Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
‘Não é só inserir’: CEO de Sinfônica Brasileira explica por que a equidade é o novo desafio da mulher
Publicado 11/12/2025 • 21:47 | Atualizado há 4 meses
SpaceX faz pedido confidencial de IPO, preparando terreno para oferta recorde
Buffett diz que bomba do Irã tornaria desastre nuclear mais difícil de evitar
Crise de abastecimento de petróleo vai piorar em abril, alerta AIE
DHL alerta para corte de 20% na capacidade aérea global e alta de 25% nos fretes
Especialista recomenda antecipar compra de passagens diante de possível alta em até 35 dias
Publicado 11/12/2025 • 21:47 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
Ana Flávia Cabral, CEO da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), está à frente de uma das instituições culturais mais longevas do país, com a missão de democratizar a música erudita, formar talentos e integrar a cultura ao desenvolvimento humano.
Conselheira e integrante do movimento Women-Led Economy, ela construiu uma carreira unindo gestão, direito e filosofia, e conversou com o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC sobre sua trajetória e os desafios da cultura no Brasil.
Ana Flávia Cabral se define como uma “pensadora humanista”, cuja relação com o trabalho sempre esteve associada ao servir e ao bem comum: “Eu me sinto uma costureira de grandes ideias, de pessoas, de histórias, e ao mesmo tempo com uma proposta de que a utilidade de todo esse trabalho artesanal seja sempre o bem comum”.
Ela revela que seu primeiro contato com uma orquestra sinfônica foi tardio, aos 18 anos, em Brasília, vinda de um ambiente rural. Esse encontro foi transformador: “Meu ambiente sempre foi o ambiente rural, o agronegócio, o sertanejo. Fui conhecer uma orquestra sinfônica com 18 anos. E esse fenômeno do encontro, dessa atmosfera da música de concerto, que promove o encontro e coloca a beleza nessa estatura que é um concerto, aquilo é uma coisa que me marcou para sempre”.
Sua formação jurídica e filosófica serve como base para sua gestão na OSB: “Eu nunca precisei tanto do direito como eu preciso numa orquestra sinfônica. O direito, ele é mesmo a base de tudo”.
A gestora critica a falta de centralidade da cultura na agenda pública brasileira, o que leva à precarização das instituições e dificulta a gestão do terceiro setor: “Acho que há ainda uma incipiência na compreensão do que é o papel da cultura numa sociedade. A cultura não é central como uma política de Estado, ou seja, ela não é reconhecida, não é servida com o nosso arroz com feijão. Cultura é um pouco do residual, é um pouco de entretenimento.”
Leia mais:
Haddad diz que pode deixar a Fazenda e entrar em campanha
Apagão leva Tarcísio a pedir intervenção na Enel
A descontinuidade de políticas públicas, como o ensino de música nas escolas, é outro problema grave. Contudo, a OSB, que completa 85 anos, demonstra uma força intrínseca de permanência, mesmo sem o amparo estatal: “A música seguir existindo, a instituição seguir existindo, mesmo sem a defesa, mesmo sem a salvaguarda, mesmo sem o amparo do poder público. Na minha opinião, significa uma força intrínseca reconhecida pela própria sociedade”.
A OSB se reinventa ao dialogar com a contemporaneidade e as novas gerações, usando o formato orquestral para se comunicar com o mainstream. A música de concerto é vista como um veículo que pode transmitir qualquer mensagem, do sertanejo ao funk: “Cresceu 90% o uso, a utilização de músicas clássicas como trilhas sonoras de conteúdos para a internet. A música de concerto é como se toca uma música, e a orquestra sinfônica é uma comunicadora”.
O trabalho com a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem (OSB Jovem) evidencia a demanda por essa formação: “As nossas iniciativas de educação musical, seja para a escola pública, seja para promover a formação dos jovens em estágio de pré-profissionalização, são sempre muito contundentes. Tivemos mais do que 50% de inscritas mulheres”.
Ana Flávia Cabral levanta a discussão sobre o desequilíbrio de gênero nas orquestras profissionais, citando que a OSB tem apenas 9 mulheres entre 77 músicos.
Ela ressalta que o desafio não é só inserir, mas incluir e manter a equidade, repensando o regime de trabalho: “A orquestra profissional estava muito desequilibrada. Ser músico de orquestra é como se fosse atleta. A mulher tem menos flexibilidade para ter dois empregos. Quando surge uma demanda na família, as mulheres vão assumir essas posições, especialmente na economia do cuidado”.
Para mudar esse cenário, a CEO implementou um modelo de gestão compartilhada, dando voz ativa às musicistas: “Temos uma gestão compartilhada, então os próprios músicos deliberam sobre o seu projeto artístico. O fato dela ter a possibilidade de deliberar sobre o seu regime de trabalho já começa por aí, porque é uma mulher analisando a sua própria realidade”.
Ela conclui que o amadurecimento dessa agenda exige equilíbrio e o apoio dos homens: “Não basta inserir, tem que incluir. É o que cria o equilíbrio para que a próxima geração perceba que não precisa ser tão sacrificante”.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
SpaceX faz pedido confidencial de IPO, preparando terreno para oferta recorde
2
Ingressos da Copa do Mundo: fase final será por ordem de chegada; veja quando começa a venda
3
Subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel entra em vigor nesta semana, após acordo sobre corte de ICMS
4
Vazamento na Anthropic expõe as entranhas do Claude Code e serviços ainda não lançados ao público; veja
5
Carrefour e Casa dos Ventos fecham contrato de longo prazo de R$ 1 bilhão em energia solar