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Alívio na guerra do Irã não remove incertezas, segundo agências de rating
Publicado 09/04/2026 • 23:16 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 09/04/2026 • 23:16 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A redução das tensões entre Estados Unidos e Irã diminuiu, no curto prazo, a probabilidade de choques extremos no mercado global de energia. Com o cessar-fogo, cenários como interrupções no transporte marítimo ou uma escalada militar mais ampla perderam força. Ainda assim, a incerteza permanece elevada e continua pressionando os riscos de crédito, segundo avaliação da Fitch Ratings, divulgada nesta quinta-feira (9).
A agência Fitch aponta que a manutenção do acordo tende a estabilizar os fluxos de petróleo e gás. Nesse cenário, o preço do Brent deve seguir próximo da média de US$ 70, com normalização gradual ao longo de 2026. Por outro lado, uma ruptura nas negociações pode provocar alta acentuada e prolongada dos preços, potencialmente acima de US$ 130 por barril, embora esse movimento encontre limite na destruição de demanda.
Mesmo com algum alívio no front geopolítico, os efeitos econômicos mais amplos ainda são incertos. A Fitch avalia que o conflito pode deixar marcas duradouras no ambiente de negócios do Golfo, com impacto nos perfis de crédito da região.
Esse pano de fundo externo se soma a sinais de fragilidade já presentes na economia. Um indicador recente, chamado de “índice do ciclo vicioso”, elaborado por Mark Zandy, economista chefe da Moody’s, busca medir a folga no mercado de trabalho ao combinar desemprego e participação na força de trabalho. A inclusão desta segunda variável tenta capturar distorções recentes causadas por mudanças demográficas e na imigração.
A lógica do índice é identificar momentos em que a deterioração do mercado de trabalho se acelera. Quando isso ocorre, forma-se um ciclo negativo. A renda enfraquece, o consumo recua e empresas passam a reduzir contratações ou demitir, reforçando a desaceleração.
Historicamente, aumentos mais intensos desse indicador coincidiram com períodos de recessão. No momento, ele aponta para um quadro de forte fragilidade. O mercado de trabalho mostra estagnação, sem crescimento consistente de empregos, enquanto o desemprego segue em alta.
Outros dados reforçam esse diagnóstico. O consumo cresce pouco, a poupança está comprimida e o PIB (Produto Interno Bruto), embora positivo, vem sendo revisado para baixo e avança abaixo do potencial.
O cenário atual ainda não configura uma recessão, mas se aproxima desse limite. E os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio, que ainda não foram totalmente absorvidos, podem aprofundar essa tendência.
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