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Brasil pode usar terras raras como estratégia em negociação com os EUA, avalia especialista
Publicado 18/10/2025 • 22:22 | Atualizado há 1 ano
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Publicado 18/10/2025 • 22:22 | Atualizado há 1 ano
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As conversas entre representantes do governo brasileiro e norte-americano marcaram a retomada do diálogo diplomático após as sanções impostas pelos Estados Unidos em julho. Segundo o professor de Geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) João Alfredo Nyegray, a nova fase das negociações avança de forma gradual e abre espaço para acordos econômicos que podem incluir o uso estratégico das terras raras brasileiras.
De acordo com o especialista, o encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio representou um passo político relevante para restabelecer o canal de diálogo. Nyegray avaliou que a mudança de tom — de confronto para cooperação — cria um ambiente favorável para uma agenda técnica e comercial.
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“O tom mudou. Essa transição para um processo negociador já permite projetar próximos passos”, afirmou Nyegray ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Entre os temas em discussão, o professor destacou a possibilidade de o Brasil negociar alívio tarifário em troca de avanços em áreas de interesse norte-americano, como o acesso ao mercado de etanol e minerais críticos.
“O Brasil tem cerca de um quarto das terras raras do planeta, mas não minera esse material. Apenas extrai e envia para o exterior, o que representa um desperdício de potencial econômico”, analisou.
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Siga o Times | CNBCAs terras raras são insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética — setores estratégicos para os Estados Unidos, que buscam reduzir a dependência da China. Nyegray avalia que o Brasil pode usar esse ativo como instrumento de barganha para obter vantagens comerciais e diplomáticas.
O especialista explicou ainda que o Brasil pode associar esse tema à política externa regional, oferecendo mediação entre Washington e Caracas em troca de apoio norte-americano em fóruns multilaterais. “O país pode utilizar sua posição para negociar apoio comercial dos Estados Unidos em troca de cobertura diplomática sobre a Venezuela”, afirmou.
Apesar dos avanços diplomáticos, Nyegray ponderou que o cenário político ainda influencia as tratativas. Segundo ele, declarações improvisadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem gerar ruídos nas conversas. “Essas falas tendem a prejudicar a imagem do Brasil e afetar uma relação que está em reconstrução”, disse.
O professor observou que a relação econômica segue marcada por déficit comercial. O Brasil compra mais dos Estados Unidos do que exporta para o país, e as tarifas impostas ainda não impactaram de forma significativa a economia americana. “Ainda não superamos totalmente as rusgas políticas, mas há uma reaproximação em curso”, concluiu Nyegray.
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