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Trump eleva tom contra Irã e reacende risco de guerra que pode abalar economia global

Publicado 25/02/2026 • 13:50 | Atualizado há 2 meses

Negociadores dos países se preparam para as conversas marcadas para o sábado (11) no Paquistão, em meio a um frágil cessar-fogo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã e abriu espaço para uma possível escalada militar no Oriente Médio, em um movimento que já começa a preocupar mercados globais.

Durante seu discurso anual ao Congresso, o republicano afirmou que não permitirá que o país desenvolva armas nucleares e classificou o regime iraniano como uma ameaça direta à segurança internacional.

“O regime iraniano e seus representantes espalharam apenas terrorismo, morte e ódio”, disse Trump.

Apesar da retórica dura, o presidente ainda não apresentou ao público americano um plano claro sobre um eventual ataque. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos já ampliam sua presença militar na região, o que aumenta a percepção de risco entre investidores e analistas.

O cenário remete a momentos clássicos de tensão geopolítica, nos quais decisões políticas rapidamente se transformam em choques econômicos globais, especialmente em energia e comércio.

Mercado reage: petróleo, inflação e risco de nova crise

O risco de conflito com o Irã não é apenas geopolítico. Ele é, sobretudo, econômico.

O país é peça-chave no mercado global de petróleo, e qualquer escalada militar tende a impactar diretamente os preços da commodity. Isso pode gerar um efeito dominó, pressionando inflação, juros e crescimento global.

Além disso, a tensão ocorre em um momento já delicado para a economia americana, que enfrenta os efeitos das políticas tarifárias recentes. O aumento de custos, somado à instabilidade internacional, cria um ambiente de incerteza que afeta decisões de investimento e consumo.

Trump acusou o Irã de retomar seu programa nuclear e de desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos. Teerã nega e afirma que suas atividades têm fins civis.

Enquanto isso, analistas alertam que uma guerra prolongada poderia repetir o padrão dos chamados “forever wars”, conflitos longos, caros e com impacto direto nas contas públicas e na confiança do consumidor.

Esse ponto é sensível para o próprio Trump, que construiu parte de sua base política com a promessa de evitar novos conflitos internacionais.

Resistência interna cresce e pode pressionar Casa Branca

Apesar da retórica firme, a população americana demonstra pouca disposição para um novo envolvimento militar.

Pesquisa recente mostra que 69% dos americanos defendem que o uso da força só ocorra em caso de ameaça direta e iminente. Esse dado limita o espaço político para uma escalada mais agressiva.

Líderes do Congresso também pedem mais transparência. O senador Chuck Schumer criticou a possibilidade de decisões militares sem debate público.

“Quando operações são feitas em segredo, isso leva a guerras mais longas, mais custos e mais erros”, afirmou.

O cenário coloca Trump em uma encruzilhada estratégica. De um lado, o discurso de segurança nacional. De outro, a pressão econômica e política interna.

Para o mercado, a leitura é direta. Em um ambiente já marcado por tarifas comerciais, inflação resistente e juros elevados, uma nova frente de conflito pode ser o gatilho para mais volatilidade global.

No fim das contas, o que está em jogo vai além da política externa. É a estabilidade econômica global em um momento em que qualquer choque adicional pode custar caro.

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