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Rastro de RS 35 mi: linha do tempo explica engenharia financeira que liga Master à família Toffoli
Publicado 15/02/2026 • 12:22 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 15/02/2026 • 12:22 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Linha do tempo explica engenharia financeira que liga Master à família Toffoli
Crédito: Videografismo/Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
A investigação que envolve o Banco Master, seu controlador Daniel Vorcaro e operações financeiras ligadas ao resort Tayayá ganhou novos desdobramentos com a revelação de mensagens, extratos bancários e a estrutura de fundos utilizada para viabilizar aportes milionários no empreendimento no Paraná.
O caso, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), envolve apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) sobre possíveis irregularidades financeiras e gestão fraudulenta. A seguir, a reconstrução detalhada da origem do caso até os desdobramentos mais recentes, com a inclusão de novos marcos cronológicos, da apuração sobre a estrutura societária e os primeiros aportes em 2021 – ponto de partida da relação financeira com resort Tayayá remonta a setembro daquele ano.

Em 27 de setembro, o FIP Arleen passou a integrar a estrutura societária das empresas Tayayá Administração e DGEP Empreendimentos, responsáveis pela gestão e incorporação do resort em Ribeirão Claro (PR). O fundo adquiriu metade da participação de RS 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A., empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli, tornando-se sócio do empreendimento. Embora a operação formal envolvesse R$ 3,3 milhões em capital social, documentos indicam que o volume total de investimentos no resort foi substancialmente superior, já que a participação societária representava apenas a fração formal do controle do negócio.
Nos dias 28 de outubro e 3 de novembro, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, aportou R$ 15 milhões e R$ 5 milhões no fundo Leal. O Leal — administrado pela Reag Investimentos — aplicou, nas mesmas datas, valores praticamente idênticos no FIP Arleen, que investia no Tayayá. Ao todo, documentos apontam que o Arleen destinou cerca de R$ 35 milhões ao empreendimento, avaliado em mais de R$ 200 milhões.
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A investigação identificou uma cadeia estruturada de fundos: Fabiano Zettel era o único cotista do fundo Leal; o Leal era o único cotista do FIP Arleen; o Arleen tornou-se sócio das empresas responsáveis pelo Tayayá. Essa engenharia criou um fluxo financeiro que ligava os aportes ao resort por meio de veículos de investimento intermediários. Em janeiro de 2024, quando veio a público que Zettel era o cotista exclusivo do Leal, ele afirmou ter deixado o fundo em 2022. Contudo, documentos e mensagens analisados pela PF indicam que ele permaneceu como cotista e manteve aportes relacionados ao empreendimento.
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam tensão quanto ao cumprimento dos aportes.
Vorcaro questionou Zettel por WhatsApp: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim.” Ele também encaminhou uma lista que mencionava um repasse de R$ 15 milhões ao Tayayá.
Zettel realizou um aporte de R$ 15 milhões no fundo Leal. Entretanto, segundo os registros analisados, o valor não foi imediatamente transferido ao FIP Arleen, o que teria provocado nova rodada de cobranças.
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Vorcaro voltou a pressionar o cunhado: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?” e “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. As mensagens indicam preocupação com atrasos nos repasses vinculados ao empreendimento.
O fundo Leal depositou os R$ 15 milhões no FIP Arleen. No mesmo período, Dias Toffoli deixou formalmente a sociedade do resort.
O inquérito inicialmente esteve sob relatoria de Toffoli, mas, diante da repercussão das revelações e das menções ao seu nome nas mensagens analisadas pela PF, o ministro decidiu se afastar da condução do caso. A relatoria passou ao ministro André Mendonça, e a investigação segue sob sigilo, com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República. Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra Toffoli no âmbito do inquérito.
Em nota, o ministro afirmou que a empresa de sua família participou regularmente do empreendimento imobiliário e que todos os atos societários foram declarados às autoridades competentes. Toffoli declarou não ter recebido pagamentos diretos de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel, negou manter relação de amizade com o banqueiro e sustentou que sua atuação jurisdicional sempre observou os deveres de imparcialidade. Segundo a manifestação, a vinculação de seu nome decorre exclusivamente da participação societária formal da empresa familiar no resort.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer a regularidade da estrutura de fundos utilizada; a origem e a destinação dos R$ 35 milhões investidos no empreendimento; e eventuais conexões entre os aportes e decisões judiciais relacionadas ao Banco Master. O caso permanece sob sigilo judicial e em fase de diligências.
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