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Bradesco eleva projeção do PIB para 2026, mas vê inflação e juros maiores

Publicado 29/06/2026 • 18:37 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Bradesco elevou a projeção de inflação para 5,3% em 2026.
  • Banco passou a ver a Selic em 13,75% no fim deste ano.
  • Relatório aponta economia mais resistente agora, mas com perda de força em 2027.

Divulgação

Banco Bradesco

O Bradesco elevou a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, mas passou a ver desaceleração mais forte no ano seguinte. Em relatório, o banco revisou a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,8% para 2,0%. Para 2027, a previsão caiu de 2,0% para 1,5%.

Segundo a instituição, a economia brasileira ainda opera sob “fortes estímulos que se contrapõem à política monetária”. O Bradesco cita o mercado de trabalho, medidas de crédito e a isenção de Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil como fatores que ajudam a sustentar o consumo em 2026.

Apesar disso, o banco avalia que os juros em patamar restritivo continuarão levando a expansão do PIB para abaixo do potencial.

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Inflação e Selic mais altas

O Bradesco também revisou para cima as projeções de inflação. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 5,0% para 5,3%. Para 2027, passou de 3,7% para 4,1%.

A mudança reflete, segundo o banco, choques ligados à guerra, aos preços de alimentos, aos efeitos do El Niño e à resiliência dos serviços. O relatório aponta, porém, que o choque na cadeia de bens industriais começa a se dissipar, com alívio esperado para o quarto trimestre.

Com a inflação mais alta, o Bradesco também elevou a projeção para a Selic. A taxa deve encerrar 2026 em 13,75%, ante estimativa anterior de 12,75%. Para 2027, a previsão passou de 10,25% para 11,00%.

O banco cita a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou que o ciclo de ajuste dos juros pode incluir pausas. A avaliação do Bradesco é que a trajetória da política monetária ficará mais dependente dos dados e da evolução do cenário.

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Crédito pode pesar em 2027

Para 2027, o Bradesco vê perda de força da atividade com a dissipação dos estímulos de crédito e do impulso fiscal. O banco afirma que o crédito expandido em 2026 pode se transformar em maior comprometimento de renda das famílias ou menor geração de caixa das empresas no ano seguinte.

O relatório também prevê alguma acomodação no mercado de trabalho. A taxa média de desemprego deve ficar em 5,9% em 2026 e subir para 6,8% em 2027. Ainda assim, o banco avalia que esse patamar segue baixo para padrões históricos brasileiros.

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Câmbio e fiscal

No câmbio, o Bradesco manteve a projeção de R$ 5,00 por dólar ao fim de 2026. Para 2027, revisou a estimativa para R$ 5,20, diante de um ambiente externo mais ambíguo para mercados emergentes.

Na área fiscal, o banco manteve a expectativa de cumprimento das regras do arcabouço em 2026 e de algum ajuste em 2027. Ainda assim, avalia que a estabilização da dívida pública exige um ajuste estrutural das contas públicas.

A projeção do Bradesco para a dívida bruta é de 82,7% do PIB em 2026 e 87,1% em 2027. O relatório aponta o fiscal como o maior risco do cenário doméstico.

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