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Argentina busca quadro roubado por nazistas visto por acaso em site de imóveis
Publicado 29/08/2025 • 00:18 | Atualizado há 7 horas
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Publicado 29/08/2025 • 00:18 | Atualizado há 7 horas
KEY POINTS
Retrato de uma Senhora. de Giuseppe Vittore Ghislandi
Reprodução/Redes Sociais
Autoridades na Argentina informaram na quarta-feira (27) que estão intensificando as buscas por um retrato italiano do século XVIII, que se acredita ter sido saqueado há 80 anos de um colecionador judeu por um oficial nazista fugitivo que se estabeleceu no país após a 2ª Guerra Mundial.
O Ministério Público Federal argentino disse que uma operação policial realizada no dia anterior, em uma vila à beira-mar ao sul de Buenos Aires, revelou documentos e gravuras alemães da década de 1940 potencialmente relevantes, mas não a tão procurada pintura roubada.
O caso reabre um capítulo sombrio da história argentina, que abrigou dezenas de nazistas que fugiram da Europa para evitar processos por crimes de guerra — entre eles membros de alto escalão do partido nazista e arquitetos do Holocausto, como Adolf Eichmann.
Sob o governo do general Juan Perón, cujo primeiro mandato durou de 1946 até sua deposição em 1955, fascistas alemães fugitivos trouxeram para a Argentina propriedades judaicas saqueadas, incluindo ouro, depósitos bancários, pinturas, esculturas e móveis.
O destino desses itens continua a ser notícia enquanto o doloroso processo de restituição se arrasta na Argentina e em outros países.
Neste caso, a pintura procurada pelas autoridades argentinas é o Retrato de uma Senhora, do artista barroco italiano Giuseppe Vittore Ghislandi.
Repórteres do jornal holandês Algemeen Dagblad (AD) avistaram o que parecia ser a famosa obra este mês em um anúncio imobiliário de uma casa que se acredita pertencer aos descendentes do fugitivo nazista Friedrich Kadgien, enquanto procuravam por obras de arte roubadas da Holanda.
Citando especialistas em arte holandeses, o jornal de Roterdã relatou que o Retrato de uma Senhora original parecia estar pendurado acima de um sofá de veludo na sala de estar de um chalé à venda em Mar del Plata, cidade costeira da Argentina. O jornal publicou fotos mostrando a pintura em um tour 3D pelo interior.
“Embora não tenhamos examinado fisicamente a pintura e não possamos verificar o verso da tela (em busca de marcas ou rótulos que possam ajudar a confirmar sua procedência), é razoavelmente provável que este seja de fato o retrato da Condessa Colleoni do século XVIII, feito por Ghislandi”, disseram Annelies Kool e Perry Schrier, pesquisadores da Agência do Patrimônio Cultural dos Países Baixos, à Associated Press.
A imobiliária Robles Casas & Campos não respondeu a um pedido de comentário. O anúncio da casa, avaliado em US$ 265 mil, não estava mais disponível na quarta-feira.
Capturas de tela arquivadas do anúncio mostram que a pintura deixou de aparecer entre as imagens do imóvel após a publicação da matéria no jornal holandês, na última segunda-feira (25).
Atendendo a um alerta da Interpol, a organização policial internacional, as autoridades argentinas entraram na casa com um mandado de busca na terça-feira (26). Para sua surpresa, pendurada na parede atrás do sofá de veludo verde onde a pintura havia sido retratada, havia uma grande tapeçaria pastoral com cavalos, informou o Ministério Público na quarta-feira.
Os investigadores também notaram um gancho e marcas na parede, sugerindo que uma pintura emoldurada havia sido removida recentemente, segundo o comunicado.
Durante a operação, os policiais apreenderam celulares e duas armas de fogo sem registro, além de desenhos, gravuras e documentos da década de 1940, que, segundo eles, poderiam contribuir para o avanço da investigação.
A Agência do Patrimônio Cultural da Holanda expressou decepção com a incapacidade das autoridades argentinas de localizar a pintura até o momento.
“Afinal, o objetivo do nosso trabalho é trazer à luz o patrimônio saqueado da 2ª Guerra Mundial e, sempre que possível, devolvê-lo aos seus legítimos proprietários”, afirmou a agência em comunicado na quarta-feira.
O banco de dados oficial holandês de obras de arte desaparecidas da 2ª Guerra Mundial, mantido pela Agência do Patrimônio Cultural, identifica o Retrato de uma Senhora, em óleo sobre tela, como pertencente ao negociante de arte judeu holandês Jacques Goudstikker, antes da tomada nazista de sua importante galeria em Amsterdã, quando a Alemanha invadiu a Holanda em maio de 1940.
Por meio de saques diretos ou vendas coercitivas, agentes agindo em nome dos nazistas roubaram inúmeras obras de arte de negociantes particulares judeus holandeses. Estima-se que 1.100 obras do inventário de Goudstikker foram vendidas ilegalmente a Hermann Goering, conhecido como o braço direito de Adolf Hitler.
A única herdeira sobrevivente de Goudstikker, Marei von Saher, de 81 anos, há muito tempo busca a restituição das obras roubadas de seu sogro. Em um caso histórico de 2006, o governo holandês concordou em devolver 202 pinturas saqueadas da coleção de Goudstikker a von Saher, após uma longa batalha judicial.
Os advogados de von Saher disseram à AP na quarta-feira que ela está “extremamente grata” pelo trabalho do jornal na localização da pintura e que está “explorando todas as possibilidades” para recuperá-la.
Embora a família não possa autenticar a obra de arte sem examiná-la pessoalmente, Amelia Keuning, uma das advogadas, disse que imagens do anúncio imobiliário e outros detalhes os deixaram “bastante certos de que se trata da mesma pintura”.
“Trata-se de restaurar a justiça”, afirmou Yaél M. Weitz, a outra advogada de von Saher.
O arquivo holandês lista o Retrato de uma Senhora como tendo passado para as mãos de um homem chamado Kadgien, de Berlim.
Uma busca nos Arquivos Federais da Alemanha registra a existência de apenas um membro do partido nazista com esse sobrenome: Friedrich Gustav Kadgien, membro nº 1.354.543, que supervisionava a movimentação de moeda estrangeira, metais preciosos e a venda de propriedades confiscadas como assessor financeiro de Hermann Goering.
Após a derrota alemã, Kadgien fugiu para a Suíça e depois para a Argentina, de acordo com um relatório desclassificado da Agência Central de Inteligência (CIA). Membros da família Kadgien e seus negócios aparecem repetidamente nos registros judiciais e de imóveis argentinos desde a década de 1950.
Kadgien nunca foi acusado de crimes relacionados ao regime nazista durante as décadas em que viveu na Argentina. Ele morreu em 1978, em Buenos Aires, segundo relatos da mídia local.
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