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Varejo alimentar recua em fevereiro com queda nas vendas de bebidas e menos calor

Publicado 11/03/2026 • 13:15 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Varejo alimentar registra queda de 3% em unidades vendidas em fevereiro, com faturamento estável em 0,2%
  • Sucos recuam 15,4% e cervejas 12% em unidades, com bebidas liderando a retração do mês
  • Aperitivos sobem 21,3% e categoria pet avança 3,9% em unidades na contramão do setor

O varejo alimentar brasileiro registrou queda de 3% nas unidades vendidas em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com faturamento praticamente estável, avançando apenas 0,2%. Os dados são do Radar Scanntech e mostram que o principal fator da retração foi a queda no consumo de bebidas, segmento diretamente afetado por temperaturas mais amenas em relação a fevereiro de 2025.

O fluxo de consumidores em loja recuou 4,5% no mês. O faturamento foi sustentado pelo aumento médio de preço por unidade, de 3,3%.

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Bebidas puxam queda do varejo

As bebidas foram o principal vetor negativo do período, com retração de 8,4% em unidades e faturamento praticamente estável, com alta de apenas 0,5%, sustentado pelo aumento do preço médio de 9,8%.

Sucos recuaram 15,4% em unidades e 10,7% em faturamento. Cervejas caíram 12% em unidades e 3,4% em valor. Refrigerantes recuaram 7% em unidades e 3,5% em faturamento.

A explicação está no clima. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, fevereiro de 2025 registrou anomalia de temperatura nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com média até 2°C acima do normal. Em 2026, essas mesmas regiões ficaram dentro ou abaixo da temperatura esperada para o mês, reduzindo o consumo de bebidas associadas ao calor.

Fonte: Radar Scanntech/Fevereiro 2026

Supermercados resistem

Os supermercados sustentaram o desempenho do setor. O canal registrou alta de 1,5% em faturamento, mesmo com queda de 1,6% em unidades. Os formatos menores se destacaram: lojas com cinco a nove checkouts cresceram 1,7% em faturamento, e as de até quatro checkouts avançaram 1,5%.

O atacarejo seguiu pressionado, com queda de 2,3% em faturamento e de 5,7% em unidades no mês.

Mercearia básica e consumidor racional

Fora do segmento de bebidas, a mercearia básica foi a única cesta a registrar retração relevante em faturamento, de 10,3%. Arroz caiu 35,3% em valor, açúcar recuou 21,7% e leite líquido cedeu 15,8%.

Segundo Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech, a queda nos preços desses itens, de 9,5% em média, não foi suficiente para estimular o crescimento do consumo em volume.

“Chama a atenção a retração em unidades no acumulado do ano, que vem sendo compensada pelo aumento no tamanho das embalagens, sustentando as vendas em volume. Esse movimento sugere uma maior capacidade de desembolso por parte do consumidor e um comportamento mais racional de compra, já que embalagens maiores costumam oferecer melhor preço por quilo”, afirmou.

Aperitivos e pet na contramão do varejo alimentar

Alguns segmentos registraram desempenho positivo no mês. Aperitivos avançaram 21,3% em faturamento, e as misturas alcoólicas prontas para beber cresceram 19,7% em valor e 15% em unidades. A categoria pet também se destacou, com alta de 3,9% em unidades e 3,6% em faturamento.

Na mercearia, sardinha enlatada subiu 46,3% em faturamento, suplementos para academia avançaram 33,1% e papinha cresceu 25,5%.

Carnaval no meio do mês

O Carnaval de 2026, celebrado entre 13 e 18 de fevereiro, também influenciou o desempenho do setor. Na comparação com os dias equivalentes de 2025, o varejo alimentar registrou retração de 13,4% em faturamento e de 18,2% em unidades. Descontado o efeito calendário, a retração real em unidades durante o feriado ficaria em aproximadamente 4,7%.

Em 2025, o Carnaval caiu na primeira semana de março, período de maior disponibilidade de renda após o pagamento de salários. “Quando o Carnaval acontece no início do mês, o varejo se beneficia de um consumidor com maior disponibilidade de renda logo após o recebimento do salário”, disse Passarelli.

Apesar do recuo geral, o volume acumulado nos dois primeiros meses de 2026 permanece acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

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