CNBC

CNBCEstreito de Ormuz pode levar mais de 12 meses para retomar tráfego normal

Notícias do Brasil

Tarifas impostas pelos EUA vão custar R$ 33,6 bilhões às exportações brasileiras

Publicado 24/07/2026 • 22:13 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Produtos submetidos à sobretaxa somaram US$ 6,6 bilhões em 2024, o equivalente a cerca de R$ 33,6 bilhões, de acordo com levantamento do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
  • O valor não representa uma estimativa de perda integral das exportações, mas o tamanho da parcela da pauta comercial que ficará exposta à alíquota adicional de 37,5%
  • Efeito econômico dependerá da reação dos compradores americanos, da divisão dos custos entre exportadores e importadores, da renegociação de contratos e do redirecionamento de mercadorias para outros mercados.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos colocarão cerca de R$ 33,6 bilhões em exportações brasileiras sob uma sobretaxa acumulada de 37,5%, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O montante corresponde aos US$ 6,6 bilhões exportados em 2024 por setores atingidos simultaneamente pelas duas novas medidas comerciais americanas. A conversão aproximada considera a cotação recente do dólar em torno de R$ 5,08. 

O valor não representa uma estimativa de perda integral das exportações nem o montante que será necessariamente recolhido em tarifas. Ele mostra o tamanho da parcela da pauta comercial que ficará exposta à alíquota adicional de 37,5%.

O efeito econômico dependerá da reação dos compradores americanos, da divisão dos custos entre exportadores e importadores, da renegociação de contratos e da capacidade das empresas brasileiras de redirecionar mercadorias para outros mercados.

No total, as duas novas medidas baseadas na Seção 301 da legislação comercial americana alcançam 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Considerando o comércio de 2024, essa parcela equivale a US$ 9,3 bilhões, ou aproximadamente R$ 47 bilhões. 

Sobretaxa de 37,5% atinge US$ 6,6 bilhões

A maior parcela dos produtos alcançados pelas novas medidas, equivalente a 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, ficará sujeita às duas tarifas simultaneamente.

Uma delas estabelece uma cobrança adicional de 25% contra produtos brasileiros. A outra aplica uma alíquota de 12,5% dentro de uma medida mais ampla relacionada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

Como as cobranças são cumulativas quando incidem sobre a mesma mercadoria, esses produtos enfrentarão uma sobretaxa total de 37,5%, além das tarifas ordinárias de importação já aplicáveis.

Essa categoria inclui máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções. Em 2024, as vendas desses produtos aos Estados Unidos somaram US$ 6,6 bilhões. 

Outros US$ 1,9 bilhão, ou 4,7% da pauta exportadora, serão alcançados apenas pela tarifa adicional de 12,5%. Entre os produtos estão obras de pedra e gesso, minérios, óleos essenciais, itens de perfumaria e pescados.

Uma parcela menor, de US$ 800 milhões ou 1,9% das exportações, ficará sujeita exclusivamente à sobretaxa de 25%. O açúcar está entre os produtos incluídos nesse grupo.

Leia também: Expert XP 2026: Mike Pompeo defende tarifas de Trump como proteção à indústria dos EUA

Mais da metade da pauta fica fora das novas tarifas

Apesar do impacto sobre determinados setores, 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não serão atingidas pelas duas novas medidas da Seção 301 nem pelas tarifas setoriais da Seção 232.

Essa parcela somou US$ 21,3 bilhões em 2024 e continuará sujeita apenas às tarifas ordinárias cobradas pelos Estados Unidos.

Estão nesse grupo café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, diferentes produtos químicos e a maior parte das exportações brasileiras de celulose. 

Isso não significa que as mercadorias entrarão no mercado americano sem impostos. Elas apenas não estarão submetidas às novas sobretaxas ou às cobranças setoriais consideradas no levantamento do MDIC.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Outros 24,2% das exportações, equivalentes a US$ 9,8 bilhões, já são alcançados por tarifas específicas da Seção 232, adotadas por setores e aplicadas, em regra, a produtos de diferentes países.

As novas cobranças da Seção 301 não se acumulam com as tarifas setoriais da Seção 232. Dessa forma, um produto enquadrado nas medidas setoriais não recebe também as sobretaxas de 12,5% e 25%.

Medidas foram anunciadas neste mês

A tarifa adicional de 25% foi publicada pelo governo americano em 15 de julho, como resultado de uma investigação específica sobre políticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

A cobrança entrou em vigor em 22 de julho. Mercadorias embarcadas e em trânsito antes dessa data ficam fora da medida, desde que entrem no território americano até 29 de julho. A decisão final também ampliou a lista de produtos excepcionados em relação à proposta original apresentada no início do mês. 

A segunda medida foi publicada nesta quarta-feira (23) e decorre de uma investigação sobre políticas de prevenção e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos.

O governo dos Estados Unidos aplicou uma alíquota adicional de 12,5% ao Brasil e a outras 40 economias. Outros 19 parceiros comerciais receberam uma tarifa de 10%.

Segundo a justificativa americana, os países atingidos não adotariam medidas consideradas suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado. Essa é a avaliação do governo dos Estados Unidos e não uma conclusão apresentada pelo MDIC.

A nova cobrança substitui uma tarifa temporária de 10% que estava em vigor desde 24 de fevereiro, com base na Seção 122 da legislação americana, e expirou nesta sexta-feira após o prazo máximo de 150 dias. 

Leia também: Abimed vê risco para empregos e produção após EUA manterem sobretaxa para dispositivos médicos brasileiros

Comércio bilateral perde força

As novas barreiras entram em vigor em um momento de desaceleração do comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Depois de atingirem o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras ao mercado americano recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025.

No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A retração foi influenciada principalmente pela redução de 30,4% nas vendas de óleos brutos de petróleo e pela queda de 21,7% nos embarques de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço. 

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo intervalo de 2026. Na comparação anual, a fatia americana recuou de 12% em 2024 para 10,8% em 2025.

As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram no primeiro semestre. Com isso, a corrente de comércio, que soma exportações e importações entre os dois países, caiu 12,8% no período.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil