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2026: infraestrutura no centro do mapa do investidor

Publicado 23/12/2025 • 10:38 | Atualizado há 4 semanas

KEY POINTS

  • Projetos maduros, segurança jurídica e regulação previsível destravam retorno em ativos reais.
Funcionário de logística com capacete usa leitor de código de barras enquanto conversa com colega em balcão de armazém, com caixas empilhadas e laptop exibindo sistema de estoque.

O Brasil entra em 2026 com um diferencial valioso para investidores de infraestrutura: um pipeline volumoso, diversificado e suficientemente maduro para sair do papel e virar ativo de alta performance. Depois de dois anos de forte aceleração, o setor deve encerrar 2025 ao redor de R$ 280 bilhões investidos, com predominância privada. Isso revela apetite por ativos reais de longo prazo ancorados em contratos de concessão bem desenhados e em regulação previsível. Para quem decide alocação, o recado é objetivo: há oferta de projetos e há condições de financiamento mais profundas do que no passado recente.

A carteira de projetos hoje em estruturação (mapeada por entidades setoriais) soma aproximadamente R$ 757 bilhões distribuídos por 469 iniciativas em diferentes esferas de governo. A fotografia por setor ajuda a organizar a estratégia dos investidores: rodovias (cerca de R$ 210 bilhões), ferrovias (R$ 183 bilhões) e mobilidade urbana (R$ 175 bilhões) lideram o volume, seguidos por saneamento (R$ 81 bilhões); portos, energia elétrica, infraestrutura social, comunicação e aeroportos completam a prateleira. Essa massa crítica, combinada a consultas públicas e modelagens que avançaram, dá visibilidade a uma agenda de leilões e fechamentos financeiros que tende a se intensificar ao longo do ano.

O quadro de funding também está mais favorável. As debêntures incentivadas consolidaram um mercado doméstico relevante e, desde 2024, as debêntures de infraestrutura abriram uma segunda avenida com incentivo no emissor e a possibilidade de conviver com outras estruturas no mesmo projeto. BNDES e bancos privados têm atuado de forma mais complementar, com alongamento de prazos, combinações de garantias e maior espaço para project bonds. Para o investidor institucional, isso significa combinar capital próprio e dívida em estruturas que acompanham a curva de demanda e o cronograma das obras, com folga de caixa para pagar a dívida e cláusulas de proteção bem calibradas para cada fase do ativo.

Na precificação, dois vetores seguem determinantes: o macro, que fixa o preço do dinheiro pelos juros de longo prazo e pelas expectativas fiscais, e o micro, que define o preço do risco pela qualidade do edital, pela matriz de riscos e pela governança regulatória. Com alocação de riscos clara, gatilhos de reequilíbrio objetivos e agência reguladora autônoma, a incerteza cai, o custo de capital recua e a competição aumenta. A postura contrária também vale: mudanças bruscas de marcos, ingerência inadequada sobre as agências ou choques econômicos sobre ativos concedidos elevam o risco e encarecem tarifa e capital.

Olhando setor a setor, transporte e logística devem puxar a fila. Em rodovias, programas com metas robustas de investimento combinam novas concessões e repactuações que destravam capex. Em ferrovias, trechos de carga e projetos de passageiros voltaram a ser competitivos, com TICs e ligações regionais que melhoram integração produtiva. Em mobilidade urbana, expansões de metrô e trens metropolitanos impactam diretamente a produtividade nas grandes regiões. Saneamento segue com esteira ativa de concessões e PPPs, sobretudo em blocos regionais que capturam escala operacional; a agenda de portos agrega investimentos relevantes em terminais; e, em energia, transmissão, reserva de capacidade e armazenamento oferecem previsibilidade para players locais e globais em cooperação. Essa combinação conversa com fundos de infraestrutura, plataformas de crédito privado, seguradoras e investidores estratégicos que buscam exposição a ativos reais com fluxo contratual de longo prazo.

Há, no entanto, um dado que dimensiona a oportunidade e estende o horizonte: o hiato de investimento em logística e saneamento, embora em queda, ainda exige esforço sustentado. Fechar essa lacuna pressupõe multiplicar por mais de três o investimento anual em transporte e elevar em torno de 30% o de saneamento durante uma década. Em linguagem de portfólio, significa pipeline recorrente para quem combina eficiência operacional, disciplina de capex e governança sólida, com gestão que cria valor na operação e reprecifica o risco regulatório ao longo do contrato.

Infraestrutura social merece um destaque próprio. Educação e saúde estão migrando de contratos fragmentados para PPPs de desempenho, com métricas objetivas de disponibilidade, manutenção resiliente e operação estruturada. Quando a escola é entregue climatizada, iluminada e operada por indicadores, e quando o hospital é medido por tempo-resposta e manutenção preventiva, o serviço melhora, o custo de operação cai e o risco fica mensurável. Quando educação e saúde operam com padrão, continuidade e previsibilidade, elas mudam trajetórias, ampliam oportunidades e fazem com que o lugar de nascimento deixe de ser destino. 

Em mobilidade, TICs de bilhetagem e controle de frota, sem bem regulados, têm a possibilidade de gerar ganhos de eficiência e transparência precificáveis. São ativos que combinam bem com capital de retorno estável quando a alocação de riscos é clara e há governança sólida após o fechamento financeiro; é nesse desenho que se faz importante atuar, integrando jurídico, engenharia e finanças para reduzir risco e acelerar a entrega.

Infraestrutura que funciona transforma a sociedade, melhora a qualidade de vida, reduz o custo Brasil e eleva a competitividade internacional, convertendo investimento em interesse público concreto. Pela relevância direta para o mercado, infraestrutura merece presença constante no noticiário de negócios, com leituras de risco, acompanhamento de projetos que convertem pipeline em decisão virtuosa. É fundamental reduzir assimetrias de informação e aproximar projetos bons do capital certo. Em última instância, é disso que se trata a vanguarda: transformar pipeline em obra, obra em serviço e serviço em valor — para o usuário, para o investidor e para o desenvolvimento econômico e social do país. O ano de 2026 oferece uma janela rara em que as peças estão no lugar. O que separa sucesso de frustração será a estruturação madura de projetos, a execução com segurança jurídica e ambiente regulatório previsível: o soerguimento está nessa direção.

Texto elaborado para uso exclusivo do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

Augusto Neves Dal Pozzo é professor de Direito Administrativo da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos da Infraestrutura e sócio-fundador do Dal Pozzo Advogados, escritório especializado em Direito Público, Infraestrutura e Regulação.

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