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De satélites a data centers espaciais: por que a órbita baixa da Terra atrai bilhões em investimentos
Publicado 22/03/2026 • 07:58 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 22/03/2026 • 07:58 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: ISRO
Uma nova camada de infraestrutura crítica está surgindo acima de nossas cabeças.
A Órbita Baixa da Terra (LEO, na sigla em inglês) — que a NASA define como a faixa do espaço a uma altitude de até 2.000 km — está rapidamente deixando de ser um domínio técnico de nicho para se tornar um dos ambientes mais estratégicos do século XXI.
Ela sustenta navegação global, telecomunicações, defesa e conectividade mundial, e vem atraindo um fluxo crescente de investimentos.
Satélites em LEO, por estarem relativamente próximos da Terra, oferecem respostas mais rápidas, custos de lançamento reduzidos e velocidades de comunicação maiores. Ao contrário dos satélites em órbitas mais elevadas, eles não permanecem sobre um ponto fixo da Terra e geralmente operam em constelações para maximizar a cobertura global.
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Trajetórias mais altas, como a Órbita Média da Terra (MEO) e a Órbita Geoestacionária (GEO), abrigam infraestrutura de satélites já consolidada, mas estão sujeitas a restrições operacionais mais rígidas.
Mais de US$ 45 bilhões em investimentos foram registrados no setor em 2025, um aumento acentuado em relação aos pouco menos de US$ 25 bilhões em 2024, segundo a Space IQ, relatório que acompanha startups e tendências de investimento na economia espacial.
“O acesso orbital está se tornando um ativo estratégico, assim como portos, cabos ou redes de energia na Terra”, disse Carlos Moreira, CEO da empresa suíça de cibersegurança e semicondutores Wisekey, à CNBC.
O exemplo mais visível dessa transformação é a rede de satélites em rápida expansão de Elon Musk. Sua empresa de foguetes, SpaceX, já opera a constelação Starlink, que atualmente conta com mais de 9.500 satélites em órbita.
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A empresa planeja expandir essa rede adicionando milhares de satélites extras. A SpaceX também propôs um projeto ainda maior: um sistema de data centers orbitais movidos a energia solar, que poderia envolver até um milhão de satélites no futuro.
Mas a SpaceX não está sozinha. Apenas nesta semana, a queridinha do setor de tecnologia Nvidia lançou uma nova plataforma voltada a levar computação de IA para a órbita. O sistema foi projetado para suportar data centers orbitais, inteligência geoespacial e operações espaciais autônomas.
“A computação espacial, a última fronteira, chegou”, afirmou Jensen Huang, CEO da Nvidia, na conferência GTC 2026 em San Jose. Segundo ele, essa abordagem pode transformar data centers orbitais em instrumentos de descoberta e naves espaciais em sistemas de navegação autônomos.
O Amazon LEO — anteriormente conhecido como Project Kuiper — planeja lançar mais de 3.000 satélites em LEO. No início deste ano, a Federal Communications Commission (FCC) aprovou mais 4.500 satélites para lançamentos futuros. Enquanto isso, a Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, deve lançar mais de 5.000 satélites até o final de 2027.
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Na Europa, a rede de satélites LEO OneWeb da Eutelsat atualmente conta com mais de 600 satélites. Embora opere em escala muito menor, a França espera que a empresa eventualmente rivalize com a Starlink de Musk e investiu 1,35 bilhão de euros (US$ 1,58 bilhão) na Eutelsat, tornando-se sua maior acionista, com cerca de 30% de participação.
A China também apresentou planos para mais de 200.000 satélites distribuídos em 14 constelações.
A escala desses lançamentos planejados representa uma mudança fundamental na forma como o espaço será usado, governado e comercializado.
Mais de US$ 400 bilhões foram investidos na economia espacial desde 2009, com os Estados Unidos contribuindo com mais da metade desse valor, seguidos pela China, segundo a Space Capital.
O CEO da Space Capital, Chad Anderson, afirma que a indústria ainda está nos “primeiros innings de um ciclo de infraestrutura de múltiplas décadas”. Ele destacou que, embora o setor ainda esteja em fase inicial de evolução, já amadureceu o suficiente para oferecer oportunidades relevantes no mercado público.
Cerca de uma dúzia de empresas espaciais já são listadas em bolsas de valores, e outras devem abrir capital no próximo ano, incluindo a muito aguardada IPO da SpaceX, que Anderson acredita poder marcar o “momento Netscape” do setor espacial — um evento crucial que redefine expectativas de investidores e atrai capital adicional para o mercado.
À medida que o setor ganha impulso e a atividade comercial acelera, Moreira, da Wisekey, alertou que essa expansão deve ser “gerida com o mesmo nível de seriedade que a soberania digital na Terra”.
Ele argumentou que o espaço deve permanecer um domínio que beneficie a humanidade — apoiando conectividade, descobertas científicas e crescimento econômico — em vez de se tornar um ambiente de competição descontrolada e risco sistêmico.
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Um desafio importante para o crescimento do mercado é a governança fragmentada da LEO e seu sistema operacional em múltiplas camadas.
No nível internacional, o Tratado do Espaço Exterior estabelece que os estados são responsáveis por todas as atividades espaciais realizadas sob sua jurisdição, enquanto as diretrizes da ONU sobre mitigação de detritos espaciais fornecem princípios de sustentabilidade não obrigatórios.
A União Internacional de Telecomunicações (ITU) gerencia a alocação global do espectro, ajudando a evitar interferências e a manter operação confiável das redes de comunicação. Paralelamente, grupos da indústria, como a Space Safety Coalition, promovem padrões voluntários de boas práticas.
As autoridades nacionais, então, fornecem supervisão operacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, a FCC licencia constelações de satélites e uso de espectro, enquanto a FAA supervisiona atividades de lançamento e reentrada.
No entanto, muitos especialistas afirmam que os frameworks existentes já não são adequados.
Raza Rizvi, advogado de TMT da Simmons & Simmons, diz que grande parte da estrutura legal atual foi concebida para as condições mais previsíveis da GEO. “Agora que estamos entrando em um ambiente de maior risco e complexidade na LEO, ainda não temos as ferramentas legais específicas para lidar com essa nova tecnologia.”
Siamak Hesar, CEO da empresa de inteligência espacial Kayhan Space, afirma que as regulações atuais foram construídas para programas espaciais mais lentos e conduzidos por governos, e que “as regras precisam evoluir para a escala em que a indústria está crescendo.”
Ele ressalta que a regulamentação precisa de uma “nova perspectiva”, já que operadores comerciais, e não governos, estão se tornando os principais usuários do espaço.
Essa transição de uma atividade conduzida por estados para uma atividade conduzida pelo setor privado também está mudando a percepção dos líderes da indústria sobre as oportunidades futuras. Martijn Rogier van Delden, chefe do segmento consumidor da Amazon LEO na Europa, vê uma “oportunidade tremenda” para os satélites LEO conectarem bilhões de pessoas, descrevendo isso como “um divisor de águas para reduzir a desigualdade digital.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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