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Setor de etanol de milho tenta barrar tarifa dos EUA com argumento de impacto ao consumidor americano

Publicado 07/07/2026 • 22:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Andréa Veríssimo, diretora da Unem, afirmou que audiência em Washington teve tom mais técnico do que etapa anterior.
  • Setor argumenta que tarifa brasileira de 18% não é específica contra os Estados Unidos e não impede importações.
  • Entidade diz que Brasil já comprou mais etanol americano nos quatro primeiros meses do ano do que em todo o ano passado.

O setor brasileiro de etanol de milho tenta convencer os Estados Unidos de que eventuais medidas comerciais contra o Brasil também podem afetar empresas e consumidores americanos. A estratégia foi apresentada durante audiência pública em Washington sobre a investigação da Seção 301.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Andréa Veríssimo, diretora de Relações Internacionais e Comunicação da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), afirmou que a audiência teve tom mais técnico e profissional do que a etapa anterior, realizada em setembro.

“Essa me pareceu mais profissional, muito mais técnica, muito mais séria”, disse.

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Segundo Andréa, vários setores brasileiros conseguiram mobilizar defensores locais, incluindo entidades e empresários americanos que dependem de produtos do Brasil. Na avaliação dela, esse tipo de apoio é importante porque o USTR busca argumentos ligados aos efeitos sobre a economia dos Estados Unidos.

“O USTR quer ouvir os argumentos que favorecem a população americana. Não adianta também a gente trazer argumentos de impactos no Brasil. Eles estão querendo defender a sua própria população e a sua economia”, afirmou.

No caso do etanol, Andréa disse que o setor foi o único citado nominalmente na investigação. Segundo ela, a pressão por maior acesso ao mercado brasileiro é uma demanda antiga de entidades americanas do setor.

De acordo com a diretora da Unem, os representantes dos Estados Unidos alegam que as exportações de etanol americano para o Brasil caíram desde 2017 e criticam a tarifa brasileira de 18%, além das regras de acesso ao RenovaBio.

A entidade brasileira argumenta que a tarifa aplicada pelo Brasil não é específica contra os Estados Unidos, mas uma alíquota de nação mais favorecida, válida também para outros países. “Não há aí nada desfavorável e nem específico aos Estados Unidos”, disse.

Andréa também afirmou que o RenovaBio não impõe barreiras direcionadas às empresas americanas. Segundo ela, uma companhia dos Estados Unidos foi aceita no programa no ano passado, e a Agência Nacional do Petróleo elaborou documentos orientativos específicos para empresas americanas.

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“As regras que são aplicadas às empresas americanas são as mesmas às quais as empresas brasileiras têm que se adequar”, afirmou.

A diretora da Unem disse que a tarifa brasileira não tem impedido o acesso do etanol americano ao mercado nacional. Segundo ela, apenas nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil importou mais etanol dos Estados Unidos do que em todo o ano passado.

“Essa argumentação de que a tarifa que nós temos hoje impede o acesso ao nosso mercado não procede”, disse.

Na avaliação de Andréa, o debate sobre etanol foi predominantemente técnico, apesar do contexto político mais amplo envolvendo a agenda comercial do governo americano. Ela disse que as perguntas feitas pelo USTR buscavam entender alternativas de fornecimento caso produtos brasileiros fossem tarifados.

“Se não puder vir do Brasil, de onde viria esse produto?”, afirmou, ao relatar o teor das perguntas feitas durante a audiência.

Leia também: Audiência dos EUA sobre tarifa de 25% contra o Brasil termina com pressão de empresas e ruído político

Segundo a diretora, parte dos setores argumentou que, em muitos casos, a alternativa ao Brasil seria a China. Para ela, esse ponto reforça a importância do Brasil como fornecedor ocidental, democrático e capaz de entregar produtos em escala ao mercado americano.

Caso os Estados Unidos adotem medidas comerciais contra o Brasil, Andréa afirmou que o impacto para a cadeia brasileira do etanol de milho não seria positivo, embora os EUA não sejam hoje o principal mercado do setor.

“Claro que não seria bom, porque tornaria mais difícil, mais caro esse comércio. Mas hoje não é o nosso principal mercado e o nosso principal interesse”, disse.

Ela afirmou, no entanto, que manter o mercado americano aberto é importante pela influência dos Estados Unidos sobre outros países. Segundo Andréa, entidades que se posicionaram contra o Brasil defenderam medidas mais duras e a extensão da sobretaxa para outros setores da economia brasileira.

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