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Lemann Collaborative é lançada no Brasil para impulsionar políticas públicas; projeto será liderado por vencedores do Nobel

Publicado 25/03/2026 • 20:11 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Fundação Lemann lança parceria com vencedores do Nobel de Economia de 2019 para fortalecer políticas públicas baseadas em evidências no Brasil
  • O projeto se soma à rede internacional de parcerias acadêmicas da Fundação e marca mais um passo da estratégia de aproximar o Brasil de centros globais de excelência, buscando transformar conhecimento global em soluções práticas para desafios como pobreza, educação e desenvolvimento
  • Jorge Paulo Lemann, fundador da Fundação Lemann, participou do lançamento na Pinacoteca de São Paulo. O projeto nasce sob o guarda-chuva da estratégia internacional da instituição de conectar o Brasil a universidades e centros de pesquisa de ponta

A Fundação Lemann lançou nesta quarta-feira (25), na Pinacoteca de São Paulo, o Lemann Collaborative, parceria internacional que traz ao Brasil a participação dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, com foco no uso de evidências para aprimorar políticas públicas e enfrentar desafios estruturais do país.

A iniciativa reúne a fundação, a Universidade de Zurique e o J-PAL em uma estrutura voltada à produção de conhecimento, formação de lideranças e conexão entre pesquisa acadêmica e formulação de políticas públicas. O projeto se soma à rede internacional de parcerias acadêmicas da fundação e marca mais um passo da estratégia de aproximar o Brasil de centros globais de excelência.

O lançamento marcou a apresentação pública de uma iniciativa que pretende fortalecer a ponte entre pesquisa, formação e desenho de soluções para áreas como educação, desenvolvimento e gestão pública.

Jorge Paulo Lemann, fundador da Fundação Lemann, participou da inauguração da parceria, que nasce sob o guarda-chuva da estratégia internacional da instituição de conectar o Brasil a universidades e centros de pesquisa de ponta.

No evento, o empresário afirmou que a experiência de formação no exterior influenciou a estratégia da fundação de aproximar o Brasil de centros internacionais de excelência.

“Eu tive a oportunidade de estudar no exterior e de conhecer outros mundos e outras formas de pensar. Por isso nosso esforço para melhorar a educação no Brasil inclui incentivos para que outras pessoas possam ter acesso à informação que vem de fora”, disse.

Lemann também relacionou essa visão à construção de uma rede internacional de formação de brasileiros em universidades de referência.

“Nossos centros de estudos em universidades como Stanford, Harvard, Columbia e Oxford formam muitos brasileiros. Esperamos que eles possam voltar ao Brasil para formar novos talentos, compartilhar conhecimento e ajudar na busca de soluções para os problemas nacionais”, afirmou.

Ao comentar o avanço tecnológico em outros países, o empresário também ressaltou a importância de buscar aprendizado em polos globais de inovação. “Não tenho nenhuma formação técnica. Sinto uma falta enorme nesse mundo em que a tecnologia vai ser um fator muito importante”, disse. “Se eu fosse mais jovem, eu ia passar um ano no Vale do Silício ou em Israel ou qualquer lugar que está bem avançado tecnologicamente.”

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Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a vencedora do Nobel Esther Duflo afirmou que o objetivo da iniciativa é elevar o nível da formulação de políticas públicas no país e ampliar o acesso de pesquisadores e gestores brasileiros a ferramentas, métodos e experiências de referência internacional.

“O objetivo é realmente a excelência na formulação de políticas e, para isso, precisamos contar com grandes profissionais que tenham acesso às melhores ferramentas”, disse a economista.

Segundo Esther, o Brasil já conta com quadros qualificados na academia e no setor público, mas pode avançar ainda mais ao se conectar com pesquisas, programas e iniciativas testadas em outros contextos. “Você tem ótimas pessoas no governo e na academia. E eles precisam ser expostos a ideias de pesquisa de outros lugares, resultados de programas e iniciativas que funcionaram em outros países ou de fato no Brasil”, afirmou.

A economista também indicou que a proposta não nasce restrita a um único tema, embora tenha afinidade natural com agendas ligadas à pobreza, à educação e ao meio ambiente. Entre os exemplos estão a educação infantil e projetos ligados à Amazônia e aos impactos das mudanças climáticas.

Abhijit Banerjee afirmou que o novo centro pretende dar um passo além da produção acadêmica e ajudar a formar uma nova geração de pesquisadores e formuladores de políticas públicas mais conectados às evidências.

“A cooperação Lemann, como nós a visualizamos, tem a intenção de ser um novo avanço nesta batalha contra a pobreza mundial”, disse o economista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Banerjee, a proposta não é apenas produzir pesquisa, mas colocá-la em posição mais central dentro da formação de jovens estudiosos e decisores. “Uma coisa é dizer que nós fazemos pesquisa, outra coisa é dizer que agora nós vamos criar uma nova turma de formuladores de políticas, pesquisadores e jovens estudiosos que trabalham em conjunto”, afirmou.

Na avaliação dele, a iniciativa também pode ampliar a capacidade de o Brasil transformar conhecimento global em ferramenta prática para a tomada de decisão. “O que nós estamos tentando fazer é trazer a visão global, o corpo global de conhecimento, e transformá-lo em uma ferramenta para os tomadores de decisões”, disse. “Treinar os decisores a usar as evidências, mas também treinar a nós para sermos responsivos a eles.”

O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, afirmou que a parceria reforça uma estratégia de longo prazo voltada à construção de capacidade institucional no país. “O papel de uma fundação sem fins lucrativos tem que ser pensar ao longo prazo e construir capacidade, ajudar o Brasil a ter mais e mais capacidade de enfrentar seus problemas”, disse.

Segundo Mizne, a iniciativa acelera pontes acadêmicas e amplia as possibilidades de formação de brasileiros em contato com centros internacionais de excelência. “Ao fazer parcerias com algumas das melhores universidades do mundo, colocando o Brasil no centro, a gente acelera essas pontes acadêmicas, a gente dá oportunidade de formar brasileiros, de levar brasileiros para lá, de trazer conhecimento de ponta para cá.”

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A vice-presidente de Relações Institucionais da Fundação Lemann, Daniela Caldeirinha, afirmou que o lançamento reforça a missão da instituição de conectar produção de conhecimento e melhoria das políticas públicas. “É muito importante que a gente tenha parcerias como essa em que centros de excelência, de produção de pesquisa, de conhecimento, de evidências estejam a serviço de políticas públicas que sejam pautadas por essas evidências e que, portanto, possam melhorar a qualidade de vida das nossas pessoas.”

O Lemann Collaborative nasce em um momento em que a discussão sobre políticas públicas baseadas em evidências ganha espaço tanto no meio acadêmico quanto entre gestores e formuladores de políticas.

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