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Conflito no Oriente Médio

EUA afundam 16 navios iranianos em meio a relatos de mineração do Estreito de Ormuz

Publicado 11/03/2026 • 07:39 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que forças americanas afundaram vários navios iranianos, incluindo 16 embarcações usadas para lançar minas navais.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou para “consequências militares… em um nível nunca visto antes” caso as minas não sejam removidas.
  • Mesmo uma mineração limitada poderia interromper o tráfego marítimo global, elevar os custos de seguro e funcionar, na prática, como um bloqueio no Golfo Pérsico.

Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC via Wikimedia

O estreito de Ormuz visto do espaço

Forças americanas afundaram nesta terça-feira vários navios iranianos, incluindo 16 embarcações usadas para lançar minas navais, nas proximidades do Estreito de Ormuz, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom). A ação ocorre em meio a relatos de que Teerã estaria tentando minar a via marítima estratégica para o abastecimento global de energia.

O anúncio dos EUA veio após uma publicação do presidente Donald Trump, que afirmou que, caso o Irã tenha colocado minas no estreito, “queremos que sejam removidas IMEDIATAMENTE”.

“Se por qualquer motivo minas foram colocadas e não forem retiradas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de um nível nunca visto antes. Se, por outro lado, removerem o que possa ter sido colocado, será um grande passo na direção certa”, escreveu Trump na rede Truth Social.

Mais tarde, o presidente dos EUA afirmou que 10 navios de colocação de minas inativos haviam sido afundados e acrescentou que “mais virão”.

Uma reportagem da CNN nesta terça-feira afirmou que o Irã começou a lançar minas no Estreito de Ormuz, embora de forma limitada. Fontes ouvidas pela emissora disseram que apenas “algumas dezenas” foram instaladas nos últimos dias.

O relatório também afirma que o Irã ainda mantém mais de 80% de suas pequenas embarcações e navios de colocação de minas, o que permitiria ao país lançar potencialmente centenas de minas na via marítima.

Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz registrou a passagem de cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, o equivalente a aproximadamente 31% de todo o fluxo marítimo global de petróleo bruto, segundo a consultoria de energia Kpler.

Os preços do petróleo dispararam desde o início do conflito, aproximando-se de US$ 120 por barril na segunda-feira antes de recuarem. O petróleo WTI dos Estados Unidos era negociado por último a US$ 83,8 por barril, enquanto o Brent, referência global, estava em US$ 87,9 por barril.

A CBS News, que informou que o Irã “pode estar se preparando” para implantar minas navais, afirmou que o país estaria utilizando embarcações menores, capazes de transportar de duas a três minas cada, para posicioná-las no estreito. Embora o estoque iraniano de minas não seja conhecido publicamente, estimativas ao longo dos anos variam de cerca de 2.000 a 6.000 unidades, segundo a reportagem.

O Robert Strauss Center for International Security and Law, no Texas, afirmou que o uso de minas poderia ser “benéfico” para o Irã nas rotas de navegação do Estreito de Ormuz, seja para causar danos diretos, seja como forma de dissuasão, direcionando embarcações para corredores específicos mais favoráveis ao país.

Um relatório da CIA, desclassificado em 2009, afirma que “os iranianos parecem ter reconhecido as limitações de sua capacidade de guerra com minas e adotaram uma estratégia na qual algumas minas, ou a ameaça de mineração, seriam usadas para dissuadir o tráfego marítimo”.

O documento acrescenta que o Irã poderia usar minas para elevar os custos de seguro e desencorajar navios com destino a portos do Golfo Árabe a entrar no Golfo Pérsico: “tal mineração seria tão eficaz quanto um bloqueio”.

Na semana passada, os custos de transporte de superpetroleiros no Oriente Médio atingiram o nível mais alto já registrado, enquanto grandes seguradoras especializadas em riscos de guerra marítima suspenderam a cobertura para embarcações que operam no Golfo Pérsico.

Trump afirmou na semana passada, também em publicação no Truth Social, que ordenou à U.S. Development Finance Corporation que ofereça “seguro contra risco político e garantias para a segurança financeira de TODO o comércio marítimo, especialmente de energia, que atravessa o Golfo”.

“Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível”, acrescentou.

No entanto, segundo reportagem da Reuters, a Marinha dos EUA vem recusando pedidos “quase diários” da indústria de navegação para escoltar navios, alegando que, por enquanto, os riscos de ataques são elevados demais.

Embora a Marinha não tenha detalhado esses riscos, os Estados Unidos desativaram quatro caça-minas da classe Avenger que estavam estacionados no Bahrein no fim de 2025.

As embarcações que devem substituir esses navios — os navios de combate litorâneo da classe Independence — têm “dificuldades para atender aos requisitos operacionais de missões de contramedidas contra minas”, segundo a publicação naval especializada Naval News.

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