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Baterias de sódio: Brasil tem potencial, mas precisa buscar formas de ser competitivo

Publicado 01/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Segmento vive momento de boas notícias e avanços tecnológicos, mas comparada à aplicação nos veículos elétricos de passeio, a tecnologia de lítio ainda mantém vantagem competitiva no curto e médio prazo.
  • O especialista afirma que no quesito matéria-prima, o cenário é favorável ao Brasil, já que as reservas de sódio são maiores, distribuídas e menos suscetíveis a oscilações de preço, incluindo as brasileiras.
  • O Brasil possui experiência em escala laboratorial e piloto para o desenvolvimento da bateria, mas para o pesquisador, o salto para uma produção capaz de rivalizar com grandes players internacionais ainda exige investimento.

Enquanto o setor de mobilidade elétrica segue dominado pelas baterias de íons de lítio, uma outra opção vem conquistando espaço entre pesquisadores e investidores: as baterias de sódio. O equipamento promete menor custo, maior segurança e o uso de matérias-primas alternativas.

A abundância de sódio na natureza é um dos fatores determinantes para a escolha do mineral como nova aposta. E apesar de algumas ressalvas, o Brasil tem potencial para entrar no que pode ser uma corrida tecnológica pelas baterias de sódio.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o pesquisador sênior do Lactec, Juliano de Andrade, disse que as baterias de sódio não devem substituir as de lítio, mas sim ocupar nichos específicos de mercado. Para ele, o segmento vive um momento de boas notícias e avanços tecnológicos, mas, quando comparada à aplicação nos veículos elétricos de passeio, setor que mais atrai investimentos globais, a tecnologia de lítio ainda mantém vantagem competitiva no curto e médio prazo.

Esse comportamento se dá porque as baterias de sódio apresentam densidade energética mais baixa, ou seja, armazenam menos energia por quilograma, o que pode resultar em menor autonomia para os veículos. Por outro lado, Andrade destaca um diferencial importante: o desempenho em baixas temperaturas. Em regiões com climas extremos, abaixo de zero grau, as baterias de sódio superam com folga as de lítio convencionais. “-40º, a bateria de lítio você praticamente não usa, tem que aquecer ela para poder usar”, diz.

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Já sobre a maturidade do país para desenvolver uma cadeia nacional de baterias de sódio, o pesquisador afirma que o Brasil ainda depende de tecnologia estrangeira, mas já dá passos importantes nessa direção. Ele cita como exemplo uma parceria em andamento para a instalação de uma planta industrial de produção de baterias de lítio — processo que, segundo ele, guarda de 80% a 90% de similaridade com a fabricação de baterias de sódio. E que o know-how desenvolvido em um segmento pode ser aproveitado no outro, acelerando uma eventual transição produtiva.

No quesito matéria-prima, o cenário é favorável ao país. Diferentemente do lítio, as reservas de sódio são maiores, mais distribuídas globalmente e menos suscetíveis a oscilações bruscas de preço. “No caso do sódio, isso não é tão significativo, justamente pelo fato de ser mais espalhado ao redor do mundo e do Brasil, inclusive”, afirmou.

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Apesar desse potencial, Andrade pondera que ainda há lacunas a serem preenchidas na cadeia produtiva nacional, especialmente no desenvolvimento dos materiais ativos que compõem as placas das baterias. “A gente tem isso em níveis laboratoriais, têm em nível piloto. Agora transformar isso em competitivo, com eficiência e produzir para competir com grandes players, aí é outra conversa”.

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