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“Aparentemente, o freio da Apex falhou”, diz Roberto Luis Troster sobre caso Apex-CVC
Publicado 07/08/2026 • 21:53 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/08/2026 • 21:53 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Os controles de risco da Apex Partners aparentemente falharam na estrutura financeira envolvendo a compra de ações da CVC, avaliou Roberto Luis Troster, economista e ex-economista-chefe da Febraban.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Troster fez a leitura com base em informações já públicas sobre o caso, sem acesso a dados internos da operação. Segundo ele, a desvalorização dos papéis da companhia de turismo pode ter reduzido o valor das garantias utilizadas na operação e ampliado rapidamente a necessidade de recursos adicionais.
“Bom controle de risco é fundamental. É o freio que permite a instituição crescer mais. Então, aparentemente, o freio da Apex falhou”, afirmou.
O caso veio à tona depois da Apex reconhecer inconsistências financeiras, promover mudanças internas e determinar uma auditoria externa para apurar a extensão dos problemas relacionados à operação.
Leia também: Caso ‘Master capixaba’: mercado vê rombo multimilionário em operação da Apex Partners para compra da CVC
Segundo Troster, uma das hipóteses é que a estrutura tenha utilizado as próprias ações adquiridas como garantia para obtenção de recursos. Nesse modelo, uma queda acentuada do ativo pode gerar necessidade de reforço das garantias.
“O risco é que o preço das ações começa a cair, aí o valor da garantia cai e o empréstimo fica com garantias menores que as necessárias. Nesse caso, você pede mais margem, pede mais garantias”, explicou.
Troster destacou que o problema pode se tornar mais complexo caso uma grande quantidade de ações precise ser vendida para levantar recursos ou liquidar posições.
“Se você tem uma oferta muito grande de ações, seja por esse evento ou por qualquer evento, o preço cai. Isso agrava ainda mais um problema da Apex”, afirmou.
O economista ressaltou, porém, que a situação envolvendo o acionista não significa necessariamente uma deterioração da operação da própria CVC.
Na avaliação dele, a pressão sobre os papéis pode decorrer da própria estrutura financeira e de uma eventual necessidade de venda de posições, e não do desempenho operacional da companhia de turismo.
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Siga o Times | CNBCPara Troster, o episódio levanta dúvidas principalmente sobre a qualidade dos controles internos e dos testes utilizados para medir a resistência da operação a cenários adversos.
“Às vezes, a arquitetura financeira é feita com um cenário e não funcionou”, afirmou.
Segundo o economista, instituições e gestores precisam simular situações extremas para verificar se há liquidez e garantias suficientes caso os ativos sofram uma queda abrupta.
“Não foram feitos testes de estresse robustos ou, se foram feitos, não foram observados”, disse.
Troster comparou a gestão de risco ao sistema de freios de um veículo. Para ele, é justamente um controle eficiente que permite assumir posições maiores sem comprometer a estabilidade da operação.
Leia também: CVC disparou mesmo após processo da CVM contra ex-CEO
Apesar da gravidade do episódio, o economista afirmou que as informações disponíveis até agora não são suficientes para concluir que houve fraude. Segundo ele, uma das possibilidades é que a estrutura tenha sido prejudicada por uma combinação de alavancagem, queda das ações e controles de risco insuficientes.
Na leitura mais otimista que ele traça, o caso não chegaria a configurar um escândalo, mas um problema de gestão de risco a ser equacionado pela própria liquidação dos ativos. “Liquida, paga todo mundo”, resumiu.
Troster também afirmou que, diferentemente do caso Master, não vê, até o momento, elementos que indiquem uma rede de articulação política ou lobby em torno da Apex.
Questionado sobre eventual cobertura semelhante à existente em determinados produtos bancários, Troster afirmou que fundos de investimento não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Nesse tipo de estrutura, eventuais perdas tendem a ser absorvidas pelos próprios veículos e seus cotistas, de acordo com os ativos e obrigações existentes.
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