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Alta do petróleo desafia Bancos Centrais e reduz eficácia dos juros no combate à inflação
Publicado 09/06/2026 • 22:05 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 09/06/2026 • 22:05 | Atualizado há 1 hora
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Flickr
Federal Reserve System Headquarters, Washington, DC
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã adiciona um novo fator de pressão sobre a inflação global ao impulsionar os preços do petróleo. Para Nelson Marconi, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o avanço da commodity cria um desafio adicional para os bancos centrais, já que a política monetária tem capacidade limitada para conter um choque de preços provocado pela guerra.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele explicou que juros mais altos ajudam a desacelerar a demanda e conter parte das pressões inflacionárias internas, mas não têm força para reduzir diretamente o preço internacional do barril ou interromper os efeitos de um conflito geopolítico. Ainda assim, o regime de metas de inflação leva as autoridades monetárias a reagirem ao aumento dos riscos inflacionários.
O problema, explica Marconi, é que o aumento dos combustíveis tende a se espalhar pela economia, pressionando índices de inflação pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, o principal instrumento utilizado pelas autoridades monetárias para controlar os preços tem alcance reduzido nesse tipo de situação. “A inflação é causada por esse choque do petróleo, mas a taxa de juros não vai conseguir influenciar muito nisso”, disse.
Segundo o economista, a tendência é que a instabilidade no Oriente Médio continue pressionando os combustíveis nos próximos meses. “Essa guerra não está com cara de que vai acabar rápido”, afirmou. Na avaliação dele, a alternância de ataques e respostas militares entre os países envolvidos mantém o mercado em alerta e sustenta a volatilidade do petróleo.
Nesse contexto, Marconi defende que o Banco Central brasileiro deverá manter a Selic em nível elevado por mais tempo, à medida que a combinação entre a alta do petróleo e as incertezas fiscais domésticas reduzem o espaço para novos cortes de juros.
A consequência é um cenário mais difícil para a atividade econômica. Sem a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, o estímulo ao crescimento tende a perder força justamente em um momento em que a economia enfrenta os efeitos da deterioração do ambiente internacional. Para Marconi, enquanto o conflito continuar pressionando o petróleo e a inflação permanecer sob risco, a tendência será de cautela por parte do Banco Central.
O principal fator acompanhado pelos investidores segue sendo a evolução das negociações e dos confrontos no Oriente Médio. Segundo Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, o mercado segue dividido entre a esperança de um acordo que normalize o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e o risco de uma nova escalada militar. “Esse vai e vem continua sendo a principal tônica do mercado.”
Corleta destaca que a trajetória da commodity permanece no centro das projeções para inflação e juros. Apesar de o barril ter recuado dos níveis próximos a US$ 110 para a faixa de US$ 95, a pressão inflacionária ainda preocupa autoridades monetárias em diversos países. “A expectativa segue consolidada para a manutenção da taxa Selic na próxima reunião do Copom, no momento em que, apesar desse petróleo ter vindo de US$ 110 para US$ 95, a inflação no Brasil continua incomodando bastante o Banco Central”, disse.
Na avaliação do especialista, a persistência de preços elevados da energia pode prolongar o cenário de cautela entre investidores, especialmente em mercados emergentes. O conflito também contribui para manter a volatilidade nos ativos globais, à medida que qualquer novo ataque ou avanço diplomático tem potencial para alterar rapidamente as expectativas sobre oferta de petróleo, inflação e política monetária ao redor do mundo.
Embora o alívio recente nos preços da commodity tenha ajudado alguns mercados, Corleta avalia que o cenário permanece longe de uma normalização. Para ele, a combinação entre tensões geopolíticas, juros elevados e incertezas econômicas exige uma postura mais defensiva dos investidores até que haja maior clareza sobre os desdobramentos da guerra e seus efeitos sobre a economia global.
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