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México deve ser o principal beneficiado pela Copa do Mundo em impacto no PIB

Publicado 17/04/2026 • 23:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Modelo com três sedes e uso de estádios já existentes busca evitar pressão fiscal vista em edições anteriores.
  • México tende a capturar maior efeito econômico com cidades mais próximas e estrutura turística mais concentrada.
  • Especialista cita legado fraco da Copa no Brasil e diz que retorno de grandes torneios depende mais de execução do que de gasto.

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada em Estados Unidos, México e Canadá, deve gerar efeitos econômicos distintos entre os três países-sede, com o México despontando como o principal beneficiário em termos de crescimento do PIB. A avaliação é de Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Benincá afirmou que o desenho do torneio foi estruturado para evitar parte dos problemas fiscais observados em edições anteriores, sobretudo com o uso de estádios já existentes e menor necessidade de grandes obras.

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“O desenho da Copa de 2026 em três países e o uso de estádios já existentes no México foi feito exatamente para tentar evitar aquela ressaca pós-torneio que tivemos em vários casos, como no Brasil”, disse. Segundo ele, a projeção é de uma revisão de 0,13 ponto percentual no PIB mexicano, número relevante para uma economia com crescimento estimado em 1,4%.

Na avaliação do consultor, o México também leva vantagem sobre os vizinhos norte-americanos pela geografia e pela capacidade de reter o fluxo turístico. Ele afirmou que, por ser um país menor e ter cidades-sede mais próximas, o país tende a capturar melhor os efeitos do evento sobre consumo e serviços.

“O México, por ser um país menor que Estados Unidos e Canadá, terá suas cidades-sede mais próximas e possui um hub de turismo muito forte que pode impulsionar o PIB muito mais”, afirmou. Segundo ele, Estados Unidos e Canadá enfrentam um desafio logístico maior, com sedes separadas por milhares de quilômetros.

Benincá também comparou o modelo de 2026 com o caso brasileiro e criticou o volume de gastos com estruturas que, segundo ele, não geraram retorno econômico ou social consistente após o torneio de 2014.

“A Copa no Brasil foi um desastre econômico, onde gastamos R$ 25 bilhões”, disse. Ao citar exemplos, ele mencionou a Arena da Amazônia e o Mané Garrincha como casos de baixa utilização posterior. “O modelo de 2026 busca justamente o oposto: usar a capacidade instalada e a prudência fiscal”, afirmou.

O consultor também destacou que o sucesso de uma Copa não se resume ao impacto direto sobre atividade e consumo. Segundo ele, o legado pode aparecer no fortalecimento da imagem internacional do país, desde que o evento seja bem executado.

“Uma Copa bem desenhada entrega soft power, como ocorreu na Alemanha em 2006, que passou a ser vista como um país hospitaleiro e organizado, fazendo o turismo deslanchar nos anos seguintes”, disse. Para Benincá, esse efeito tende a ser mais relevante para o México do que para os Estados Unidos, que já têm uma posição consolidada como destino global.

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Ao comentar o caso brasileiro, ele afirmou que a percepção do público local em relação ao torneio de 2026 ainda é mais distante, e ressaltou que desempenho econômico e resultado esportivo não caminham necessariamente juntos.

“O relatório da Moody’s destaca que dólares não compram gols e a correlação entre o PIB per capita e o ranking da Fifa é praticamente zero”, afirmou. Segundo ele, apesar da apatia em torno da próxima Copa, a visibilidade internacional e o apelo da estética brasileira podem gerar algum efeito indireto sobre o turismo.

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