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‘Master paraguaio’: Santiago Peña pede mais 72 horas para apresentar defesa em processo de impeachment no Paraguai

Publicado 06/11/2026 • 09:18 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Santiago Peña pediu uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment, alegando que recebeu a acusação com menos de 12 horas para responder.
  • A crise política no Paraguai foi desencadeada pela liquidação do Ueno Bank, que congelou recursos de cerca de 3 milhões de correntistas e expôs ligações entre a instituição financeira e o governo.
  • Apesar de anunciar sua renúncia à Presidência, Peña permanece no cargo porque o Congresso ainda não aceitou formalmente sua saída, enquanto sessões no Senado são adiadas por falta de quórum.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou nesta sexta-feira (06) uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment aberto contra ele. O pedido foi encaminhado ao presidente do Senado, Basilio Núñez, em meio à crise política desencadeada pela liquidação do Ueno Bank, instituição financeira cujo fechamento provocou protestos e ampliou a pressão sobre o governo.

Em uma carta oficial, Peña questionou o prazo estabelecido para responder às acusações. Segundo o documento, a notificação foi recebida no fim da noite quinta-feira (05), acompanhada de uma peça acusatória de 15 páginas e centenas de folhas de anexos.

O presidente argumenta que o período concedido não permite uma análise adequada da documentação nem oferece tempo suficiente para organizar sua defesa.

A solicitação ocorre depois que a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment. Peña também anunciou publicamente sua renúncia, mas permanece no cargo porque sua saída ainda depende de uma decisão formal do Congresso.

Leia também: ‘Master paraguaio’: após renúncia de Santiago Peña, por que o Congresso ainda vota o impeachment?

Peña contesta condições para apresentar defesa

Na correspondência enviada ao Legislativo, o presidente sustenta que um procedimento capaz de resultar em sanção deve respeitar garantias fundamentais, incluindo a possibilidade de escolher um advogado de confiança e dispor de tempo adequado para responder às acusações.

Peña também criticou o prazo em uma publicação nas redes sociais.

“Pedi uma prorrogação de 72 horas para exercer minha defesa. Fui notificado às 22h15, com uma peça acusatória e cerca de 300 folhas de anexos, e querem que eu responda em menos de 12 horas. Isso não é devido processo legal”, declarou.

O documento encaminhado ao Senado foi registrado como recebido nesta sexta-feira (06). Nele, o presidente afirma que um prazo tão curto é incompatível com as garantias de defesa esperadas em um Estado de Direito.

Presidente promete explicar sua versão dos acontecimentos

Além de questionar os procedimentos adotados no processo de impeachment, Peña afirmou que pretende se dirigir à população para apresentar sua versão sobre a crise. “Vou apresentar minha verdade a todos os cidadãos, mesmo que isso seja incômodo para muitos atores políticos. Nunca vou fugir do meu compromisso com as pessoas, muito menos nos momentos difíceis”, escreveu.

A manifestação ocorre em um momento de enfraquecimento político do presidente, que enfrenta manifestações populares e perdeu apoio dentro do Partido Colorado, legenda à qual pertence.

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Fechamento do Ueno Bank provocou protestos

A crise que atingiu o governo começou em novembro de 2026, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a intervenção e a liquidação do Ueno Bank por insolvência. A instituição digital possuía aproximadamente 3 milhões de correntistas, o equivalente a cerca de 60% da população adulta paraguaia, e administrava US$ 850 milhões.

Com a decisão do Banco Central, os valores depositados pelos clientes foram congelados, afetando milhões de pessoas que ficaram sem acesso às próprias economias.

O bloqueio provocou uma onda de insatisfação e levou manifestantes às ruas, intensificando a cobrança por explicações sobre a situação financeira do banco e a atuação das autoridades responsáveis pela fiscalização do setor.

Ligações com o banco ampliaram pressão sobre o governo

O caso ganhou dimensão política devido às relações entre a instituição financeira e integrantes da administração pública.

Santiago Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. Além disso, grandes volumes de recursos públicos haviam sido transferidos para a instituição, aumentando os questionamentos sobre os vínculos do banco com o governo.

A crise também provocou mudanças na direção do Banco Central. Carlos Carvallo deixou a presidência da autoridade monetária após a liquidação. Antes de assumir o cargo público, ele havia dirigido o Ueno Bank.

Paralelamente, as investigações sobre a situação da instituição financeira resultaram em ordens de prisão contra oito executivos por suspeitas de fraude financeira.

Esses desdobramentos aprofundaram o desgaste político do governo e contribuíram para a abertura do processo de impeachment.

Renúncia anunciada ainda não foi formalizada

Pressionado pelas manifestações e pela redução de sua base de apoio, Peña gravou um vídeo anunciando que renunciaria à Presidência da República. Entretanto, o pronunciamento não resultou em sua saída imediata. A legislação exige que a renúncia seja formalmente aceita pelo Poder Legislativo para produzir efeitos.

A análise do caso enfrenta obstáculos no Senado, onde parlamentares governistas vêm deixando de comparecer às sessões, impedindo o avanço das votações e adiando uma definição sobre a situação do presidente.

O impasse também interfere no andamento do processo de impeachment, que segue sem uma conclusão. Enquanto o Congresso não decide sobre a renúncia e os próximos passos do julgamento político, Peña continua oficialmente à frente do Executivo paraguaio.

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