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Barril em disparada: onde estão as oportunidades de investimentos no petróleo
Publicado 06/03/2026 • 23:01 | Atualizado há 5 horas
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Publicado 06/03/2026 • 23:01 | Atualizado há 5 horas
KEY POINTS
A alta recente do petróleo recolocou a commodity no radar do investidor. Com o Brent a US$ 93,04 por barril nesta sexta-feira (6), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, cresce também a busca por formas de capturar esse movimento na carteira.
Mas se expor ao petróleo está longe de ser uma decisão simples. Há diferentes caminhos para isso, e eles não entregam a mesma coisa. Em alguns casos, o investidor fica mais próximo da oscilação do barril. Em outros, compra empresas que podem se beneficiar da alta, mas que também carregam riscos operacionais, políticos e de execução.
Para Adriana Ricci, fundadora e CEO da SHS Investimentos, a exposição ao setor pode fazer sentido em momentos de estresse geopolítico, quando o mercado passa a embutir um prêmio de risco no preço da commodity. “Investir em petróleo pode fazer sentido como forma de diversificação e/ou proteção de portfólio”, afirma.
Ao mesmo tempo, Adriana pondera que não se trata de uma aposta trivial. Segundo ela, “o petróleo é um ativo muito cíclico e altamente sensível a eventos políticos e econômicos”, o que significa que movimentos fortes de alta também podem ser seguidos por correções relevantes. Por isso, afirma, a decisão deve passar menos pela tentativa de acertar o timing e mais pela avaliação de estratégia, perfil de risco e diversificação da carteira.
Na mesma linha, o economista da Valorum Investimentos Vilson Marcelo Rauch vê a disparada recente com cautela. Para ele, o movimento tem cara de prêmio geopolítico, e não necessariamente de nova tendência estrutural de alta. “A alta recente é real, mas parece mais um pico de risco do que tendência sustentada”, diz. Na avaliação do economista, um eventual acordo entre EUA e Irã pode provocar uma reversão rápida dos preços. “Quem entra agora pode estar comprando no topo de um repique geopolítico.”
Ainda assim, para quem quer ter alguma exposição ao tema, existem alternativas.
Para quem tem conta internacional, os ETFs são um dos caminhos mais diretos para se posicionar em petróleo sem comprar o ativo físico.
Entre as opções mais conhecidas estão o USO, ligado ao desempenho do WTI, referência do petróleo nos Estados Unidos, e o BNO, que acompanha o Brent, principal referência global para o barril.
Rauch destaca esses dois veículos como alternativas com maior liquidez para o investidor que opera fora do Brasil. Mas faz uma ressalva importante: nos dois casos, a exposição ocorre via contratos futuros, não por compra de petróleo físico. Isso significa que o retorno do ETF pode não acompanhar exatamente o comportamento do barril à vista, já que a rolagem desses contratos tem custo e pode afetar o desempenho final.
Leia também: O que é o petróleo Brent e por que a guerra no Oriente Médio fez o preço subir
Para quem prefere permanecer no mercado brasileiro, há BDRs de ETFs ligados ao setor de energia e petróleo.
Entre eles estão o BIYE39, atrelado a um índice de empresas americanas de óleo e gás, e o BIEO39, mais concentrado em companhias de exploração e produção. Há ainda o BCOM39, que não é um veículo exclusivo de petróleo, mas de uma cesta mais ampla de commodities, incluindo energia, metais e grãos.
A vantagem desses ativos é permitir acesso ao tema sem a necessidade de abrir conta fora do país. A desvantagem, segundo Rauch, é a liquidez reduzida. Na visão dele, esse é um ponto que precisa entrar na conta do investidor antes de qualquer decisão, porque pode dificultar a compra e a venda rápida dos papéis.
Outra possibilidade é investir diretamente em petrolíferas estrangeiras, seja por ações no exterior, seja por BDRs negociados na bolsa.
Entre os nomes mais conhecidos estão ConocoPhillips, Chevron e ExxonMobil. Mas, de novo, não se trata da mesma exposição.
Rauch observa que a ConocoPhillips é mais concentrada em exploração e produção, o que a torna mais sensível ao preço do barril. Já Chevron e Exxon têm uma atuação mais integrada, com refino, distribuição e petroquímica, o que tende a amortecer parte do efeito da oscilação da commodity sobre os resultados.
Isso significa que comprar ações de petrolíferas não é o mesmo que comprar petróleo. O investidor passa a depender também do modelo de negócio de cada companhia.
No Brasil, a porta de entrada mais óbvia continua sendo a Petrobras. Mas, na avaliação das fontes ouvidas, ela está longe de ser uma aposta “pura” em petróleo.
Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW Consultoria, chama atenção justamente para esse ponto. “Quando você se expõe através da compra de empresas do setor, você tem essas nuances de cada característica de cada empresa no setor”, afirma.
É por isso, segundo ele, que nem toda companhia ligada à cadeia de petróleo reage da mesma forma à alta do barril. Filipe cita o caso de distribuidoras como exemplo de negócio que pode até sofrer pressão sobre margens em um cenário de energia mais cara. No caso da Petrobras, a leitura também exige mais cuidado. Ele afirma que a companhia é verticalizada, tem presença relevante em refino e ainda carrega o componente estatal, o que adiciona dúvidas sobre repasse de preços e impacto político sobre a operação.
Por isso, explica Filipe, alguns investidores preferem buscar exposição ao tema por meio de empresas independentes. “Muitos investidores usam para ficar posicionados em petróleo, mas sem se posicionar em Petrobras por conta da exposição ao governo, se posicionam, por exemplo, em Prio”, diz.
Na visão de Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, o petróleo mais alto tende a melhorar os fundamentos de praticamente todas as produtoras listadas. “Todas elas vão ter crescimento de receita por conta dessa variação muito forte. Incremento de rentabilidade e margem. E aumento da geração de caixa”, afirma.
Mas Hugo também separa as teses por perfil. Para ele, Prio (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3) são as ações mais ligadas a crescimento, por combinarem barril mais alto com expansão de produção. Já Petrobras e PetroReconcavo (RECV3) aparecem mais como teses de valor e dividendos, sustentadas por geração de caixa robusta e potencial de distribuição ao acionista.
Ele ainda menciona a Azevedo & Travassos Energia (AZEV4) como uma tese mais especulativa. Pode ter upside elevado se conseguir executar aquisições e elevar produção, mas também carrega mais risco de execução e estrutura de capital.
Leia também: Petróleo dispara e fecha dia acima de US$ 90; commodity acumula até 35% de alta na semana
Se a ideia for buscar a exposição mais direta possível ao barril, os contratos futuros continuam sendo o instrumento mais tradicional.
É por esse caminho que o investidor consegue se posicionar na oscilação da commodity sem comprar petróleo físico. O problema é que esse mercado embute alavancagem, exige gestão ativa e pode amplificar perdas em movimentos de reversão.
Filipe Ferreira lembra que, no mercado futuro, o investidor “vai ficar exposto à oscilação sem de fato ter que comprar esse ativo”. Isso pode ser vantajoso por exigir menos capital de largada, mas aumenta o risco em caso de reversão brusca.
Já Rauch ressalta que esse tipo de instrumento envolve também rolagem de vencimentos e risco de margin call, o que o torna mais adequado a investidores experientes.
Adriana Ricci vai na mesma direção ao dizer que contratos futuros são uma alternativa voltada a investidores mais sofisticados, com maior tolerância ao risco e familiaridade com operações de alta volatilidade.
A conclusão das fontes ouvidas é que a alta recente do petróleo, por si só, não é convite automático para correr atrás da commodity.
A exposição pode fazer sentido como diversificação, proteção contra choques geopolíticos ou até como aposta tática em empresas do setor. Mas o melhor caminho depende menos do entusiasmo com o barril e mais do que o investidor quer capturar: preço da commodity, geração de caixa das produtoras, dividendos ou uma tese mais ampla de energia.
Adriana resume esse ponto ao dizer que a exposição ao petróleo tende a fazer mais sentido como parte de uma estratégia de diversificação, e não como aposta concentrada em um único ativo.
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