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Ações de IA desabam: Nvidia e Qualcomm perdem mais de 9%, e Nasdaq registra pior pregão desde abril de 2025

Publicado 05/11/2026 • 19:04 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Nasdaq despenca 5,5% e registra pior desempenho diário desde abril de 2025, pressionado pela forte queda das fabricantes de semicondutores e da Nvidia.
  • Incertezas sobre os efeitos das eleições nos EUA e possíveis restrições à construção de centros de dados ampliam temores sobre a continuidade dos investimentos em infraestrutura de IA.
  • Juros elevados, escassez de chips de memória e aumento das necessidades de capital reforçam preocupações dos investidores sobre a sustentabilidade da expansão do setor de inteligência artificial.
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Foto: Unsplash

As fabricantes de chips sofreram fortes perdas nesta quinta-feira, com a queda das ações da Nvidia puxando o Nasdaq para seu pior resultado em 19 meses. O movimento ocorreu depois que os resultados das eleições de meio de mandato desta semana levantaram preocupações em Wall Street sobre uma possível desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. As empresas especializadas em computação em nuvem para IA, conhecidas como neoclouds, como a CoreWeave, também voltaram a cair pelo segundo dia consecutivo.

A Qualcomm ajudou a intensificar a onda de vendas ao divulgar uma projeção de resultados abaixo das expectativas para o trimestre atual. As ações da empresa e da Nvidia recuaram mais de 9%. No caso da Nvidia, a desvalorização representou uma perda de quase US$ 450 bilhões (R$ 2,4705 trilhões) em valor de mercado. O Nasdaq caiu 5,5%, registrando sua maior queda diária desde abril de 2025.

O cenário se tornou ainda mais preocupante para as empresas diretamente envolvidas na infraestrutura de inteligência artificial. A combinação de juros mais altos, necessidade crescente de capital e vitória expressiva dos democratas no Congresso alimentou o temor de que o setor esteja exposto a um excesso de endividamento e a receitas insuficientes para sustentar os investimentos.

“A tecnologia continuará avançando, mas o que realmente vai determinar o desempenho das ações é o ritmo de desenvolvimento e expansão da infraestrutura: a construção dos prédios, dos centros de dados e de toda a estrutura necessária para isso”, afirmou Peter Boockvar, diretor de investimentos da OnePoint BFG Wealth Partners, em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC.

As ações da Advanced Micro Devices (AMD), da Micron e da Applied Materials caíram mais de 10% cada nesta quinta-feira. Elon Musk, que doou centenas de milhões de dólares para tentar eleger candidatos republicanos no Texas e em outros estados, também viu os papéis de suas empresas de capital aberto, SpaceX e Tesla, recuarem mais de 9%.

Nas eleições de terça-feira, os democratas conquistaram vitórias importantes em estados que concentram alguns dos projetos mais ambiciosos de expansão de centros de dados para inteligência artificial. O partido venceu disputas relevantes para o governo estadual e o Senado no Texas e em Ohio, além de conquistar o governo da Geórgia. No estado, o senador democrata Jon Ossoff também garantiu facilmente a reeleição.

Segundo a Ballotpedia, 41 propostas relacionadas à construção de centros de dados foram submetidas à votação popular em âmbito local, distribuídas por dez estados. As medidas previam diferentes tipos de restrições à instalação dessas estruturas. De acordo com um levantamento da organização e com resultados adicionais compilados pela CNBC na quarta-feira, os eleitores rejeitaram as propostas favoráveis aos centros de dados em praticamente todos os casos. A única exceção foi uma votação em Harwood, na Dakota do Norte.

Na noite de quarta-feira, durante uma conferência de tecnologia promovida pelo The Wall Street Journal, Dina Powell McCormick, presidente da Meta, afirmou que a construção de novos centros de dados “será mais difícil” depois das eleições. Segundo o jornal, ela também relatou que um dos governadores eleitos havia manifestado interesse em preservar os investimentos no estado.

“Assim que tomarmos posse, vamos nos reunir, porque não queremos perder esse investimento em nossa cidade. Não queremos que esses empregos sejam levados para outro lugar”, teria dito o governador, segundo o relato de McCormick.

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A Meta e outras gigantes de tecnologia conhecidas como hyperscalers (grupo que inclui Alphabet, Amazon e Microsoft) anunciaram planos ambiciosos para ampliar sua infraestrutura de inteligência artificial, com investimentos previstos superiores a US$ 100 bilhões (R$ 549 bilhões) por ano.

No trimestre mais recente, a Meta registrou fluxo de caixa livre negativo, assim como Alphabet e Amazon no período anterior. Na quinta-feira, as ações das quatro empresas do grupo recuaram entre 2% e 4%.

Na quarta-feira, a Qualcomm se tornou a mais recente fabricante de chips a anunciar um crescimento expressivo nas receitas relacionadas a centros de dados, embora essa ainda seja uma operação relativamente pequena dentro da companhia. A empresa faturou US$ 650 milhões (R$ 3,5685 bilhões) com esse segmento no trimestre, principalmente por meio de serviços de personalização e conectividade, segundo o CEO Cristiano Amon.

“Não temos um problema de demanda, mas de capacidade de fornecimento. Se tivéssemos condições de produzir e entregar mais, provavelmente estaríamos apresentando resultados ainda melhores”, afirmou Amon em entrevista à CNBC.

O problema enfrentado pela Qualcomm e por concorrentes como Intel e AMD é a escassez global de chips de memória. A situação vem elevando os custos, dificultando o acesso a componentes essenciais e pressionando os preços de dispositivos eletrônicos destinados ao consumidor.

Na semana passada, a Intel informou que a receita de sua divisão de centros de dados havia crescido 78%. Mesmo assim, suas ações despencaram após a empresa apresentar uma projeção de resultados abaixo das expectativas, em parte devido à falta de componentes de memória. Já a AMD informou nesta semana que a receita de sua divisão de centros de dados mais que dobrou no período mais recente.

Diante desse cenário, os investidores parecem cada vez menos interessados apenas nos números de crescimento apresentados pelas empresas. A preocupação agora é saber até que ponto essa expansão pode se sustentar e se os clientes terão condições de aproveitar toda a capacidade computacional que estão contratando.

“É provável que haja uma reação imediata, com possíveis adiamentos de projetos, o que certamente vai gerar preocupação”, afirmou Richard Clode, gestor de portfólio da Janus Henderson, em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC. “Infelizmente, não vamos conseguir resolver essa questão nem ter respostas definitivas tão cedo.”

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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