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EXCLUSIVO CNBC: CEO da Danone vê pressão em inflação global diante da guerra no Irã

Publicado 07/04/2026 • 16:14 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O CEO da Danone afirmou à CNBC que as pressões inflacionárias provocadas pela guerra no Irã podem levar a empresa a considerar aumentos de preços, em meio a um cenário ainda altamente incerto no Oriente Médio.
  • Questionado sobre a possibilidade de reajustes, Antoine de Saint-Affrique respondeu: “ainda não chegamos a esse ponto”.

O CEO da Danone afirmou à CNBC que as pressões inflacionárias provocadas pela guerra no Irã podem levar a empresa a considerar aumentos de preços, em meio a um cenário ainda altamente incerto no Oriente Médio.

Questionado sobre a possibilidade de reajustes, Antoine de Saint-Affrique respondeu: “ainda não chegamos a esse ponto”.

“Ninguém sabe quando essa guerra vai terminar. E, dependendo de como as próximas duas a quatro semanas se desenrolarem, o impacto macroeconômico pode ser muito diferente”, disse ele à CNBC, em entrevista à jornalista Charlotte Reed.

“Se o conflito se prolongar, os efeitos serão inevitáveis”, acrescentou.

As declarações vêm em um momento em que empresas ao redor do mundo avaliam com mais cautela como a guerra pode afetar suas operações e custos.

O conflito no Oriente Médio já entra na sexta semana, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã no fim de semana, pressionando pela reabertura do Estreito de Ormuz.

Na segunda-feira, Trump afirmou que o Irã teria até as 20h (horário da costa leste dos EUA) para reabrir essa rota estratégica, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

O bloqueio da passagem não só fez disparar os preços da energia, como também elevou de forma significativa os custos de fertilizantes e do transporte marítimo.

“Esses custos mais altos acabam sendo repassados ao longo do tempo, na forma de aumentos nos preços de commodities, insumos agrícolas, energia, embalagens e frete em toda a cadeia de suprimentos”, explicou Thijs Geijer, economista do ING, em entrevista à CNBC.

“A expectativa de muitos economistas e empresas era de desaceleração na inflação de alimentos. Mas já está claro que isso não deve acontecer neste ano”, completou.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, também alertou que, mesmo que o conflito seja resolvido em breve, a guerra no Irã deve resultar em inflação mais alta e crescimento econômico mais fraco.

No início do mês, a Food and Drink Federation (FDF) revisou sua projeção de inflação de alimentos para pelo menos 9% até o fim do ano, bem acima da estimativa anterior, de 3,2%. Caso se confirme, será o maior aumento anual nos preços de alimentos e bebidas não alcoólicas desde 2023.

Segundo a entidade, a revisão leva em conta um cenário em rápida mudança e parte do pressuposto de que o Estreito de Ormuz será reaberto ao tráfego de cargas nas próximas duas a três semanas, e que a maioria das infraestruturas-chave (como petróleo, gás e fertilizantes) voltará ao normal dentro de um ano.

Foco em nutrição saudável

Apesar das incertezas e dos desafios no cenário macroeconômico, Saint-Affrique demonstrou confiança na capacidade da empresa de atravessar esse período com resiliência.

“É justamente nesses momentos que precisamos continuar investindo nas marcas”, afirmou.

“Os consumidores estão mais seletivos. Ou você é relevante, ou deixa de ser. Este é o momento de reforçar aquilo que nos diferencia, o que nos torna únicos e o valor que entregamos.”

A Danone registrou um aumento médio de preços de cerca de 2,1% no quarto trimestre, enquanto o crescimento em volume foi de 2,5%. Assim como outras empresas do setor, a companhia tem priorizado o aumento de volumes após anos de reajustes causados pela alta da inflação em 2022, período em que muitos consumidores migraram para marcas mais baratas.

A estratégia agora é apostar em seu portfólio de produtos saudáveis para se manter competitiva, especialmente diante da crescente concorrência das marcas próprias, que costumam oferecer maiores margens aos varejistas. Em março, a empresa anunciou a aquisição da fabricante de shakes proteicos Huel, por um valor não divulgado, reforçando sua presença no mercado de nutrição.

Do lado do varejo, empresas também já sinalizam limites para absorver custos mais altos. A britânica Next informou, no fim do mês passado, que já contabiliza cerca de £15 milhões (aproximadamente US$ 20 milhões ou R$ 103 milhões) em custos adicionais relacionados ao conflito, como combustível e frete aéreo, considerando uma duração de três meses.

“Se esses custos persistirem além desse período, teremos que repassá-los aos preços”, afirmou a companhia.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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