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Governo Trump minimiza alta do petróleo, mas empresários veem riscos persistentes
Publicado 23/03/2026 • 22:56 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 23/03/2026 • 22:56 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Um alto funcionário do governo Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (23) que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia tendem a ser “temporários”, avaliação que contrasta com a visão de empresários do setor reunidos em Houston, durante a CERAWeek, maior evento global da indústria.
A cidade americana recebe até sexta-feira cerca de 10 mil executivos e representantes do setor energético, em um momento de forte volatilidade causado pela guerra e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
O governo dos Estados Unidos, envolvido no conflito ao lado de Israel contra o Irã, enfrenta a pressão política da alta nos preços dos combustíveis, em meio à proximidade das eleições de meio de mandato.
Apesar disso, o secretário de Energia, Chris Wright, reforçou na abertura do evento que as turbulências são “temporárias”, discurso repetido em entrevista à CNBC, na qual afirmou que os benefícios no longo prazo serão “enormes”.
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Entre as medidas para conter os preços, os EUA decidiram suspender parte das sanções ao petróleo russo e iraniano, buscando aliviar a oferta global.
Ao mesmo tempo, Donald Trump afirmou que os EUA estão negociando o fim das hostilidades com autoridades iranianas, o que contribuiu para uma queda de cerca de 10% nos preços do petróleo.
A guerra levou ao cancelamento da participação de executivos de grandes petroleiras do Golfo, como Saudi Aramco e Adnoc, no evento.
O CEO da Adnoc, Sultan Al Jaber, classificou o bloqueio do Estreito de Ormuz como “terrorismo econômico”, alertando que a rota não pode ser usada como instrumento de pressão.
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Já o CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que o mercado tem subestimado o impacto do conflito, ao apostar em uma resolução rápida.
Segundo ele, a Ásia enfrenta preocupações reais com o abastecimento, e mesmo com o fim da guerra será necessário tempo para reconstruir estoques e reparar infraestruturas danificadas.
Na mesma linha, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, projetou preços de gás “muito elevados” até o verão no hemisfério norte, caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto, destacando que a Europa precisará recompor reservas para o inverno.
Durante o evento, a TotalEnergies anunciou que receberá cerca de US$ 1.000 milhões (R$ 5,27 bilhões) do governo americano como compensação pela saída de projetos de energia eólica offshore nos EUA.
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A companhia informou que pretende redirecionar os recursos para projetos de combustíveis fósseis, com foco em gás natural liquefeito (GNL).
A decisão reflete a mudança na política energética sob o governo Trump, que reduziu o apoio às energias renováveis e passou a incentivar a exploração de petróleo, gás e carvão.
Segundo Pouyanné, a eólica offshore não é a forma mais barata de geração nos EUA, enquanto o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que o governo prioriza “realidades energéticas, não fantasmas climáticos”.
Do lado de fora do evento, cerca de 100 manifestantes protestaram contra os impactos ambientais da indústria de petróleo.
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A ativista Chloe Torres, de 28 anos, alertou para o consumo excessivo de água por instalações industriais e petroquímicas, enquanto o médico aposentado Michael Crouch, de 79 anos, afirmou que a guerra no Oriente Médio está diretamente ligada ao petróleo e que essa relação tem se tornado cada vez mais explícita.
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