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Stellantis despenca após anunciar impacto de US$ 26 bilhões com reestruturação do negócio

Publicado 06/02/2026 • 08:03 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O encargo de 22 bilhões de euros reflete uma superestimação, por parte da Stellantis, do ritmo da transição energética, afirmou o CEO da companhia, Antonio Filosa.
  • Dentro do plano de investimentos nos Estados Unidos, a montadora com operações transatlânticas informou que pretende adicionar 5.000 postos de trabalho à sua força de trabalho no país.
  • As ações da Stellantis vêm sofrendo pressão há algum tempo. Os papéis negociados na Itália recuaram quase 25% no ano passado e, desde o início de 2026, acumulam queda superior a 13%.

Foto por THIBAUD MORITZ / AFP

Logotipo da Stellantis exibido nas instalações da fábrica da montadora multinacional em Poissy, a oeste de Paris, em 23 de setembro de 2025.

As ações da montadora Stellantis caem 23% no pregão europeu desta sexta-feira (6), depois que a empresa afirmou esperar um impacto negativo de 22 bilhões de euros (US$ 26 bilhões) decorrente de uma reestruturação de seus negócios e sinalizou uma desaceleração em sua estratégia de eletrificação.

Por volta das 10h30 em Milão, os papéis italianos da companhia recuavam 22,9%. No pré-mercado de Wall Street, as ações da empresa listadas em Nova York despencavam 20,8%.

Outras ações do setor automotivo francês também caíam nesta manhã, com Valeo e Forvia registrando quedas superiores a 1,2%, enquanto a Renault recuava 2%.

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“Os encargos anunciados hoje refletem, em grande medida, o custo de termos superestimado o ritmo da transição energética, o que nos afastou das necessidades, possibilidades e desejos reais de muitos compradores de veículos”, afirmou o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, em comunicado.

“Eles também refletem o impacto de uma execução operacional anterior insatisfatória, cujos efeitos estão sendo progressivamente enfrentados por nossa nova equipe.”

Daqui para frente, a Stellantis afirmou que continuará na linha de frente do desenvolvimento de veículos elétricos (EVs), mas disse que sua própria jornada de eletrificação seguirá em “um ritmo que precisa ser guiado pela demanda, e não por imposição”.

A Stellantis também divulgou antecipadamente alguns números do quarto trimestre nesta sexta-feira, afirmando que prevê um prejuízo líquido em 2025. Em função desse prejuízo, a companhia suspendeu o pagamento de dividendos em 2026 e planeja levantar até 5 bilhões de euros por meio da emissão de títulos híbridos.

Leia também: CEO da Stellantis aponta 2026 como ano chave para recuperação da montadora nos EUA

Para 2026, o grupo automotivo projeta um crescimento percentual de um dígito médio na receita líquida e um aumento de um dígito baixo na margem de lucro operacional ajustada.

A empresa afirmou que a suspensão dos dividendos e a emissão de títulos ajudarão a preservar o balanço patrimonial e detalhou as ações adotadas no ano passado como parte de sua estratégia de reestruturação.

Entre elas estão o anúncio do “maior investimento da história da Stellantis nos Estados Unidos” — totalizando US$ 13 bilhões ao longo de quatro anos —, o lançamento de 10 novos produtos, o cancelamento de projetos que não alcançariam rentabilidade em escala e a reestruturação das capacidades globais de manufatura e gestão da qualidade.

No âmbito do plano de investimentos nos EUA, a montadora transatlântica afirmou que irá adicionar 5 mil postos de trabalho à sua força de trabalho no país.

Embora essas iniciativas tenham resultado em custos de 22,2 bilhões de euros, a empresa disse que, em conjunto, elas levaram a um retorno ao crescimento positivo de volumes em 2025.

No segundo semestre do ano, a participação de mercado da Stellantis nos Estados Unidos subiu para 7,9%, enquanto a companhia afirmou ter mantido sua posição geral de segundo lugar no mercado europeu ampliado.

O reconhecimento de perdas pela Stellantis ocorre após impactos bilionários semelhantes registrados por concorrentes como Ford e GM, que recentemente anunciaram perdas de US$ 19,5 bilhões e US$ 7,1 bilhões, respectivamente — ambas relacionadas a recuos em seus planos de veículos elétricos.

Diante da “magnitude do reconhecimento de perdas” e das projeções mais fracas para 2026, analistas do UBS afirmaram que a reação negativa das ações era esperada. Eles acrescentaram, no entanto, que a “limpeza decisiva” promovida pela nova gestão e os fundamentos sólidos dos mercados regionais tornam o papel atraente como uma possível aposta de “retomada” nos Estados Unidos.

Ano de execução da Stellantis

O anúncio das perdas nesta sexta-feira (6) veio acompanhado da informação de que a Stellantis irá se desfazer de sua participação na NextStar Energy, uma joint venture com a LG Energy Solution que construiu e operava uma fábrica de baterias no Canadá. A LG Energy Solution assumirá a fatia de 49% da Stellantis, segundo informaram as empresas na manhã de sexta-feira.

A joint venture fazia parte da estratégia mais ampla de eletrificação da Stellantis. Em 2022, o então CEO Carlos Tavares estabeleceu a meta de que 100% das vendas na Europa e 50% das vendas nos Estados Unidos fossem de veículos totalmente elétricos até o fim da década.

A empresa deve apresentar uma estratégia de longo prazo atualizada durante seu Capital Markets Day, em maio.

As ações da Stellantis vêm sob pressão há algum tempo, com os papéis italianos caindo quase 25% no ano passado e 40,5% no ano anterior. Desde o início de 2026, as ações acumulam queda superior a 13%.

Filosa já havia chamado 2026 de o “ano da execução” para a montadora, que enfrenta queda nas vendas, mudanças na liderança e resultados decepcionantes há vários anos. Em julho, a empresa afirmou esperar um impacto tarifário de cerca de 1,5 bilhão de euros em 2025, ao reportar um prejuízo líquido de 2,3 bilhões de euros no primeiro semestre.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, disse que a Stellantis fez uma “aposta mal calculada” nos veículos elétricos, mas afirmou que o cenário mais amplo de adoção desses veículos levanta questionamentos sobre a atratividade da empresa no mercado.

“O argumento de longa data sobre por que muitos motoristas ainda não migraram para veículos elétricos envolve preocupações com preço, acesso à infraestrutura de recarga e a duração da bateria durante as viagens”, disse ele.

“No entanto, os preços estão caindo, mais carregadores estão sendo instalados e a autonomia das baterias está melhorando. O sucesso de empresas como a BYD sugere que há muitas pessoas dispostas a dar esse passo. Isso levanta a questão se a frustração da Stellantis com suas vendas de EVs está ligada a problemas de mercado ou se, simplesmente, os motoristas não gostam de seus veículos.”

A Stellantis deve divulgar o resultado completo de 2025 no dia 26 de fevereiro.

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