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Petróleo despenca com Ormuz aberto, mas volatilidade dita o ritmo e segura Ibovespa
Publicado 17/04/2026 • 20:57 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 17/04/2026 • 20:57 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash.
A reabertura do Estreito de Ormuz marcou uma virada brusca no humor dos mercados nesta sexta-feira, 17, derrubando o petróleo e reduzindo, ao menos momentaneamente, o temor de um choque global de abastecimento.
Ao longo do dia, o barril chegou a despencar cerca de 13%, refletindo o alívio imediato com a sinalização de que a principal rota de escoamento de petróleo do mundo voltaria a operar. O movimento contaminou outros ativos, impulsionando bolsas globais e reduzindo projeções de inflação, em meio à expectativa de que a energia não permaneceria pressionada por muito mais tempo.
Apesar da euforia inicial, os preços perderam força ao longo do pregão. “Ao longo do dia, porém, o otimismo perdeu força. O petróleo reduziu parte das perdas e encerrou com queda próxima de 8%. O dólar, que havia atingido mínima de dois anos ao redor de R$ 4,95, voltou a subir e fechou próximo de R$ 4,98”, relembra Felipe Corleta, sócio do Brazil Wealth.
Ele conta que, no Brasil, o Ibovespa só não acompanhou o movimento positivo global devido ao desempenho das ações da Petrobras, que chegaram a cair entre 7,5% e 8% na abertura, acompanhando a queda do petróleo. “Apesar de alguma recuperação ao longo do pregão, os papéis ainda fecharam com perdas relevantes e retiraram mais de mil pontos do índice”, disse.
Na semana, o petróleo foi guiado quase exclusivamente por choques geopolíticos, alternando picos de tensão e sinais de distensão no Oriente Médio. A reabertura do estreito funcionou como o principal catalisador de queda, ao reduzir o chamado “prêmio de risco” embutido nos preços.
Para Daniel Toledo, advogado especializado em negócios internacionais e geopolítica do petróleo, a calmaria ainda está distante. “Não dá pra falar em estabilidade estrutural nesse momento. O mercado de petróleo hoje está muito mais sensível a eventos geopolíticos do que a fundamentos clássicos de oferta e demanda”, afirmou. Segundo ele, o cenário atual combina tensões no Oriente Médio, decisões da Opep+, política monetária nos Estados Unidos e movimentos especulativos, criando um ambiente de precificação altamente reativo.
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Siga o Times | CNBC“Qualquer sinal novo, diplomático ou militar, mexe rapidamente na curva do Brent. Estabilidade só viria com previsibilidade, e hoje o cenário é justamente o oposto”, disse.
Ele destaca que três vetores dominaram a semana. A evolução dos conflitos no Oriente Médio, declarações de líderes globais e os dados econômicos dos Estados Unidos, especialmente inflação e juros, que impactam o dólar e o preço das commodities.
Mesmo com a queda recente, o especialista aponta que parte relevante do preço ainda reflete medo e não fundamentos. Em um cenário sem ruído geopolítico, o Brent estaria entre US$ 75 e US$ 85 por barril. “Com o prêmio de risco, o mercado negocia acima desse valor justo. Ou seja, parte do preço hoje não é estrutural, é medo”, afirmou.
A leitura é reforçada pelo comportamento do próprio mercado nesta sexta. O alívio com o Ormuz aberto rapidamente deu lugar à cautela, à medida que surgiram dúvidas sobre a segurança da rota e o ritmo de normalização do fluxo de petróleo.
Na prática, a trajetória da semana deixou um recado claro. O petróleo segue menos refém de oferta e demanda e mais capturado pelo pulso nervoso da geopolítica. E, por enquanto, esse pulso ainda não desacelerou.
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