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Economistas reconhecem PIB forte, mas alertam para desaceleração e riscos com o conflito no Irã

Publicado 04/03/2026 • 06:38 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Economistas alertam que taxa de investimento de 16,8% do PIB está abaixo do mínimo necessário para crescimento sustentável do Brasil
  • Conflito entre EUA e Irã pode pressionar inflação, manter juros altos e limitar o crescimento do PIB brasileiro em 2026
  • PIB brasileiro fechou 2025 com crescimento de 2,3%, puxado pela agropecuária com alta de 11,7% e pela extração de petróleo e gás
PIB

Portal RPAnews

Os juros futuros dispararam mais de 20 pontos na ponta longa após a abertura e até 12 pontos nos curtos refletindo a tensão global com o Irã.

O crescimento de 2,3% do PIB brasileiro em 2025 foi recebido com cautela pelo mercado. Economistas consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC reconhecem a solidez do resultado – que levou o país a R$ 12,7 trilhões, mas são unânimes em apontar que a composição do crescimento esconde fragilidades importantes, como a desaceleração do consumo, investimento abaixo do necessário e um cenário geopolítico que pode segurar os juros altos por mais tempo do que o esperado.

O conflito entre EUA e Irã apareceu nas análises como o principal novo risco ao crescimento em 2026.

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Agro e extração mineral sustentam PIB

Pelo lado da oferta, os três grandes setores avançaram: a agropecuária liderou com alta de 11,7%, seguida pelos serviços (1,8%) e pela indústria (1,4%). Dentro da indústria, a extração de petróleo e gás se destacou, elevando o agregado industrial a 8,6% na variação anual.

“A agropecuária subiu 11,7% no ano passado, com o impacto da safra recorde no país, sobretudo durante o primeiro trimestre. Na indústria, o grande destaque foi a extração de petróleo e gás”, avalia o economista Maycon Rodrigues. Para ele, o resultado consolida “a visão de uma economia em dois trilhos ao longo do ano, com crescimento mais notável em setores ligados às commodities e dificuldades em atividades sensíveis às condições financeiras.”

João Kepler, CEO da Equity Group, reforça a leitura: “O 4º trimestre veio praticamente parado, alta de 0,1% contra o trimestre anterior. Esse mix importa para negócios, porque agro subiu 11,7% e puxou o resultado, enquanto serviços cresceram 1,8% e a indústria ficou em 1,4%, com transformação caindo 0,2%.”

Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, reforça a mesma leitura: “O PIB foi um bom número, mas ele não autoriza euforia quando olhamos a composição: agro acelerou 11,7%, enquanto a indústria ficou em 1,4% e a transformação terminou no negativo, 0,2%.”

Taxa de investimento segue abaixo do mínimo necessário

Um dos pontos mais críticos levantados pelos especialistas é o nível da taxa de investimento. Pelo lado da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,9% no ano, mas a relação investimento/PIB permanece em apenas 16,8%.

“Deveríamos estar investindo pelo menos 20% do PIB, mas dado o patamar de juros isso ainda não será possível num horizonte de médio prazo”, alertou André Perfeito, economista da Garantia Capital. Ele também destaca que a Indústria de Extração subiu fortemente, “o que é particularmente importante num momento de guerra generalizada no Oriente Médio e poderá nos dar certa salvaguarda durante o período tumultuado que iremos viver.”

Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, confirma a preocupação com os dados de capital: “A formação bruta de capital fixo está variando negativamente na variação ano contra ano. Isso mostra mais um setor, dos mais sensíveis ao ciclo, com arrefecimento.”

Pedro Ros, CEO da Referência Capital, sintetiza o momento: “O 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões. A busca por estratégias que organizem fluxo de caixa e reduzam a dependência de financiamento tradicional ganha relevância.”

Consumo das famílias desacelera sob efeito dos juros

O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, resultado expressivamente inferior ao avanço de 5,1% registrado em 2024. A desaceleração é lida pelo mercado como reflexo direto da política monetária contracionista.

“O consumo das famílias subiu 1,3%, bem abaixo de 2024, e o 4º trimestre mostrou estabilidade, evidência de que juros e incerteza pesaram nas decisões”, observa Pedro Ros. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que “a economia cresceu, mas terminou o ano com menos tração em decisões de capital e mais sensibilidade ao custo do dinheiro.”

Para Antonio Ricciardi, “o consumo das famílias ficou estável, mas com variações no year-over-year desacelerando claramente dos quase 4% no começo do ano para 1% agora. É possível perceber que a política monetária tem sentido efeito nos itens em que ela tem maior sensibilidade.”

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, acrescenta que “o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026”, mesmo diante de uma economia que “segue expandindo de forma moderada, sustentada principalmente pelo consumo e por algum dinamismo nos investimentos.”

Conflito entre EUA e Irã ameaça inflação, juros e PIB em 2026

O pano de fundo geopolítico foi amplamente citado pelos especialistas como o principal risco ao crescimento do PIB neste ano. O conflito entre EUA e Irã, com ameaças ao Estreito de Ormuz e pressão sobre o petróleo, pode alimentar a inflação global e segurar os cortes de juros ao redor do mundo.

“O conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, via petróleo e custos logísticos, que pressionam preços e elevam a incerteza. Se esse choque mantém inflação mais resistente, o Brasil corre o risco de conviver com juros altos por mais tempo”, alerta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, vai além: “Com o IPCA-15 vindo em 0,84%, a maior surpresa de alta em 2 décadas, o risco inflacionário disparou. Isso deve manter a Selic em 15% por muito mais tempo do que o mercado esperava, o que inevitavelmente encarece o crédito e inibe o consumo das famílias. Não há como autorizar grandes aportes enquanto o conflito no Irã e a volatilidade no Estreito de Ormuz ameaçarem nossos custos logísticos e a estabilidade econômica.”

Peterson Rizzo, gerente de R.I. da Multiplike, detalha o mecanismo de transmissão: “A principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação. Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. Embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo.”

Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, resume bem o dilema: “O petróleo caro costuma se traduzir em inflação mais persistente e juros globais mais altos por mais tempo. Se o mundo posterga cortes, o Brasil tende a carregar juros elevados por mais tempo para ancorar expectativas, o que afeta consumo e reduz projetos de expansão, especialmente em companhias com margens apertadas.”

Projeções para 2026 divergem, mas sinalizam desaceleração

As projeções dos economistas para o PIB de 2026 variam, mas apontam majoritariamente para um ritmo de crescimento inferior ao de 2025.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, é o mais cauteloso: “Para 2026, enxergamos o PIB desacelerando um pouco mais, com um crescimento de 1,5% no agregado do ano.” Ele destacou que “a desaceleração do setor de serviços e da indústria foram mais visíveis no PIB do 4º trimestre” e que o resultado “contribui para a ancoragem das expectativas inflacionárias, sendo um resultado importante para o fechamento do hiato do produto.”

Maycon Rodrigues projeta crescimento de 2,0% em 2026, “à medida que o governo implementar mais estímulos no primeiro semestre.” Ricciardi, do Daycoval, aponta que mudanças devem ocorrer já no primeiro trimestre: “Para 2026, esse movimento tende a mudar. A safra de agro deve ser parecida com a de 2025, então a variação ano contra ano não deve ser tão relevante. E terão também algumas medidas do governo, principalmente a isenção do IRPF, que deve impulsionar o consumo.”

Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, ressalta que o cenário de choque externo pode, paradoxalmente, abrir espaço para a tecnologia: “Em momentos de choque externo, produtividade vira o argumento central, e é justamente aí que tecnologia bem aplicada costuma ganhar espaço.”

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