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Audiência dos EUA sobre tarifa de 25% contra o Brasil termina com pressão de empresas e ruído político

Publicado 07/07/2026 • 22:33 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Segundo e último dia de audiência do USTR teve participação de setores como calçados, aço, máquinas, madeira, papel e celulose.
  • Empresas e entidades brasileiras e americanas defenderam exceções ou revisão da tarifa adicional de 25%.
  • Participação de Flávio Bolsonaro gerou reação do Planalto; governo brasileiro diz manter foco na negociação.

A audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros terminou nesta terça-feira (7), em Washington, com pressão de setores produtivos dos dois países contra a medida e aumento do ruído político no Brasil.

Ao longo de dois dias, empresas, entidades empresariais, representantes setoriais e pessoas físicas apresentaram argumentos ao governo americano no âmbito da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

A proposta prevê uma sobretaxa de 25% sobre uma ampla gama de produtos do Brasil. O USTR tem até 15 de julho para decidir se levará a medida adiante.

Leia também: Setor de ferro e aço vê avanço em audiência pública nos EUA, mas alerta que tarifa pode parar 55% das usinas

Setores tentam escapar da tarifa

No segundo dia de audiência, participaram representantes de setores como calçados, ferro e aço, máquinas e equipamentos, papel e celulose, madeira, pedras naturais e indústria química.

Entre os brasileiros inscritos estavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o embaixador Roberto Azevêdo, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Abicalçados, do Sindifer-MG, da ABIMAQ, da WEG, da Klabin, da Ibá e da Abimci.

A estratégia foi mostrar que a tarifa não atingiria apenas exportadores brasileiros, mas também cadeias produtivas, fabricantes, importadores, varejistas e consumidores nos Estados Unidos.

No setor de calçados, a Abicalçados afirmou que o Brasil é uma alternativa estratégica de fornecimento no Hemisfério Ocidental, em um mercado americano ainda fortemente dependente de importações asiáticas.

Segundo a entidade, os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões, o equivalente a aproximadamente 1% do consumo doméstico. A China responde por 48% das importações americanas em volume, seguida por Vietnã, com 28%, e Indonésia, com 10%.

Para a Abicalçados, uma tarifa adicional sobre calçados brasileiros poderia elevar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração da cadeia americana em países asiáticos.

Leia também: Flávio diz que defendeu Brasil contra tarifas e Lula em audiência pública em Washington

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Participação de Flávio Bolsonaro gera reação do Planalto

Durante sua fala na audiência, Flávio Bolsonaro defendeu o cancelamento das sobretaxas e afirmou que Brasil e Estados Unidos devem buscar uma saída diplomática. O senador também defendeu o Pix, citado na investigação do USTR como uma das práticas brasileiras questionadas pelos Estados Unidos.

Depois da audiência, o senador publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que defendeu o Brasil “contra as tarifas e contra Lula”. Ele também criticou a ausência de representantes do governo brasileiro na audiência pública.

O Palácio do Planalto reagiu em nota. Segundo o governo, Flávio foi o único brasileiro inscrito que não se posicionou contra as medidas e teria sugerido o adiamento das tarifas, em vez de rebater as alegações americanas.

O governo afirmou ainda que 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para participar da audiência. Desse total, 63 se manifestaram contra a tarifa e 15 a favor, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

Leia também: Planalto acusa Flávio Bolsonaro de legitimar tarifa dos EUA contra o Brasil

Governo diz focar negociação direta

Apesar da reação política, o governo brasileiro afirma que a prioridade segue sendo a negociação direta com os Estados Unidos.

Nesta terça-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, evitou comentar a atuação de Flávio Bolsonaro e disse que o momento exige foco no que pode gerar resultado positivo para o Brasil.

“Nós devemos focar agora, o prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo para o Brasil”, afirmou.

Segundo o Planalto, representantes do MDIC, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto se reuniram nesta terça-feira com técnicos do USTR para tratar das tarifas.

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