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Chocolate mais barato? Cacau caminha para superávit global e pode aliviar preços
Publicado 30/01/2026 • 14:13 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 30/01/2026 • 14:13 | Atualizado há 2 meses
Cacau
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O mercado global de cacau caminha para um novo ciclo de superávit após dois anos marcados por forte aperto de oferta e preços elevados. Relatório da consultoria global StoneX projeta um excedente global de 287 mil toneladas na safra 2025/26, seguido por um novo superávit de 267 mil toneladas em 2026/27, indicando um processo gradual de normalização dos fundamentos de oferta e demanda.
Segundo a consultoria, a revisão do balanço reflete aumento da oferta em países-chave, ajustes pontuais em grandes produtores africanos e um ambiente de demanda ainda pressionado, embora com sinais iniciais de estabilização.
Para a safra 2025/26, a StoneX revisou a produção global de cacau, com aumento da oferta na Costa do Marfim, leve ajuste negativo em Gana e redução da demanda mundial. Mesmo com revisões para baixo tanto da produção quanto do consumo, o saldo global permaneceu positivo em 287 mil toneladas.
A primeira projeção para 2026/27 foi construída com base em um cenário de normalidade climática e continuidade dos ganhos graduais de produtividade, impulsionados por investimentos em área plantada e manejo agrícola, estimulados pelos preços elevados observados desde 2023.

Em Gana, o cenário é de otimismo crescente. Até a primeira metade de novembro, cerca de 220 mil toneladas já haviam sido entregues aos portos, levando a revisões positivas para a safra 2025/26, inicialmente estimada abaixo de 600 mil toneladas.
Um fator central é o preço farmgate, que vem superando as cotações internacionais e alcançando níveis acima de US$ 5.000 por tonelada, dependendo do câmbio do cedi ganense. Esse diferencial reduz o incentivo ao contrabando para países vizinhos e reforça a expectativa de uma safra mais robusta também em 2026/27, apesar de desafios estruturais como doenças, replantio e mineração ilegal.
Fora do continente africano, o Equador segue como um dos principais destaques do mercado de cacau. A StoneX aponta que a expansão da produção reflete condições climáticas favoráveis nos últimos dois anos e a maturação de investimentos em ampliação de área, fertilização e uso de variedades híbridas mais resistentes.
Estimativas oficiais indicam que a produção equatoriana pode superar 650 mil toneladas em 2026/27, com potencial de crescimento adicional ao longo da década, apoiada por investimentos públicos e privados estimulados pelos preços elevados.
Na Indonésia, a consultoria projeta uma recuperação moderada, com produção próxima de 230 mil toneladas nas próximas duas safras. O movimento é sustentado pelo aumento da capacidade de investimento dos produtores, embora limitações estruturais do parque cacaueiro e riscos climáticos, como chuvas acima da média e a possibilidade de um evento de El Niño em 2026, ainda imponham cautela.
O Peru apresenta trajetória semelhante à do Equador, beneficiado por clima tropical úmido e investimentos em manejo e fertilização. A safra 2024/25 já mostrou recuperação, e as perspectivas para as próximas temporadas seguem positivas.
Pelo lado da demanda, os dados de moagem — principal indicador de consumo de cacau — continuam pressionados. No primeiro trimestre da safra 2025/26, entre outubro e dezembro de 2025, a moagem global recuou 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar disso, o volume foi superior ao trimestre imediatamente anterior, contrariando a sazonalidade histórica. A StoneX avalia que a recente queda nos preços pode permitir estabilização ou leve recuperação do consumo até o fim de 2026, mesmo diante de processos estruturais de substituição da commodity pela indústria.
A consultoria estima moagem global de 4,663 milhões de toneladas em 2025/26, avanço marginal de 0,02%, e de 4,774 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 2,4%.
Com os superávits projetados, os estoques globais de cacau tendem a se recompor após a forte destruição observada em 2023/24. A StoneX estima que a relação entre estoques e demanda possa se aproximar de 40% ao final da safra 2026/27, nível considerado mais equilibrado historicamente.
Segundo a consultoria, o mercado global de cacau passa por um processo de reorganização, caminhando para uma nova normalidade de preços, definida pelo equilíbrio entre atratividade econômica, resposta da oferta e comportamento da demanda, não apenas na África, mas também em produtores relevantes da América Latina.
Respondendo à questão do título, caso haja repasse no desconto ao consumidor, este será gradual. O preço da tonelada de cacau até o final de 2022 variava muito próximo dos US$ 2.000; a partir de 2023 começou a subir gradualmente, diante das mudanças climáticas, e disparou em 2024, quando chegou a um pico de US$ 12.200 a tonelada. Manteve-se em alta até maio de 2025, quando o produção global começou a normalizar e o preço recuar. Atualmente, a tonelada está sendo negociada a US$ 4.185, com tendência de queda.
A indústria chocolateira, para não repassar todo aumento do pico de cacau para o consumidor, em muitos casos mudou a fórmula e reduziu o tamanho da porção.

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