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EXCLUSIVO: Brasil lidera IA nas empresas, no vibe-coding e também nos tropeços
Publicado 14/04/2026 • 18:58 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 14/04/2026 • 18:58 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Imagem gerada por inteligência artificial com Google Gemini / Times Brasil
Brasil acelera na automação com IA enquanto a infraestrutura que sustenta essa corrida ainda está sendo construída
Numa tarde de reunião de diretoria num escritório de Pinheiros, do Recife Antigo ou da 'Ilha do Silício' (Florianópolis), alguém abre um laptop, digita uma instrução num campo de texto, sem escrever uma linha de código, sem chamar um desenvolvedor, sem abrir um chamado para o departamento de TI, e um agente de inteligência artificial (IA) começa a executar uma sequência de tarefas que antes levaria dois dias e uma reunião de alinhamento.
Isso tem nome no mercado global de tecnologia, vibe-coding, e o Brasil é o país que mais adotou essa prática entre executivos corporativos, segundo o relatório 2026 Jitterbit AI Automation Benchmark, conduzido pela consultoria independente Censuswide com 501 tomadores de decisão de TI distribuídos pelas cinco regiões do país, que chegou com exclusividade à coluna nesta terça-feira (14).
Mais de um em cada cinco executivos brasileiros, 21,6% para ser exato, usam plataformas de vibe-coding para construir agentes de IA. É mais do que o Reino Unido, onde 19,6% adotam o método, e bem acima dos EUA, onde a proporção cai para 15,6%. O Brasil não está esperando o departamento de TI resolver, está contornando ele, com mais entusiasmo do que qualquer outro país pesquisado.
O número que mais chama atenção, no entanto, não é o maior da pesquisa, mas o que aparece em último lugar na lista de obstáculos para escalar a automação: orçamento. Apenas 17,8% dos entrevistados apontam falta de dinheiro como entrave, segundo o levantamento da Jitterbit, mais de 80% das empresas brasileiras têm verba para avançar com IA. O problema está em outro lugar.
Segurança e conformidade regulatória travam 42,1% das empresas. Integração com sistemas antigos preocupa 36,1%. Complexidade de processos freia 36,5%. Falta de recursos qualificados aparece em 35,7%.
São os mesmos gargalos que aparecem em qualquer levantamento sobre digitalização corporativa no Brasil desde pelo menos 2015. O que mudou é que agora eles estão bloqueando uma tecnologia que corre numa velocidade que os sistemas legados não foram projetados para acompanhar.
Para 59% dos executivos brasileiros ouvidos pela pesquisa, a responsabilidade da IA, que envolve segurança, rastreabilidade e auditabilidade, é o principal critério na hora de escolher uma nova ferramenta. Na região Sul, esse número passou de três quartos dos entrevistados.
Na hora de comprar, o critério mais citado depois da responsabilidade foi velocidade de implementação, com 49,7%, à frente até do custo total de propriedade, com 45,7%.
O Brasil quer correr, mas cada vez mais sabe que precisa de uma pista.
Em média, as empresas brasileiras operam hoje com 32 agentes de IA autônomos. A projeção para 2027 é de 42. O Brasil já concentra a maior fatia de organizações com mais de 100 agentes ativos, 9% do total, contra 2% nos EUA e 3,4% no Reino Unido, e esse grupo deve chegar a 14,2% no próximo ano. A fatia que ainda opera com apenas um a cinco agentes deve cair pela metade, de 22,8% para 11%, o que indica migração clara de experiências pontuais para operações estruturadas. A IDC (International Data Corporation) projeta que o número total de agentes ativos no mundo vai ultrapassar 1 bilhão em 2029.
Onde esses agentes entregam mais valor agora: TI e desenvolvimento de código lideram com 63,1%, seguidos de marketing (42,7%) e atendimento ao cliente (42,5%). Finanças aparece em quarto lugar, com 32,7%.
Em 2027, a expectativa é que vendas suba de 23,2% para 32,5%, enquanto TI recua proporcionalmente. Os agentes estão migrando do bastidor técnico para a linha de frente do negócio, e o movimento já tem endereço.
O método preferido para construir esses agentes ainda é IA embarcada em aplicativos SaaS prontos, com 35,1%, seguido de plataformas low-code e no-code, com 30%. O vibe-coding já aparece como terceira opção, à frente do código desenvolvido internamente por equipes técnicas, que fica em 11,4%.
Com taxas de falha de apenas 3,6%, a automação com IA deixou de ser aposta de alto risco para se tornar rotina mensurável. A maior parcela dos respondentes, 38,9%, descreve seu retorno atual como valor moderado, ganhos de eficiência visíveis mas retorno financeiro ainda não consolidado. Outros 31,1% já reportam alto valor.
Do lado das expectativas, o Brasil lidera o otimismo global com 43,1% dos entrevistados antecipando retorno sobre o investimento (ROI) elevado nos próximos doze meses, quase dez pontos acima dos outros países pesquisados.
Mais de 80% das empresas planejam ampliar os orçamentos de automação e IA no próximo ano. Em 40,1% dos casos, o aumento previsto para iniciativas de IA fica entre 11% e 25%. Um em cada cinco planeja crescimento acima de 25%. A região Norte lidera as expectativas de aumento em ambas as categorias.
O retrato não é só de avanço, infelizmente. O Brasil registra também a maior taxa de projetos experimentais que não evoluem, 22,4%, contra 16,4% no Reino Unido e 15% nos EUA. E a maior taxa de falha total entre os países comparados, 3,6%, contra 1,2% no Reino Unido e 2,8% nos EUA.
Apenas 5,2% das empresas brasileiras conseguiram levar projetos do piloto para a produção em escala completa, o que é cinco vezes mais do que os EUA, mas ainda é uma fração pequena do total. Quatro por cento das organizações nem monitoram o retorno dos projetos de IA, um sintoma claro de implementação acelerada e ainda desordenada em parte do mercado.
Marcos Oliveira Pinto, Global Software Engineer Manager da Jitterbit, resumiu o momento com uma frase que captura bem a tensão do relatório. "O Brasil demonstra que velocidade e governança não são objetivos excludentes. As empresas estão construindo ecossistemas agênticos em escala sem abrir mão de controle e responsabilidade."
É uma leitura otimista dos dados. Também é uma leitura verdadeira. O que os números mostram, com a mesma clareza, é que velocidade sem estrutura ainda produz muita poeira e alguns acidentes, e que o Brasil, por ora, parece disposto a aceitar os dois.
🔍 Jitterbit Fundada em 2004 e com sede na Califórnia, a Jitterbit é uma empresa americana especializada em integração de sistemas e automação de processos corporativos. Em linguagem direta: ela faz softwares que conectam sistemas diferentes dentro de uma mesma empresa, aquele ERP antigo que não conversa com o CRM novo, o banco de dados do financeiro que não fala com a plataforma de vendas, e automatiza tarefas que antes precisavam de intervenção humana ou de código desenvolvido do zero. Seu produto principal é a plataforma Harmony, que reúne ferramentas de integração, gestão de APIs, desenvolvimento low-code e, mais recentemente, criação de agentes de IA.
🔍 A pesquisa desta coluna foi encomendada pela Jitterbit à consultoria independente Censuswide, o que significa que os dados são coletados por terceiros, mas o patrocinador do estudo vende exatamente as soluções que o relatório recomenda. Isso não invalida os números, mas é um dado que o leitor merece ter.
A AI Secret chegou até a compará-lo a um Galileu moderno (o tom talvez tenha sido meio jocoso), diante de dois atentados à sua residência em São Francisco nos últimos dias, um coquetel molotov jogado no portão de madrugada por um texano de 20 anos, e um disparo efetuado de um carro em movimento dois dias depois.
Patético, sim. Perigoso, com certeza. Mas Galileu foi processado pela Inquisição, ficou em prisão domiciliar pelo resto da vida e teve seus livros proibidos por décadas. Altman foi para o blog, publicou uma foto da família e pediu que as pessoas se acalmassem.
É a temperatura do momento. Política e social. Uma parte da sociedade sente que não tem voz no processo mais acelerado de mudança tecnológica da história, e quando as pessoas perdem a sensação de que podem influenciar o que está acontecendo com suas vidas, alguns saem dos fóruns e vão para as ruas. Um problema político, social e policial.
Gostaria de agradecer aos leitores que colocaram a coluna AI-451, com tão pouco tempo de existência, entre os textos mais lidos do site da CNBC brasileira.
Os textos sobre Sam Altman e sobre o Mythos, da Anthropic, atingiram números incríveis. Obrigado!
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