Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Café solúvel, de maior valor agregado, permenece tarifado e setor teme perder mercado nos EUA
Publicado 21/11/2025 • 13:30 | Atualizado há 3 meses
Chefe da UE condena “ataques injustificáveis” do Irã aos Emirados Árabes Unidos
Trump ordena que agências federais interrompam uso de tecnologias da Anthropic
Paramount vence disputa bilionária, mas instala clima de incerteza na Warner; saiba por que
Como a participação bilionária da Amazon na OpenAI pode impulsionar seus negócios de IA e nuvem
Block demite 4 mil e troca quase metade da equipe por IA
Publicado 21/11/2025 • 13:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Café solúvel, de maior valor agregado, fica fora do tarifaço dos EUA e frustra setor
A decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa de 40% sobre o café verde brasileiro trouxe alívio ao setor, mas deixou um ponto crítico: o café solúvel, produto de maior valor agregado e com forte impacto em emprego e renda, ficou de fora da nova lista de isenções. A manutenção da tarifa adicional coloca em risco um mercado considerado estratégico e historicamente liderado pelo Brasil.
Hoje, cerca de 90% das exportações brasileiras de café para os EUA são de café verde. Os 10% restantes, referentes ao solúvel, seguem sujeitos ao tarifaço de 50% — somatório da tarifa-base de 10% e dos 40% adicionais. A exclusão do produto foi confirmada mesmo após a modificação da Ordem Executiva 14.323, que corrigiu distorções criadas em novembro, quando concorrentes como Vietnã, Indonésia e Nicarágua tiveram tarifas reduzidas a zero.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a exclusão preocupa toda a cadeia. “O café solúvel representa 10% das exportações para os EUA e continua tarifado não só para o Brasil, mas para outras origens. Já estamos em contato com a embaixada em Washington, com Brasília e com nossos importadores para trabalhar essa questão”, afirmou.
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, acrescenta que ainda há produtos específicos, como o solúvel, que não aparecem no anexo da ordem executiva. “Temos hoje um ambiente de negociação. O Brasil deve avançar para gerar riqueza nos dois países, mas o solúvel precisa ser contemplado.”
Em comunicado oficial, a ABICS, que representa toda a produção nacional de café solúvel, afirmou que a exclusão do produto das isenções é um revés significativo.
A associação relata efeitos imediatos desde a adoção do tarifaço, em agosto:
Segundo a ABICS, o tarifaço inviabiliza a competitividade do produto brasileiro e favorece outras origens. O setor teme que a perda de posição nas gôndolas americanas se torne definitiva.
“A manutenção da tarifa abre espaço para substituição permanente do café solúvel brasileiro. Uma vez perdida essa fatia e a lealdade do consumidor, a recuperação será extremamente difícil”, alerta a associação.
O café solúvel tem impacto mais amplo sobre o mercado de trabalho. Para cada emprego na produção do café em grão, o solúvel gera três a quatro novos postos. “É um produto finalizado, com maior valor agregado. Por isso sua relevância para a economia e para regiões produtoras”, diz Márcio Ferreira.
A ABICS ressalta que o produto é o 13º item mais exportado do agronegócio brasileiro e abastece mais de 100 países, com receita anual de US$ 1,1 bilhão.
Antes da retirada da tarifa do café verde, o setor já havia sofrido forte retração. As exportações totais do Brasil para os EUA recuaram:
Com a tarifa de 40%, o Brasil caiu para a terceira posição entre os maiores fornecedores de café para o mercado americano, atrás de Alemanha e Itália. O café brasileiro foi substituído por blends de origens que tiveram tarifas zeradas.
Segundo Matos, “a retirada dos 40% devolve isonomia e condições de competir”, mas esse reequilíbrio não abrange o solúvel.
A ABICS afirma estar mobilizada em todas as frentes diplomáticas, com apoio de Cecafé, ABIC, CNA, CNC e parceiros americanos como a National Coffee Association (NCA).
A associação afirma que continuará atuando para demonstrar a interdependência entre Brasil e Estados Unidos no comércio de café e reforça que o solúvel tem importância histórica para ambos os mercados.
“Acreditamos que, com diálogo e cooperação, será possível alcançar uma solução que beneficie o consumidor americano, a indústria brasileira e os produtores de café do Brasil”, afirma a diretoria da ABICS.
Além da negociação tarifária, o setor defende maior investimento em marketing e presença de marca nos EUA. “Se o produto fosse mais conhecido como item final, muitos desses problemas poderiam ser evitados”, diz Ferreira.
Para ele, o consumidor americano já percebeu o impacto da redução das importações brasileiras. “Os preços subiram muito. Agora sabemos que podemos fazer melhor daqui para frente.”
Leia também:
EXCLUSIVO: Setor prevê retomada das exportações de café após fim das tarifas dos EUA
Lula fala sobre retirada de tarifas de Trump: “Estou feliz”
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
De ouro a dólar: conflito entre EUA e Irã tem ‘grande potencial de gerar inflação’ e afetar investimentos
2
Caos no espaço aéreo: 3 mil voos são cancelados ou desviados após confronto entre EUA, Israel e Irã
3
EUA x Irã: entenda como conflito pressiona custos e logística do agronegócio brasileiro
4
Após ataques dos EUA ao Irã, mercados se preparam para turbulência global; entenda cenário
5
Cerca de 150 petroleiros estão parados no Estreito de Ormuz