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Triplex milionário liga o “Rei do ovo” ao banqueiro Daniel Vorcaro
Publicado 23/02/2026 • 18:33 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 23/02/2026 • 18:33 | Atualizado há 2 meses
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Montagem/Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC
Ricardo Faria, o "Rei do ovo", e Daniel Vorcaro
Ricardo Castellar de Faria não nasceu “Rei” de nada. A história começa longe dos holofotes, no Sul do país, muito antes de seu nome aparecer em listas de bilionários e em manchetes sobre aquisições bilionárias no exterior.
Por anos, ele foi apenas mais um empresário em expansão. Hoje, é dono de uma máquina industrial que produz dezenas de milhões de ovos por dia, opera em vários países e comprou, por US$ 1,1 bilhão, uma das maiores produtoras dos Estados Unidos. No meio do caminho, acumulou crédito público, polêmicas políticas e passou a frequentar investigações que extrapolam o agronegócio.
O capítulo mais recente da história de polêmicas de Faria envolve um imóvel de alto padrão em São Paulo.
Conforme revelado pelo UOL, uma offshore ligada ao empresário comprou, por R$ 50 milhões, um triplex de 914 metros quadrados no Edifício Páteo Leopoldo, no Itaim Bibi. O imóvel estava registrado em empresa associada ao patrimônio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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A cronologia aponta que a empresa estrangeira teria sido constituída poucos dias antes da aquisição, utilizando posteriormente uma empresa brasileira como veículo para formalizar a compra. A transferência teria ocorrido em outubro do ano passado, cerca de um mês antes da liquidação do Banco Master e da intensificação das investigações sobre a instituição. A estrutura menciona a offshore Golden Castle Real Estate (Delaware) e a companhia brasileira SF 1030X Participações Societárias S.A. como veículo da compra.
Antes, o triplex pertencia à Super Empreendimentos, descrita como empresa usada por Vorcaro para administrar imóveis pessoais e corporativos. A Super havia comprado o apartamento em 2022 por R$ 38 milhões. No condomínio, haveria imóveis semelhantes anunciados entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e passou a ser alvo de apurações envolvendo suspeitas de irregularidades financeiras. Parte dos ativos vinculados ao banqueiro entrou no radar de autoridades.
O caso do Banco Master é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. A apuração teve fases deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026, com mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. As investigações citam suspeitas como gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
No plano institucional, o caso também passou a ter disputa sobre a preservação do “espólio” da liquidação. Houve discussões no Tribunal de Contas da União sobre medidas para evitar a venda de ativos durante o processo, sob argumento de cautela e rastreabilidade patrimonial. Esse pano de fundo reforça por que qualquer transação relevante envolvendo empresas ligadas ao controlador do banco vira ponto de atenção, ainda que isso não implique, por si só, irregularidade do comprador.
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Até o momento, não há acusação formal contra Faria relacionada à transação imobiliária. O que está documentado é a existência da compra e o contexto em que ela ocorreu. Ainda assim, o ‘timing’ e a estrutura envolvendo offshore em jurisdição estrangeira colocaram o nome do empresário no entorno de uma das maiores crises bancárias do país.
Procurado pela reportagem, o grupo ligado a Ricardo Faria afirmou que não comentaria a transação e que o empresário estava fora do país no momento do contato. A reportagem também registrou a manifestação de uma representante da empresa que assumiu a diretoria do veículo brasileiro usado na compra, dizendo que o imóvel foi adquirido como “investimento” após oferta apresentada por corretora e negando ter identificado irregularidades. Ela, no entanto, não detalhou a origem dos recursos da operação.
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