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Carlo Pereira: Empresas dos EUA pressionam por exceções ao tarifaço contra o Brasil

Publicado 08/07/2026 • 22:07 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Carlo Pereira afirma que companhias americanas pedem análise caso a caso para evitar danos às próprias cadeias produtivas.
  • Empresas brasileiras argumentam que já investem nos EUA, mas ainda dependem de insumos e produtos vindos do Brasil.
  • Especialista avalia que a lista de exceções pode crescer, desde que os setores mostrem impacto direto sobre consumidores e indústrias americanas.

A pressão de empresas americanas contra a taxação de produtos brasileiros pode ampliar a lista de exceções ao tarifaço proposto pelos Estados Unidos, segundo Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Pereira afirmou que companhias dos Estados Unidos têm defendido uma análise caso a caso para evitar que a medida prejudique cadeias de suprimentos, produção local e consumidores americanos.

“O que elas dizem é que a gente tem que analisar caso a caso se aquela cadeia de suprimentos não está sendo afetada indevidamente”, afirmou.

O governo americano abriu uma etapa de consultas e audiências públicas para ouvir empresas, produtores e entidades sobre a proposta de tarifa de 25% contra uma série de produtos brasileiros. A decisão deve sair até o dia 15 deste mês.

Segundo Pereira, a investigação da Seção 301 reúne temas amplos, como questões digitais, Pix e diferentes setores econômicos. Ele também chamou atenção para uma segunda frente de audiências, relacionada a trabalho forçado, que envolve outros países e poderia representar uma sobretaxa adicional ao Brasil.

O Notável afirmou que parte das empresas americanas reconhece a autonomia do governo dos Estados Unidos para rever sua política industrial, mas pede que produtos específicos sejam poupados por sua relevância nas cadeias produtivas locais.

“Geralmente, elas começam o texto dizendo: isso compete a você. No entanto, eu gostaria que vocês analisassem esses produtos especificamente, porque eles vão prejudicar certamente a minha produção”, disse.

Pereira citou o caso de companhias que dependem de insumos brasileiros para manter sua operação. Segundo ele, a discussão mostra como a economia global segue interdependente, apesar dos retrocessos recentes no comércio internacional.

“O mundo, apesar dos últimos retrocessos, é altamente globalizado, é altamente interdependente”, afirmou.

Do lado brasileiro, Pereira disse que empresas têm adotado uma linha técnica, sem politizar o debate. O argumento central é que muitas delas já atendem a objetivos defendidos pelo governo americano, como investir e empregar nos Estados Unidos, mas ainda precisam de produtos e insumos vindos do Brasil.

Ele citou exemplos como Bauducco e WEG. No caso da Bauducco, segundo Pereira, a companhia fez investimentos nos Estados Unidos, mas ainda depende de produtos brasileiros. No caso da WEG, o argumento envolve o fornecimento de motores usados em setores estratégicos, como data centers.

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“Eu já estou trazendo a indústria para os Estados Unidos, eu já estou entregando nos Estados Unidos, só que preciso de alguns insumos vindo do Brasil”, afirmou, ao resumir a posição das empresas brasileiras.

Na avaliação de Pereira, os argumentos técnicos podem sensibilizar a Casa Branca porque conectam a tarifa a possíveis impactos sobre inflação, consumo e produção nos Estados Unidos.

“Quando é colocado para o governo americano que isso vai prejudicá-los, que isso está prejudicando o consumidor americano, então claro que vai comovê-lo”, disse.

Pereira afirmou que a disputa agora se concentra na ampliação da lista de exceções. Para isso, empresas e entidades precisam demonstrar, produto por produto, como a tarifa pode afetar cadeias essenciais ou encarecer bens para o consumidor final americano.

“A briga aqui é para ir aumentando essa lista de exceções, trazendo mais elementos para a lista de exceções”, afirmou.

Pereira disse que há um componente político na decisão, mas defendeu que o Brasil mantenha uma atuação técnica e diplomática. Segundo ele, a discussão precisa avançar com disposição dos dois lados para negociar.

“O fato é que a gente tem que se entender, se encontrar e conseguir não entrar nessas tarifas, que vão certamente prejudicar muitos produtos no Brasil”, afirmou.

O Notável também alertou que o impacto não deve ser medido apenas pelo peso agregado no PIB ou pelo tamanho da lista de produtos afetados. Segundo ele, algumas cadeias produtivas brasileiras podem sofrer perdas relevantes, especialmente porque os Estados Unidos são um dos principais destinos de manufaturados do Brasil.

Pereira afirmou ainda que rupturas comerciais podem ter efeitos duradouros. Para ele, quando uma cadeia de exportação é interrompida, nem sempre ela retorna ao padrão anterior.

“Muitas vezes, quando há disrupção nessa cadeia, ela não retorna”, disse.

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