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Petroleiras disparam na Bolsa em 2026 com guerra, mas enfrentam especulação e pressão do governo
Publicado 13/03/2026 • 21:27 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/03/2026 • 21:27 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
A escalada das tensões no Oriente Médio, consolidada pelo fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e o conflito direto envolvendo o Irã, redesenhou o mapa de riscos da bolsa brasileira.
Enquanto o Ibovespa enfrenta um período de forte aversão a ativos de risco, as petroleiras brasileiras surgiram como o principal refúgio para o capital, impulsionadas pela disparada do petróleo Brent.
Contudo, esse movimento de alta é acompanhado por um sinal de alerta: as taxas de aluguel de ações da Petrobras e da Prio atingiram picos históricos, revelando um mercado dividido entre o otimismo operacional e o medo da intervenção estatal.
Desde o agravamento do conflito em 28 de fevereiro, data da morte do líder iraniano, o Ibovespa acumulou uma queda de 5,90%. Em contrapartida, o setor de energia ignorou a gravidade do cenário externo para avançar. Com exceção da Brava Energia (BRAV3), as petroleiras avançam acima de 4% no período.
Petroleiras x Ibovespa: Variação acumulada em março de 2026 (em %)

O analista-chefe da Cultura Capital, Gabriel Uarian, destaca que o petróleo Brent disparou mais de 8%, criando um ambiente de incerteza que pesou sobre os ativos brasileiros, mas salvou o índice de um tombo maior. “O setor de energia foi o grande refúgio em meio ao caos”, afirma.
Um dos dados mais alarmantes para os investidores é o custo para alugar ações do setor. A Prio (PRIO3) atingiu uma taxa média de 11,78% no pregão de (12) de março, o maior nível desde 15 de maio de 2020, quando chegou a 11,83%. A Petrobras seguiu a tendência, com a PETR3 batendo 0,56% e a PETR4 atingindo 0,97%, patamares não vistos desde 04 de junho de 2025 e 23 de maio de 2024, respectivamente.
Taxa média de aluguel – Prio (PRIO3) (em %)

Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, explica que taxas de dois dígitos em PRIO3 indicam um “forte desequilíbrio entre oferta e demanda”. Para ele, isso sinaliza um aumento relevante de posições vendidas (short), onde grandes players apostam que a alta das petroleiras está exagerada ou buscam proteção contra volatilidade.
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Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, complementa que o aumento nas taxas de Petrobras e Prio reflete o trabalho de fundos quantitativos. “Esses fundos buscam papéis que subiram muito para tentar capturar uma correção. Para quem é investidor de longo prazo, a alta do petróleo gera fluxo de caixa, mas o mercado de aluguel mostra que há muita gente querendo especular contra esse movimento”, pondera.
Taxa média de aluguel – Petrobras (PETR3) (em %)

A reação do governo federal ao aumento do petróleo trouxe ruído extra. Ao criar um imposto temporário de exportação para compensar a desoneração do diesel, o governo penalizou diretamente as petroleiras independentes.
Hugo Queiroz, diretor da L4 Capital, associa as taxas de aluguel a essa medida: “Os anúncios do governo geraram pressão adicional nas exportadoras. O mercado aposta em uma correção de EBITDA superior a 15% para essas empresas devido ao novo imposto”.
No campo monetário, o Banco Central monitora o risco de um “repique inflacionário”. Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, observa que a subvenção às refinarias e o corte de impostos tentam segurar os preços, mas a Petrobras já precisou reajustar o diesel devido a uma defasagem superior a 70%.
“O cenário é complexo. A medida do governo impede repasses intensos, mas se a guerra perdurar, a inflação vai oscilar para cima e a bolsa continuará sofrendo”, alerta Sartori.
Taxa média de aluguel – Petrobras (PETR4) (em %)

O Ibovespa encerrou a semana aos 177.653 pontos, uma queda de 0,95%. Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o recuo reflete uma “correção natural e aversão ao risco global”.
Ele nota que, enquanto o varejo e o consumo (como Pão de Açúcar e Renner) despencam pela pressão dos juros e inflação, as commodities seguram o índice.
Fernando Bresciani, do Andbank, reforça que o mercado busca “proteção em ativos defensivos”, como petroleiras e elétricas (Cemig, CPFL), diante da incerteza sobre a duração do conflito.
No entanto, ele nota que a Brava Energia ainda não entregou as sinergias esperadas e sofre com o ruído da taxação de exportação, sendo o ponto fora da curva no setor.
Petroleiras x Ibovespa – Variação acumulada no período (em %)
| Período | Ibovespa (IBOV) | Brava Energia (BRAV3) | Petrobras (PETR3) | Petrobras (PETR4) | Recôncavo (RECV3) | Prio (PRIO3) |
| Na semana | -0.95% | -9.22% | 7.86% | 6.08% | -0.23% | -2.68% |
| Em março | -5.90% | -3.92% | 15.56% | 13.58% | 4.22% | 6.07% |
| Em 2026 | 10.26% | 6.35% | 51.61% | 44.94% | 25.06% | 39.55% |
| Em 12 meses | 41.40% | 5.79% | 47.67% | 44.34% | -3.24% | 58.36% |
Comparativo dos últimos 12 meses – Petroleiras x Ibovespa (em %)

O consenso entre os especialistas é de que a volatilidade será a regra.
Lucas Sigu, da Ciano Investimentos, aponta que o mercado está em um momento de “aversão a dívidas e receio de guerras mundiais”. Se a geopolítica não se acalmar e os juros americanos continuarem pressionando os emergentes, o Ibovespa pode testar novos suportes abaixo dos 177 mil pontos.
Para as petroleiras, o foco reside na manutenção do Estreito de Ormuz. Como lembra Rodolpho Sartori, a região exporta não apenas petróleo, mas matérias-primas essenciais para a indústria global.
“O cenário é de caos desordenado. A bolsa vai continuar oscilando enquanto não houver uma definição clara na guerra e na política de preços doméstica”, conclui.
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