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De US$ 119 ao tombo com possível fim da guerra: a festa do petróleo acabou?

Publicado 09/03/2026 • 23:41 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O petróleo disparou em meio à escalada da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, com Brent e WTI chegando a cerca de US$ 119 no pico intradiário, antes de recuarem após falas de Donald Trump sobre possível desescalada do conflito.
  • Analistas divergem sobre o que vem pela frente: parte do mercado vê o movimento recente como choque de curto prazo, enquanto outros apontam que riscos geopolíticos e restrições de oferta podem manter o barril com prêmio elevado.
  • Com o petróleo ainda em patamar alto, cresce o debate entre investidores sobre exposição direta à commodity ou às petroleiras, que podem capturar a alta do barril por meio de geração de caixa e dividendos.

O mercado de petróleo viveu nesta segunda-feira (9) um dos movimentos mais bruscos dos últimos anos. Em meio à escalada da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o Brent chegou a US$ 119,50 no pico intradiário e o WTI bateu US$ 119,48, as maiores cotações durante o pregão desde junho de 2022.

No fechamento, porém, os contratos já haviam reduzido parte dos ganhos: o Brent encerrou a US$ 98,96 e o WTI, a US$ 94,77. Ainda assim, nos maiores níveis de fechamento desde agosto de 2022. Depois disso, os preços seguiram recuando no after market.

A reversão parcial aconteceu em meio a falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de o conflito terminar “muito em breve” e à discussão, nos EUA e entre países do G7, sobre o uso de reservas estratégicas para tentar aliviar a pressão inflacionária da energia.

O vaivém reacendeu no mercado a dúvida se o choque do petróleo perdeu força ou ainda há espaço para novas altas nas próximas semanas.

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Para Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ Group, o estresse recente do petróleo para a faixa de US$ 100 a US$ 110 deve ser lido mais como um choque de curto prazo do que como um novo padrão estrutural de preço.

Na visão dele, o mercado ainda trabalha com um Brent de longo prazo mais próximo de US$ 70, e há fatores que podem limitar a continuidade da disparada, como uma eventual liberação de reservas pelos Estados Unidos e por outros países desenvolvidos.

Alex também avalia que Trump não tem incentivo para conviver com um petróleo muito alto por muito tempo, já que energia cara pressiona a inflação e aumenta o custo político para a Casa Branca.

Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, porém, ainda é cedo para decretar o fim do movimento. Segundo ele, enquanto persistirem restrições de oferta, riscos logísticos e incerteza em torno do Estreito de Ormuz, o petróleo tende a continuar negociando com prêmio relevante.

Na avaliação dele, o mercado de óleo é extremamente sensível a qualquer risco de interrupção de oferta. “Nesse cenário, não seria surpreendente ver o Brent operando 20% a 30% acima dos níveis de alguns meses atrás”, diz.

O pano de fundo ajuda a explicar por que parte do mercado ainda evita tratar a correção desta segunda como sinal de normalização. O Estreito de Ormuz, epicentro da preocupação atual, responde normalmente por um fluxo equivalente a cerca de 20% da demanda mundial de petróleo por dia. Com a rota severamente afetada, analistas passaram a revisar para cima seus cenários de preço.

A festa do petróleo acabou?

Para Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, o pico visto perto de US$ 120 teve também um componente técnico, ligado a encerramento de posições e chamadas de margem, o que ajuda a explicar a correção posterior. Ainda assim, ele avalia que o petróleo deve permanecer em patamar elevado nas próximas semanas.

“Na nossa leitura, o intervalo entre US$ 70 e US$ 100 é factível”, afirma.

Segundo Hugo, há três forças sustentando esse novo intervalo: o fator geopolítico, os danos sobre a oferta e a logística e a baixa reposição de reservas no setor. Na leitura dele, estruturas de armazenagem, transporte e produção afetadas pelo conflito não voltam rapidamente à normalidade, o que impede uma recomposição imediata da oferta global.

A consequência prática, diz o especialista, é que o barril pode até sair dos picos recentes, mas não necessariamente voltar tão cedo para os níveis anteriores à guerra.

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Vale investir na commodity ou em ações de petroleiras?

O debate sobre preço leva a outro ponto: nesse ambiente, vale mais investir diretamente no petróleo ou nas empresas do setor?

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Para Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ Group, a resposta depende do objetivo do investidor. Segundo ele, a commodity oferece uma exposição mais direta ao choque geopolítico, mas também embute mais volatilidade e não gera caixa. Já as petroleiras permitem capturar parte da alta do barril com geração de caixa e, em alguns casos, dividendos.

Na visão do economista, a Petrobras (PETR4) é uma empresa mais madura, com forte capacidade de geração de caixa e perfil mais voltado a dividendos, mas com menor curva de crescimento. Já companhias como a Prio (PRIO3) oferecem uma tese mais ligada à expansão operacional.

Jayme segue linha parecida e afirma que “Petrobras e PetroRio tendem a capturar melhor esse ambiente de petróleo mais caro, pois já possuem operações mais maduras e custos de extração competitivos”.

Hugo também vê espaço para distribuição adicional de dividendos em boa parte das petroleiras listadas, mas faz uma ressalva em relação à Petrobras, por causa do risco de controle de preços dos combustíveis no mercado interno. Na avaliação dele, empresas alavancadas também podem usar esse excedente de caixa para acelerar a desalavancagem, o que reduz risco financeiro e melhora a percepção de valor do setor.

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