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Balança comercial tem superávit de US$ 9,3 bilhões em outubro, alta de 39% em um ano, e exportações sobem 20%
Publicado 06/11/2026 • 15:17 | Atualizado há 9 minutos
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Publicado 06/11/2026 • 15:17 | Atualizado há 9 minutos
KEY POINTS
A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 9,32 bilhões em outubro, informou nesta sexta-feira (6) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Há superávit quando o valor do que o país vende ao exterior supera o valor do que ele compra. Em outubro de 2025, o saldo havia sido de US$ 6,68 bilhões, o que representa uma alta de 39,4% em um ano.
As exportações renderam US$ 37,81 bilhões, 20% mais que no mesmo mês do ano passado. Nenhum outro mês de 2026 teve valor tão alto. Foi também o maior valor mensal de toda a série histórica, segundo o MDIC. As importações também cresceram, mas em ritmo menor: subiram 14,8% e chegaram a US$ 28,49 bilhões, outro recorde mensal. Somadas as duas pontas, o comércio exterior brasileiro movimentou US$ 66,3 bilhões no mês, valor inédito, 17,7% mais que os US$ 56,3 bilhões de outubro de 2025.
“Foi um mês que apresentou o maior comércio mensal da série histórica, com recordes tanto de exportação quanto de importação”, afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, em entrevista coletiva.
O desempenho veio com menos dias de trabalho: foram 20 dias úteis, contra 22 no ano passado. Na média por dia útil, as exportações cresceram 32%, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao MDIC.
A maior parte do avanço das exportações veio do petróleo bruto. Em outubro de 2025, o país havia exportado US$ 3,84 bilhões do produto. Neste ano, foram US$ 8,54 bilhões, alta de 122,6%. O Brasil embarcou 62,9% mais petróleo, e o preço médio subiu 36,7%. O peso do petróleo na pauta de exportações saltou de 12,2% para 22,6%, quase um quarto do total. O petróleo bruto foi o principal produto exportado no mês.
“Pelo segundo mês consecutivo, um aumento significativo em exportação de petróleo bruto”, disse Brandão.
Com isso, a indústria extrativa, setor que reúne petróleo e mineração, faturou US$ 11,5 bilhões com vendas externas, 53,5% mais que no ano anterior. Segundo o diretor, o principal fator foi o volume, que cresceu 31,8% no setor. Os derivados, como os óleos combustíveis, entram na conta da indústria de transformação e também cresceram: passaram de US$ 684 milhões para US$ 1,81 bilhão. Brandão explicou que, nessa categoria, o Brasil vende principalmente bunker, o combustível usado por navios.
Considerando todos os produtos, os preços de exportação ficaram 10,8% mais altos que em outubro de 2025, e as quantidades embarcadas aumentaram 7,3%. Nas importações, a alta veio quase toda dos preços, que subiram 14,2%. O volume comprado cresceu 0,9%.
Alguns itens importantes andaram na direção contrária. As exportações de minério de ferro renderam US$ 2,12 bilhões, 27,6% menos. As de carne bovina caíram 30%, para US$ 1,24 bilhão. Açúcar e melaço somaram US$ 1,19 bilhão, recuo de 27,5%, com volume 22% menor. As vendas de soja subiram 8,9%, para US$ 3,14 bilhões, mas só por causa do preço: o país embarcou 5,7% menos grão.
A China continua sendo, de longe, a maior compradora de produtos brasileiros. Em outubro, comprou US$ 8,59 bilhões, mas o valor caiu 5,3% em relação a um ano antes. O volume embarcado para o país recuou 18,8%, e só a alta de 11,3% nos preços evitou uma queda maior. Com isso, a fatia chinesa nas exportações brasileiras diminuiu de 28,8% para 22,7%.
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Siga o Times | CNBCOs Estados Unidos, segundo maior destino, foram o mercado em que as vendas brasileiras mais cresceram em valor. Os americanos compraram US$ 4,32 bilhões, 87% mais que os US$ 2,31 bilhões de outubro de 2025. O petróleo bruto respondeu pela maior parte desse aumento, cerca de US$ 1,2 bilhão a mais, segundo o MDIC. Carne bovina, óleos combustíveis, café e celulose também tiveram vendas maiores para os americanos.
Na Europa, as exportações para a União Europeia cresceram 32%, para US$ 6,05 bilhões, também com o petróleo à frente, seguido da soja. Os Países Baixos, porta de entrada de mercadorias para o continente pelo porto de Roterdã, compraram US$ 1,81 bilhão, alta de 63,1%, e ultrapassaram a Argentina como terceiro maior destino das vendas brasileiras. As exportações para a Espanha subiram 45,3%, para US$ 1,1 bilhão.
As vendas para a Argentina, principal parceira do Brasil na América do Sul, caíram 6,7%, para US$ 1,53 bilhão. Já as exportações para o Chile aumentaram 15%, para US$ 827 milhões.
Na Ásia, além da China, a Índia ampliou as compras de US$ 894 milhões para US$ 1,5 bilhão, alta de 67,9%. As vendas para a Indonésia avançaram 82%, para US$ 759 milhões, e para o Japão, 52,1%, para US$ 710 milhões. Para Singapura, as exportações ficaram estáveis, em US$ 777 milhões.
Nem todos os parceiros das Américas compraram mais. As vendas para o Canadá caíram 16,2%, para US$ 678 milhões, e para o México, 7,8%, para US$ 670 milhões.
Nas compras externas, os combustíveis foram o item que mais chamou a atenção. O Brasil gastou US$ 4,5 bilhões com eles, 86,8% a mais. A quantidade importada praticamente não mudou, e a alta se explica pelo preço, 84,2% maior. Só os óleos combustíveis derivados de petróleo custaram US$ 3,06 bilhões, mais que o dobro do valor de outubro de 2025.
A importação de carros de passeio quase dobrou: subiu 95,5%, para US$ 1,18 bilhão. Entre os fornecedores, a China vendeu ao Brasil US$ 7,53 bilhões, 17,1% a mais, e os Estados Unidos, US$ 5,1 bilhões, aumento de 28,6%.
No acumulado de 2026, o superávit soma US$ 71,04 bilhões, 34,1% acima dos US$ 52,98 bilhões dos dez primeiros meses de 2025. O país já vendeu US$ 321,88 bilhões ao exterior, alta de 11,2%, e gastou US$ 250,84 bilhões com importações, 6,1% a mais.
Entre os principais destinos, as vendas para a China somam US$ 93,1 bilhões no ano, alta de 10%. Para os Estados Unidos, são US$ 31,73 bilhões, praticamente o mesmo valor de 2025. Para a Argentina, US$ 13,12 bilhões, queda de 17,3%.
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