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Às vésperas de lançamento, Keeta adia estreia no Rio de Janeiro e critica exclusividade do iFood e 99

Publicado 26/02/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Dois meses após entrar no mercado brasileiro, a gigante chinesa de delivery Keeta, controlada pela Meituan, colocou em pausa seu plano de expansão no país.
  • A empresa, que iniciou as operações em São Paulo, chegou a anunciar a chegada ao Rio de Janeiro, mas informou que a estreia na capital fluminense foi suspensa por tempo indeterminado.
  • A empresa cita um mercado brasileiro de delivery de comida distorcido por cláusulas de exclusividade adotadas por concorrentes como 99Food e iFood.

Foto: Divulgação

Dois meses após entrar no mercado brasileiro, a gigante chinesa de delivery Keeta, controlada pela Meituan, colocou em pausa seu plano de expansão no país.

A empresa, que iniciou as operações em São Paulo, chegou a anunciar a chegada ao Rio de Janeiro e até agendou uma coletiva de imprensa para esta quinta-feira (26), mas cancelou às vésperas e informou que a estreia na capital fluminense foi suspensa por tempo indeterminado.

A Keeta cita um mercado brasileiro de delivery de comida distorcido por cláusulas de exclusividade adotadas por concorrentes como 99Food e iFood, que, segundo a empresa, limitam a liberdade dos restaurantes de operar em múltiplas plataformas. Líder do setor, o iFood concentra cerca de 80% do mercado.

Leia também: Conheça o Keeta, aplicativo chinês de delivery que chega ao Brasil com investimento de R$ 5,6 bilhões

Para a plataforma, essa prática limita a renda de restaurantes e entregadores parceiros, reduz a variedade disponível aos consumidores e desacelera a inovação, “criando barreiras que precisam ser superadas para que o setor cresça de forma sustentável.”

Em entrevista à reportagem, Danilo Mansano, VP de Parcerias Estratégicas da Keeta no Brasil, cita conversas que teve com grandes marcas no Rio de Janeiro, que relataram dificuldades, problemas e até ameaças que dificultam a parceria com a empresa.

Questionado sobre a decisão de adiar o lançamento de última hora, ele afirma: “A Keeta não tem medo de tomar decisões difíceis sabendo que isso é o melhor para o mercado. A experiência do consumidor final e a rentabilidade do restaurante foram fatores determinantes para a escolha.”

Danilo Mansano, VP de Parcerias Estratégicas da Keeta no Brasil

O executivo relacionou essas limitações a um problema estrutural identificado após os primeiros lançamentos da empresa na baixada Santista e em São Paulo: mais da metade das redes de restaurantes, definidas como marcas com pelo menos cinco unidades, já operam sob regimes de exclusividade ou bloqueios que impedem novas parcerias.

“Isso é muito problemático. Não existe essa composição em outro lugar do mundo”, completa Mansano.

Leia também: Gigante chinesa de delivery chega a São Paulo

Apesar da decisão de postergar a expansão, o compromisso da Keeta com o Brasil permanece de longo prazo. “Eram mais de 400 milhões dedicados para a cidade, já são quase 17 mil restaurantes cadastrados aqui na região e mais de 27 mil entregadores listados para trabalhar junto à Keeta. Isso fica postergado nesse momento por conta dessa decisão que a gente fez”, diz.

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Mansano acrescenta que espera que a discussão sobre exclusividades atraia atenção dos órgãos regulatórios, permitindo que a empresa retome o lançamento no Rio de Janeiro ainda este ano e avance em outras cidades.

Segundo ele, três sinais serão decisivos para a retomada da expansão: a evolução de processos em andamento no Cade e na Justiça Civil, incluindo ações contra a 99 e o iFood, e a experiência de mercados mais desenvolvidos, onde qualquer tipo de exclusividade é proibida.

Regras previstas em acordo com o Cade

Em nota, o iFood disse que é “proibido de assinar contratos com grandes redes de restaurantes e não pode ter mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade”. A empresa acrescentou ainda que “há exceções que permitem contratos com prazo superior a dois anos quando o iFood faz investimentos que geram o crescimento para o restaurante parceiro.”

Leia a nota na íntegra:

“É incorreto afirmar que o mercado de delivery da cidade do Rio de Janeiro esteja fechado à concorrência devido aos contratos de exclusividade. O iFood é proibido de assinar contratos com grandes redes de restaurantes e não pode ter mais do que 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade. Além disso, há exceções que permitem contratos com prazo superior a dois anos quando o iFood faz investimentos que geram o crescimento para o restaurante parceiro. Essas regras estão previstas em acordo firmado pela plataforma com o Cade, que está sendo cumprido em sua totalidade. Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações.”

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