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Transporte

LATAM tem posição mais protegida entre aéreas da América Latina diante da alta de 90% no combustível, diz BTG Pactual

Publicado 30/03/2026 • 13:14 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Querosene de aviação acumula alta de 90% desde início do conflito no Oriente Médio e pressiona margens das aéreas
  • LATAM tem 48% do consumo do primeiro trimestre protegido por hedge e supera rivais Copa e Aeromexico sem cobertura
  • BTG Pactual mantém recomendação de compra para LATAM com preço-alvo de US$ 77 e retorno projetado de 65%

O querosene de aviação acumula alta de 90% desde o início do conflito no Oriente Médio, transformando o custo do combustível no principal risco para as margens das companhias aéreas ao redor do mundo. O alerta é do BTG Pactual, em relatório sobre a LATAM Airlines enviado aos clientes.

O banco manteve recomendação de compra para os papéis da companhia, com preço-alvo de US$ 77 por ADR e retorno projetado de 65% sobre o preço atual de US$ 49,03.

O combustível representa em média 30% das despesas operacionais das aéreas, tornando qualquer choque nesse item diretamente impactante sobre lucros e margens. Com o Brent acima de US$ 115 por barril e sem perspectiva de resolução do conflito no curto prazo, o setor busca alternativas para limitar os danos.

🔍 O hedge de combustível é uma operação financeira por meio da qual as companhias aéreas travam antecipadamente o preço do querosene de aviação, protegendo-se contra altas abruptas. É feito por meio de instrumentos como contratos futuros e opções atrelados ao preço do petróleo.

Leia também: Guerra no Oriente Médio encarece combustível e pressiona modelo low cost

LATAM mais protegida que rivais

Entre as aéreas latino-americanas cobertas pelo BTG, a LATAM está à frente pela posição de hedge mais robusta. A companhia tem aproximadamente 48% do consumo de combustível do primeiro trimestre de 2026 protegido, utilizando swaps e opções atrelados ao Jet Fuel, ao Brent e ao WTI. A cobertura cai para 44% no segundo trimestre, 31% no terceiro e 22% no quarto.

A comparação com os concorrentes é desfavorável para os rivais. A Copa Airlines, que historicamente utilizava hedge, não tem programa ativo no momento e opera totalmente exposta ao preço à vista do combustível. A Aeromexico interrompeu o hedge durante seu processo de recuperação judicial e também segue sem cobertura. A low cost mexiacana Volaris adota uma política oportunista, com coberturas táticas de curto prazo – até 18 meses – sujeitas à disponibilidade de caixa, o que resulta em proteção apenas parcial.

Segundo o BTG , a posição mais robusta da LATAM em relação aos pares reduz o impacto esperado sobre o resultado financeiro da companhia e deve se traduzir em desempenho mais resiliente no período.

Cinco estratégias para sobreviver ao choque

Além do hedge, o BTG Pactual identificou outras quatro frentes que a LATAM pode acionar para mitigar os efeitos da alta do combustível.

A primeira é o repasse de custos via aumento de tarifas. O banco avalia que companhias que operam em mercados historicamente voláteis, como a América do Sul, desenvolveram maior capacidade de ajuste de preços em resposta a pressões de custo. A crescente exposição da LATAM a passageiros internacionais e do segmento premium torna esse repasse menos arriscado do que seria para uma low cost, cujo modelo é mais sensível a variações de preço.

O BTG Pactual também destaca uma característica do mercado brasileiro, que representa cerca de 31% da capacidade da LATAM. O preço do querosene de aviação no país é amplamente controlado pela Petrobras, que ajusta os valores mensalmente com base em benchmarks internacionais por uma metodologia de média móvel. Esse mecanismo cria um efeito de defasagem que dá às aéreas tempo para repassar custos e preservar margens no curto prazo.

Eficiência e premiumização

A terceira frente é a agenda de eficiência operacional. O BTG Pactual aponta que a LATAM manteve o custo por assento disponível por quilômetro, excluindo combustível, praticamente estável desde a saída do Chapter 11 em 2022, o que indica controle dos demais custos abaixo da inflação.

A premiumização é apontada como alavanca de receita relevante. O segmento premium já responde por cerca de 23% da receita de passageiros da LATAM, cresceu mais rápido do que o restante do negócio nos últimos anos e entrega margens estruturalmente mais altas. O banco também menciona a possibilidade de incorporar iniciativas similares ao novo produto “Relax Row” da United Airlines, que oferece assentos reclináveis entre a classe econômica e a executiva.

Governo e redução do consumo

A quarta frente envolve apoio governamental. O BTG Pactual menciona que o Ministério de Portos e Aeroportos submeteu ao Ministério da Fazenda uma proposta de redução de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e do IOF sobre operações financeiras das aéreas, como forma de compensar o impacto da alta do petróleo. A carga tributária federal atual sobre o QAV soma 28,2%, entre PIS/Pasep de 5,0% e Cofins de 23,2%. O governo também criou um grupo de trabalho com a Anac para avaliar medidas de preservação da competitividade do setor.

A quinta e última alternativa, considerada pelo banco como último recurso, seria a redução do consumo via corte de capacidade. O BTG Pactual avalia esse cenário como improvável no momento, dado que a demanda segue robusta e o setor tem respondido com aumento de tarifas em vez de redução de oferta. A renovação da frota com aeronaves mais eficientes, no entanto, é apontada como caminho relevante para reduzir o consumo por assento no médio prazo.

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