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Crise temporária, danos permanentes: como a crise no estreito de Ormuz deve redesenhar o mapa do petróleo

Publicado 01/04/2026 • 22:10 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O fechamento do Estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura energética comprometeram o fluxo e a produção, com recuperação lenta devido a limitações operacionais e geológicas
  • Problemas logísticos, uso de estoques estratégicos e aumento de custos, como seguros marítimos, sustentam a expectativa de preços mais altos, possivelmente entre US$ 80 e US$ 100 no curto e médio prazo
  • A valorização do petróleo impulsionou empresas como a Petrobras, ao mesmo tempo em que o mercado passou a incorporar maior risco geopolítico, incentivando mudanças estruturais na matriz energética global

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O preço do barril de petróleo tem variado em níveis históricos e levado todo o restante do mercado consigo. No último trimestre, a flutuação dos contratos do Brent foi de 69,91%, segundo levantamento do Trademap. A crise no comércio internacional é um reflexo direto do conflito entre EUA e Irã, que culminou no fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% de todo o fluxo da commodity no mundo.

Variação do petróleo Brent no primeiro trimestre de cada ano

Fonte: levantamento TradeMap

No início de 2026, o cenário era de maior oferta. O aumento da produção no Brasil, nos Estados Unidos e entre os países da OPEP+ pressionava os preços, que chegaram a girar em torno de US$ 60 por barril. Esse quadro foi alterado com a crise na Venezuela e, posteriormente, com a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, que culminaram em conflito no início de março. Foi assim que o barril chegou a atingir US$ 120.

E a razão tem nome e sobrenome. Sem motivações claras para o início das hostilidades e sem rota clara para o fim do conflito, o presidente dos EUA, Donald Trump, tornou-se o pivô do sobe e desce das cotações. Afinal, entre as atribuições do líder do país mais poderoso do mundo, está a contenção das expectativas, segundo Rafael Schiozer, professor da FGV.

“Parece que, cada vez menos, as declarações do presidente têm sido levadas a sério, porque cada hora vão numa direção, então os mercados passam a não interpretar aquilo como informação, mas sim como um ruído”, afirmou.

As declarações do mandatário tem contribuído com as oscilações de curto prazo. No entanto, o mercado físico permaneceu pressionado, com oferta limitada e dificuldades de ajuste no curto prazo.

Com o avanço do conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz elevou o prêmio de risco e afetou o fluxo global da commodity. A restrição no escoamento levou ao acúmulo de estoques em portos e, em alguns casos, à interrupção da produção. A retomada desses níveis produtivos tende a ser gradual, uma vez que a extração de petróleo depende de fatores geológicos e operacionais que impedem uma recuperação imediata.

“Além disso, é provável que ocorra problemas na logística global, com navios redirecionando rotas e reduzindo velocidade para consumir menos combustível, o que aumenta bastante o lead time da logística global e mesmo com o final da guerra”, diz Gustavo Poladian, sócio e analista de renda variável da Meraki.

Variação acumulada do Ibovespa versus Brent em 2026

Fonte: TradeMap

O conflito provocou danos relevantes à infraestrutura energética. Instalações de produção, refino e armazenamento foram atingidas em diferentes países do Oriente Médio, comprometendo a capacidade produtiva. Esses eventos tendem a ter impacto prolongado sobre a oferta global. “Outro ponto importante é que mesmo a guerra acabando, é provável que os seguros de navios naquela região continuem altos por algum tempo, o que requer um preço de petróleo mais alto para compensar esses custos”, acrescenta Poladian.

As cadeias logísticas também foram afetadas. Houve redirecionamento de rotas marítimas, aumento do tempo de transporte e elevação dos custos operacionais. Mesmo com o fim do conflito, a normalização dessas operações não deve ocorrer de forma imediata.

“Vamos supor que o conflito acabe agora: levaria um tempo para que essa produção seja retomada aos níveis anteriores à paralisação, porque a produção de petróleo no campo não é igual a ligar uma máquina. Devido a fatores geológicos, acaba levando um tempo até que o fluxo de extração acabe voltando ao patamar anterior”, explica Leandro Manzoni, analista de economia do InfoEconomics.

Nesse contexto, a expectativa é de que o petróleo permaneça em patamares superiores aos observados antes da crise. A utilização de reservas estratégicas ao longo do período contribuiu para mitigar a alta, mas cria a necessidade de recomposição desses estoques, o que sustenta a demanda. As projeções indicam preços possivelmente entre US$ 80 e US$ 100 por barril no curto e médio prazo.

No horizonte mais longo, o cenário aponta para possíveis mudanças estruturais. Países devem ampliar investimentos em infraestrutura de transporte, como oleodutos, para reduzir a dependência de rotas críticas. Também há expectativa de expansão da capacidade de exportação de gás natural liquefeito, especialmente nos Estados Unidos, além de maior diversificação da matriz energética, incluindo investimentos em energia renovável.

“Os mercados de energia talvez comecem a reconhecer que a cadeia de suprimento de petróleo têm um risco que talvez não estivesse precificado, e vai passar a incorporar esse risco nos preços. Isso pode desencadear investimentos em formas alternativas de energia”, diz Schiozer, da FGV.

Para o longo prazo, os especialistas projetam uma mudança na precificação do risco no setor. Eventos geopolíticos recentes indicam que o risco associado à cadeia de suprimento de petróleo tende a ser incorporado de forma mais consistente aos preços, com impactos potenciais sobre investimentos futuros e sobre a competitividade de fontes alternativas de energia.

“A situação abre espaço para grandes alterações de estratégia na busca de garantia energética. Mais investimentos em acordos com parceiros produtores amigos reduzindo a dependência do petróleo do Oriente Médio, mais investimento em energia renovável, hidrogênio verde e energia nuclear. Este conflito por tratar de um ativo estratégico, que representa cerca de 50% da matriz energética mundial, força uma uma nova configuração do mapa geopolítico mundial”, conclui Mário Oliveira Filho, especialista em infraestrutura e energia

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