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Brasil terá asiáticos como adversários na próxima semana — na Copa e na Bolsa

Publicado 28/06/2026 • 20:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ibovespa subiu cerca de 3% na semana passada, em meio à retomada do fluxo estrangeiro e à busca por ativos ligados a commodities.
  • Bolsas asiáticas perderam força com dúvidas sobre custos e margens de empresas expostas à inteligência artificial.
  • Japão será adversário do Brasil na Copa e também entrou no radar dos mercados após queda de ações de tecnologia em Tóquio.
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A partida contra o Japão, nesta segunda-feira (29), não será o único confronto do Brasil com a Ásia na semana. No mercado financeiro, a bolsa brasileira também disputa espaço com alguns dos principais mercados acionários asiáticos, especialmente a Coreia do Sul, um dos grandes polos globais da indústria de semicondutores. O Japão pode surgir como um adversário também neste campo.

A começar pela Coreia, o Kospi, principal índice de ações, teve forte valorização em 2026, impulsionado pela explosão da demanda por chips, inteligência artificial e infraestrutura de data centers. Nesta semana, porém, o índice perdeu fôlego, em meio à realização de lucros e à reavaliação dos investidores sobre a sustentabilidade do crescimento das empresas ligadas à tecnologia.

Enquanto isso, o Ibovespa avançou cerca de 3% na semana, beneficiado pela retomada do fluxo estrangeiro e pela busca por mercados mais expostos a commodities. O movimento sugere uma rotação parcial de capital: depois de meses de concentração em tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia, parte dos investidores voltou a olhar para mercados emergentes como o Brasil.

O gatilho para essa mudança de percepção veio, em grande parte, da Apple. A empresa alertou para o aumento dos custos de componentes e indicou que poderá repassar parte dessa pressão aos consumidores. A sinalização reacendeu preocupações sobre as margens das empresas de tecnologia e levantou dúvidas sobre a continuidade do ciclo de crescimento impulsionado pela inteligência artificial.

As ações da Apple chegaram a registrar forte queda após o comunicado, em um movimento que contaminou outras empresas do setor. Fornecedoras asiáticas, como Samsung e SK Hynix, também passaram a ser observadas com mais cautela, apesar de continuarem entre as principais beneficiárias da corrida global por semicondutores.

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Coreia do Sul perde fôlego

A Coreia do Sul animou torcedores e investidores em 2026, mas perdeu força nos últimos dias. Na Copa do Mundo, a seleção sul-coreana começou bem, mas tropeçou na sequência. No mercado financeiro, o desempenho recente também foi negativo, com queda expressiva do Kospi na semana.

Ainda assim, o país segue no centro da disputa pelo capital global. A Coreia abriga algumas das maiores fabricantes de chips do mundo e se tornou uma das peças-chave na cadeia de suprimentos da inteligência artificial. O forte desempenho de sua bolsa reflete justamente esse papel estratégico.

O problema é que, de tempos em tempos, o avanço acelerado das ações ligadas à IA provoca dúvidas. Parte do mercado questiona se a alta dos papéis de tecnologia não embute expectativas excessivamente otimistas para receitas, margens e demanda futura por semicondutores.

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A disputa pelo capital global

Na prática, Brasil, Estados Unidos e Coreia do Sul disputam uma parte do mesmo fluxo internacional de recursos. Quando as gigantes americanas de tecnologia concentram as atenções, mercados emergentes, principalmente expostos a commodities, tendem a perder espaço. Quando surgem dúvidas sobre esse ciclo, países como o Brasil voltam a ganhar relevância.

A competição, porém, continua intensa. De um lado, os Estados Unidos lideram a corrida da inteligência artificial. De outro, a Coreia do Sul se consolida como fornecedora essencial de semicondutores. O Japão não fica de fora. O Nikkei, índice japonês, também sente os efeitos dessa cadeia porque detém grandes empresas expostas a setor de IA.

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Japão no caminho, também fora de campo

Dentro de campo, o Japão aparece como o próximo adversário do Brasil. Fora dele, o mercado japonês também entrou no radar dos investidores nesta semana. A bolsa de Tóquio caiu no último pregão, pressionada por ações ligadas ao setor de tecnologia e por preocupações com o custo crescente da infraestrutura de inteligência artificial.

A queda atingiu empresas com forte exposição ao setor, incluindo o SoftBank, um dos principais investidores globais em tecnologia. O grupo tem participação relevante em apostas ligadas à inteligência artificial e é sensível às mudanças de humor do mercado em relação ao setor. Agências internacionais afirmam que o banco deve investir mais de US$ 60 bilhões na OpenAI depois do IPO da empresa, estimado para o segundo semestre. Mas, diante dos problemas de custo de proução no setor de IA anunciados pela Apple, a empresa conhecida pela sua IA generativa pioneira pode adiar a sua abertura de capital. Isso derrubou em mais de 12% as ações do Softbank

Problemas nos Estados Unidos, portanto, fizeram o Japão tropeçar no mercado financeiro. Esse movimento pode favorecer o Brasil no curto prazo, caso parte do capital global busque alternativas fora do eixo tecnologia e IA.

Dentro de campo, a metáfora fica para segunda-feira, em Houston. No mercado, o Brasil depende muito mais do humor internacional do que de suas próprias forças. Na Copa, a lógica é diferente: para avançar, será preciso fazer acontecer.

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

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