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Não é só petróleo: como a guerra com o Irã pode afetar alimentos no mundo todo
Publicado 23/03/2026 • 18:00 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 23/03/2026 • 18:00 | Atualizado há 7 meses
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Foto: Freepik
Conflito no Oriente Médio: como a guerra com o Irã pode desencadear uma crise alimentar global.
A nova guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã segue impactando diretamente a economia global e o acesso a diversos materiais considerados essenciais. Desde a escalada dos conflitos, que começou com um bombardeio americano a Teerã, capital do Irã, diversos países têm relatado a falta de acesso a comida, água e combustíveis, que muitas vezes são utilizados na produção de energia.
Em especial, após o ataque que matou o ex-líder supremo, Ali Khamenei, o Estreito de Ormuz, principal rota marítima utilizada para envio de petróleo e gás natural para diversos países do mundo, foi fechado por ordem da Guarda Revolucionária do Irã.
Entretanto, a falta de abastecimento do produto não é exclusividade da cadeia de consumo global. A guerra no Oriente Médio pode ameaçar uma crise alimentar mundial.
De acordo com informações do portal Al Jazeera, a guerra envolvendo o Irã já provoca impactos no mercado de energia, mas especialistas alertam para o risco de uma crise alimentar global. A escalada do conflito ameaça cadeias de produção essenciais e pode comprometer o abastecimento de alimentos em diversas regiões do mundo.
O ponto central da crise está na possível falta de fertilizantes, insumo essencial para a produção de alimentos. Segundo o portal, o conflito pode interromper o fornecimento desses produtos, criando um efeito dominó na agricultura mundial.
Sem fertilizantes suficientes, produtores tendem a reduzir a produção ou enfrentar quedas significativas na produtividade. Isso pode levar à diminuição da oferta de alimentos e, consequentemente, ao aumento dos preços em escala global.
A escassez de fertilizantes impacta diretamente culturas básicas, como grãos e alimentos essenciais. Com menos insumos disponíveis, agricultores têm dificuldade para manter níveis adequados de produção, o que pode agravar a inflação alimentar.
Esse cenário tende a afetar principalmente países mais vulneráveis, que dependem de importações e possuem menor capacidade de absorver choques nos preços. A combinação de custos elevados e menor oferta pode intensificar crises alimentares já existentes.
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Siga o Times | CNBCEntretanto, a crise no fornecimento de fertilizantes não se limita apenas a países pequenos ou que se encontram próximos à zona de guerra. Desde o início do confronto, os Estados Unidos já enfrentam uma redução de cerca de 25% no fornecimento de fertilizantes neste período do ano.
Ainda de acordo com o Al Jazeera, os países asiáticos eram os principais dependentes das exportações de fertilizantes do Golfo, concentrando 35% da ureia, 53% do enxofre e 64% da amônia enviados ao exterior.
A falta de fornecimento de fertilizantes deve pressionar ainda mais os países que dependem diretamente do produto para manter a produção alimentícia. Países como Brasil, Índia e China, que são referências mundiais no mercado agrícola.
A Índia apresenta forte dependência do Oriente Médio para o fornecimento de fertilizantes, com mais de 40% da ureia e dos fosfatos vindo da região. Já o Brasil depende quase totalmente de importações para garantir seu abastecimento de fertilizantes, sendo que cerca de metade desse volume passa pelo Estreito de Ormuz.
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A interrupção no fornecimento ocorre em um momento crítico para a agricultura, já que coincide com o período de semeadura (intervalo de tempo ideal para iniciar uma nova plantação), especialmente a safra de primavera no Hemisfério Norte, que vai de meados de fevereiro ao início de maio, exatamente no período em que os conflitos seguem se intensificando.
Com isso, no agronegócio, o uso de fertilizantes é fundamental para garantir boas colheitas em praticamente todas as culturas. No entanto, cada plantação exige tipos e quantidades específicas de insumos, o que torna ainda mais sensível qualquer falha no abastecimento.
De forma simples, a falta de abastecimento de fertilizantes e a escalada dos conflitos no Oriente Médio entre EUA e Irã devem pressionar cada vez mais o cenário alimentício mundial. O uso do material é essencial para garantir que as futuras plantações sigam os padrões de mercado internacional.
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