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FMI alerta para impacto da guerra com o Irã sobre inflação global e crescimento econômico

Publicado 19/03/2026 • 16:01 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Fundo monitora efeitos do conflito sobre energia e inflação, mas ainda não recebeu pedidos de ajuda emergencial de países afetados.
  • Petróleo acima de US$ 100 pode elevar inflação global em até 2 pontos percentuais e reduzir crescimento em 1 ponto.
  • Alta dos combustíveis e risco sobre alimentos preocupam, especialmente para economias mais vulneráveis.
Homem observa tabela com cotações da bolsa de valores em Tóquio, no Japão

Issei Kato/Reuters

A alta destoa da queda da maioria dos índices de ações das Bolsas de Nova York, após dados de inflação dentro do esperado, mas sem influência da Guerra do Oriente Médio.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira (19) que está acompanhando os impactos da guerra envolvendo o Irã sobre a inflação global e o crescimento econômico, em meio à disparada dos preços de energia.

Segundo a porta-voz do Fundo, Julie Kozack, o conflito pode ter efeitos relevantes caso se prolongue. “Se os preços de energia permanecerem elevados por mais tempo, isso tende a pressionar a inflação”, afirmou durante coletiva.

De acordo com Kozack, se o petróleo ficar acima de US$ 100 por barril por um ano ou mais, a inflação global pode subir até 2 pontos percentuais, enquanto o crescimento econômico pode cair cerca de 1 ponto percentual, segundo uma estimativa geral. Ela também destacou que o FMI ainda não recebeu pedidos formais de financiamento emergencial relacionados à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Leia também: Conflito no Oriente Médio pressiona crescimento do comércio global, alerta OMC

O conflito teve início após os ataques de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que desencadearam uma escalada no Oriente Médio e afetaram o fluxo no Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio global de energia. Cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo passam pela região, e a crise já provocou uma forte alta nos preços, com impactos potenciais sobre a inflação em escala global.

Nesta quinta-feira, o Brent, referência internacional do petróleo, era negociado em torno de US$ 110 (R$ 576,4) por barril, avanço de cerca de 52% em relação ao período anterior à guerra.

Kozack alertou que os países mais vulneráveis economicamente devem sentir primeiro os efeitos da crise, por terem menor margem de manobra e menos reservas financeiras. “Esses países têm espaço limitado de política econômica e enfrentam condições de financiamento mais difíceis”, afirmou.

Leia também: Guerra no Oriente Médio ‘ameaça a segurança alimentar global’, afirma chefe da OMC

O FMI também acompanha de perto os efeitos sobre preços de commodities, inflação e condições financeiras globais, destacando que o impacto deve variar conforme a estrutura de cada economia.

Outro ponto de preocupação é o aumento potencial dos preços de alimentos, devido a interrupções no transporte e no envio de fertilizantes causadas pelo conflito. “Há risco de aumento nos preços dos alimentos, que pode ser significativo, dependendo da duração e intensidade da guerra”, concluiu Kozack.

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