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Mover vende fatia na Motiva ao Bradesco BBI por mais de R$ 5 bilhões e quita dívida bilionária

Publicado 25/04/2026 • 17:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Mover Participações (ex-Camargo Corrêa) concluiu a venda de sua participação de 14,86% na empresa de infraestrutura Motiva (ex-CCR) ao Bradesco BBI.
  • A operação foi fechada na noite de sexta-feira (24), após meses de negociação iniciada no fim de 2024.
  • Com a transação, a holding liquida uma dívida de cerca de R$ 3,3 bilhões com o banco e ainda mantém aproximadamente R$ 500 milhões em caixa.
Grupo Mover (ex-Camargo Corrêa).

Grupo Mover (ex-Camargo Corrêa).

Foto: Camargo Corrêa/Divulgação

A Mover Participações (ex-Camargo Corrêa) concluiu a venda de sua participação de 14,86% na empresa de infraestrutura Motiva (ex-CCR) ao Bradesco BBI, banco de investimentos do grupo Bradesco, por mais de R$ 5 bilhões. A operação foi fechada na noite de sexta-feira (24), após meses de negociação iniciada no fim de 2024.

Com a transação, a holding liquida uma dívida de cerca de R$ 3,3 bilhões com o banco e ainda mantém aproximadamente R$ 500 milhões em caixa, já descontados impostos e despesas. Segundo apuração do Estadão, as ações da Motiva haviam sido dadas como garantia em uma operação de crédito ligada à Intercement, empresa do grupo.

O negócio, no entanto, ainda depende do direito de preferência dos atuais acionistas do bloco de controle da Motiva — Votorantim, Itaúsa e o grupo Soares Penido — que têm 30 dias para decidir se exercem a compra da fatia, de forma proporcional, ou aceitam a entrada do Bradesco BBI como novo sócio com participação no controle.

Leia também: InterCement conclui segunda etapa do plano de recuperação judicial; braço cimenteiro da Mover encerra era sob controle da Camargo Corrêa

Considerada a “joia da coroa” da Mover, a participação na Motiva ganha relevância em meio ao processo de recuperação judicial da holding, iniciado no fim de 2024. No mesmo período, a Intercement também recorreu à Justiça para renegociar dívidas.

O ativo foi ofertado a mais de 30 investidores ao longo do processo competitivo conduzido pelo BBI, incluindo grupos internacionais como o fundo canadense La Caisse e o fundo soberano GIC, de Singapura. Algumas propostas chegaram a ficar entre 10% e 15% abaixo do valor de mercado, mas foram descartadas.

Na sexta-feira (24), a Motiva encerrou o pregão avaliada em R$ 33 bilhões, com ações a R$ 16,48. A fatia da Mover equivalia a cerca de R$ 4,95 bilhões, indicando que a venda foi realizada com prêmio.

A participação era detida por meio das empresas Sucea Participações e Sincro Participações. Do total, 10,33% estavam vinculados ao acordo de acionistas, enquanto os 4,53% restantes eram ações livres, negociáveis separadamente no mercado.

Com a venda, a Mover avança no encerramento de sua recuperação judicial. A empresa já havia quitado débitos com pequenos e médios fornecedores, restando o Bradesco BBI como principal credor.

Leia também: Mover destina R$ 210 milhões a novos projetos de descarbonização automotiva

A Motiva, maior companhia de concessões de infraestrutura do país, atua em rodovias como Bandeirantes, Anhanguera e Dutra, além de operar linhas de metrô, como o Metrô Bahia. Recentemente, a empresa vendeu sua operação de aeroportos e registra receita anual de R$ 15,3 bilhões.

Entre outubro e março, as ações da companhia acumularam valorização de cerca de 25%, em meio a um cenário de incertezas globais que também contribuiu para o ritmo mais lento das negociações.

Paralelamente, a Intercement foi transferida no início de abril para novos controladores — o empresário argentino Marcelo Mindlin e as gestoras Redwood Capital e Moneda Pátria — em uma operação que envolveu o pagamento de R$ 500 milhões por 100% das ações, livres de passivos.

Procuradas pelo Times Brasil – Licenciado CNBC, a Mover e a Motiva disseram que não vão comentar.

Leia mais: Motiva reporta melhora operacional e consolida agenda de eficiência em infraestrutura

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