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Caso Banco Master chama atenção internacional para possíveis riscos institucionais

Publicado 26/01/2026 • 07:22 | Atualizado há 3 horas

Fachada do Banco Master

GettyImages

Uma análise publicada pela revista The Economist aponta que a quebra do Banco Master, instituição comandada desde 2019 por Daniel Vorcaro, tornou-se um dos episódios financeiros mais sensíveis recentes no país – não apenas pelo impacto bancário, mas pelas repercussões políticas e institucionais em Brasília.

Segundo a publicação, a expansão acelerada do banco foi sustentada por um modelo baseado na venda de certificados de depósito bancário (CDBs) com taxas acima da média de mercado, o que despertou questionamentos sobre a sustentabilidade do negócio. As primeiras fissuras surgiram em setembro, quando Vorcaro tentou vender a instituição ao Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal.

Durante a análise da operação, o Banco Central identificou problemas de liquidez e apurou que o Banco Master teria transferido carteiras de crédito sem valor econômico para o BRB por mais de US$ 2 bilhões. Pouco depois, Vorcaro foi detido ao tentar embarcar para Dubai. O fundo garantidor de depósitos brasileiro deverá desembolsar entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para ressarcir clientes – a maior compensação da história do sistema financeiro nacional, segundo a revista.

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Conexões políticas entram no radar

Para a The Economist, o episódio ultrapassa o setor bancário e expõe as relações entre políticos, empresários e membros do Judiciário, colocando pressão sobre a imagem do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

Após a decisão do Banco Central de liquidar a instituição em novembro, o caso ganhou novos contornos quando Jhonatan de Jesus, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou a abertura de uma apuração sobre a atuação da autoridade monetária – medida classificada por um procurador ouvido pela revista como “incomum e preocupante”. A publicação observa ainda que ele mantém vínculos com o chamado Centrão, bloco parlamentar historicamente associado a escândalos de corrupção.

A revista relata que políticos ligados ao grupo teriam tentado barrar investigações sobre o Banco Master antes de seu colapso. Entre eles, estariam o senador Ciro Nogueira e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que defendeu publicamente a aquisição pelo BRB, apesar das advertências de analistas. Um juiz posteriormente afastou o presidente do BRB por suspeitas de interferência política.

Outro ponto citado envolve o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que teria figurado entre os maiores doadores de campanhas políticas em 2022.

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Supremo sob pressão

A análise destaca ainda relações sensíveis entre executivos do banco e integrantes do STF. De acordo com a revista, o Banco Master firmou um contrato de US$ 24 milhões com um escritório de advocacia ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, considerado incomum por especialistas jurídicos ouvidos. Moraes e familiares negam irregularidades, e a Procuradoria-Geral da República arquivou investigações por falta de provas.

A The Economist também menciona contatos entre Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no período anterior à liquidação do banco – encontros que ambos afirmam ter tratado de temas alheios ao caso.

O ministro José Antonio Dias Toffoli também aparece na análise, após viagens e relações comerciais indiretas envolvendo advogados ligados ao banco. Não há comprovação de que o magistrado tenha tido conhecimento das transações, segundo a revista.

Para a publicação, esses episódios reforçam entre investidores e eleitores a percepção de fragilidade institucional e alimentam dúvidas sobre a imparcialidade do Judiciário – fator sensível para o ambiente de negócios.

Banco Central emerge fortalecido

Apesar das turbulências, a The Economist avalia que o principal vencedor institucional da crise foi o Banco Central. Galípolo manteve a liquidação do Banco Master apesar das pressões políticas e agora articula no Congresso um projeto para ampliar a autonomia administrativa, orçamentária e financeira da autoridade monetária.

Segundo a revista, a proposta daria ao regulador instrumentos mais robustos para supervisionar instituições financeiras e reduzir a exposição a interferências políticas – movimento visto como relevante para a credibilidade do sistema bancário brasileiro perante investidores internacionais.

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