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CNI: corte na Selic não pode ser comemorado e juros permanecem incompatíveis com a economia
Publicado 19/03/2026 • 13:26 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 19/03/2026 • 13:26 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Ricardo Alban, presidente da CNI
Reprodução Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu na quarta-feira (18) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Para Ricardo Alban, presidente da CNI, a decisão não pode ser comemorando, já que os juros no Brasil permanecem em níveis incompatíveis com a realidade econômica do país.
Segundo Alban, o debate sobre a política monetária no Brasil se tornou repetitivo devido ao histórico de decisões do Banco Central. Segundo o executivo, a manutenção de juros elevados seria justificável apenas se o ponto de partida fosse outro.
“Falar sobre juros é algo que a gente tem já quase uma retórica. Seria perfeitamente compreensível que o juros no Brasil esse ano talvez nem caíssem, mas se nós não carregássemos uma história de equívocos, se nós tivéssemos uns juros compatíveis, não tivéssemos uns juros reais tão absurdos dentro da SELIC de 15%”, disse.
Para o presidente da CNI, o nível adequado para a Selic, considerando o atual cenário de inflação e a condição fiscal brasileira, deveria estar entre 9% e 10%. “Seriam juros razoáveis para a realidade exata da condição fiscal”, disse.
Ao comparar o cenário doméstico com o internacional, Alban demonstrou preocupação com os efeitos da política monetária restritiva sobre o crescimento. Citando o exemplo dos Estados Unidos, ele alertou que o Brasil corre o risco de enfrentar um quadro de estagnação econômica combinada com inflação (estagflação) devido ao desestímulo à produção.
Leia também: CNI reúne indústria e governo em São Paulo para definir rumos da inovação nos próximos 10 anos
“Os Estados Unidos se preocupam hoje com a chamada estagflação. Será que nós vamos podemos ter uma estagflação muito mais séria com a inibição que é a taxa de juros hoje para a nossa economia? A inibição que é a taxa de juros hoje para a capacidade de oferta. Então o 0,25 jamais pode ser comemorado.”
Embora reconheça a necessidade de prudência diante das incertezas geopolíticas e do cenário macroeconômico global, Alban reforçou que a crítica da indústria não é pontual, mas sim estrutural ao patamar atual da taxa.
“O que não podemos associar é que a nossa crítica às taxas de juros hoje é o patamar que ela se encontra totalmente de forma irascível no entendimento do setor produtivo”, concluiu.
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