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Petrobras impulsiona fronteira e pressiona França sobre petróleo
Publicado 28/01/2026 • 09:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/01/2026 • 09:55 | Atualizado há 2 meses
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Getty Images
Em Saint-Georges de l’Oyapock, no leste da Guiana Francesa, o agricultor Steve Norino observa um contraste cada vez mais visível com a cidade brasileira de Oiapoque, na margem oposta do rio, que vive um boom econômico sem precedentes desde que a Petrobras iniciou operações para exploração de petróleo em águas profundas.
Separadas por apenas 15 minutos de canoa, as duas cidades refletem realidades opostas. Em entrevista à AFP, Norino resume: “Em Oiapoque há de tudo, em Saint-Georges não há nada.”
O desequilíbrio entre as margens da fronteira agora chega a Paris. Na quinta-feira (29), o Parlamento francês deve analisar um projeto do deputado guianense Georges Patient que propõe voltar a autorizar a exploração e produção de hidrocarbonetos nos territórios ultramarinos – atividade proibida desde 2017 pela chamada lei Hulot.
Apesar de a Petrobras ainda estar na fase de exploração, os impactos econômicos já são evidentes. Do lado francês, o comércio se resume a um pequeno hotel e dois mercados para cerca de 4 mil habitantes.
Já em Oiapoque, com aproximadamente 30 mil moradores, a cidade se transformou em um polo regional no Amapá, próximo à foz do rio Amazonas. Aos fins de semana, moradores da Guiana atravessam a fronteira para compras mais baratas e lazer. Saint-Georges virou, inclusive, ponto de estacionamento estratégico para quem prefere deixar o carro do lado francês.
Autoridades locais defendem aproveitar o momento. Jean-Luc Le West, vice-presidente da Coletividade Territorial da Guiana (CTG), argumenta que a região poderia entrar na cadeia energética, impusionados pelo boom da Petrobras: “Não fizemos mineração de ouro industrial, mas podemos fazer a atividade petrolífera.” Ele sugere até a construção de uma refinaria que processe petróleo regional segundo as normas europeias.
Hoje, porém, o marco regulatório impede qualquer avanço. A lei Hulot, de 2017, proíbe prospecção de hidrocarbonetos em terra e mar no território francês. A licença da então Total – rebatizada TotalEnergies em 2021- expirou em 2019 sem resultados conclusivos, fechando a porta para uma indústria local.
O projeto enfrenta forte resistência ambiental. ONGs como Greenpeace, Amigos da Terra França, Surfrider Foundation Europe e Réseau Action Climat classificam a proposta como um “contrassenso climático”, alertando para riscos ambientais e para o que chamam de “absurdo econômico”.
Em nota conjunta, as organizações afirmam que, embora a situação social dos territórios ultramarinos seja crítica, apresentar a exploração de combustíveis fósseis como solução seria uma “promessa enganosa e irresponsável.”
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