualizado há 9 meses

KEY POINTS

  • Sistemas de inteligência artificial integram históricos e diagnósticos em larga escala, agindo na identificação de padrões em exames radiológicos e laboratoriais.
  • Avanço de plataformas para o consumidor final permite análise direta de biometria por algoritmos, alterando o papel central do especialista em diagnósticos iniciais.
  • Redes de saúde focadas em excelência utilizam a tecnologia para elevar a precisão clínica, enquanto ambientes de baixo custo priorizam a redução de despesas.

Ferramentas de inteligência artificial já leem exames, integram históricos e produzem hipóteses clínicas em larga escala, ampliando seu uso no setor de saúde. Para discutir os impactos dessa transformação, o programa o Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, recebeu Álvaro Machado Dias, comentarista, professor de Neurociências da Unifesp e especialista em inteligência artificial, sobre como a tecnologia afeta a medicina tradicional.

“A IA usada no hospital e no consultório, sobretudo de excelência, já se tornou uma realidade, e o principal papel dela é encontrar padrões”, disse Dias, ao explicar que sistemas inteligentes têm alto desempenho na leitura de exames radiológicos e laboratoriais, além de agilizar processos e reduzir custos operacionais.

O professor afirmou que a novidade recente está no avanço de plataformas voltadas diretamente ao consumidor final, que passam a permitir o envio de exames, dados biométricos e informações de estilo de vida para análise direta por modelos de linguagem. Segundo ele, isso altera o paradigma atual, no qual o especialista ainda é central mesmo para os primeiros insights clínicos.

Leia também: Investimento de R$ 5 milhões reforça capacidade laboratorial da Hapvida

“Num país como o Brasil, onde nem todo mundo tem acesso fácil a planos de saúde, as pessoas vão usar dados simples, como batimento cardíaco e temperatura, para discutir exaustivamente com a IA”, afirmou. Ele avaliou que a comodidade e o custo tendem a impulsionar esse comportamento, transformando a interação com algoritmos em uma busca cotidiana por bem-estar.

Ao abordar os riscos, Dias destacou que erros das IAs — chamados de alucinações — ainda existem, embora as métricas mostrem queda consistente desses problemas. “Não acho que, no médio prazo, o grande risco seja a alucinação”, disse, ponderando que a principal limitação está no uso de dados estáticos, incapazes de captar dimensões visuais, psicológicas e fenomenológicas da consulta médica.

O especialista explicou que a prática clínica envolve elementos que extrapolam exames e textos. Segundo ele, um médico sensível consegue interpretar sinais contextuais e comportamentais que não aparecem nos dados, algo que os sistemas atuais ainda não conseguem fazer de forma robusta e multimodal.

Leia também: OpenAI adquire startup de saúde Torch para integrar dados médicos em IA

“A consulta tem um componente ritualístico tão importante quanto o informacional”, afirmou Dias, ao comentar que a escuta, o tempo dedicado ao paciente e o exame físico contribuem para a adesão ao tratamento e à própria saúde, mesmo quando não são decisivos para o diagnóstico final.

Na comparação entre erros humanos e algorítmicos, o professor disse que médicos tendem ao fechamento precoce de narrativas, enquanto a IA sofre com reducionismo e dificuldade de construir histórias clínicas completas. Para ele, o maior equívoco é tratar essas abordagens como excludentes, quando, na prática, são complementares.

Ao encerrar, Dias avaliou que o uso da IA em hospitais depende mais da estratégia institucional do que da tecnologia em si. Segundo ele, redes focadas em excelência utilizam a inteligência artificial para aumentar a eficácia diagnóstica, enquanto ambientes de baixo custo priorizam eficiência e redução de despesas, definindo, assim, o impacto real da ferramenta na prática médica.

--

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Álvaro Machado