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Pix vira carta de barganha dos EUA em disputa comercial com o Brasil

Publicado 08/07/2026 • 22:11 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Pix reduziu custos, ampliou o mercado e não restringiu concorrentes.
  • Para Gesner Oliveira, o tema cumpre mais papel de barganha do que de fator decisivo para eventual sanção.
  • O economista avalia que a disputa gera incerteza para bancos, fintechs e meios de pagamento, mas não deve travar o setor.

O Pix entrou na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos mais como uma carta de negociação do que como um fator decisivo para eventual sanção contra o país, afirmou Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o economista disse que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos tem uma defesa sólida por ter reduzido custos de transação, ampliado o mercado e incluído consumidores no sistema financeiro.

“O Brasil tem uma posição muito forte em relação ao Pix, porque ele realmente representa uma redução muito grande do custo de transação e, consequentemente, amplia o mercado”, afirmou.

Segundo Gesner, uma análise concorrencial mais aprofundada enfraquece a crítica de que o Pix seria uma barreira ao mercado ou deslocaria concorrentes de forma artificial. Na avaliação dele, é possível demonstrar que há mais transações com empresas americanas com o Pix do que haveria sem o sistema.

“Não é um sistema que feche o mercado, que restrinja o mercado ou que desloque de forma artificial concorrentes”, disse. “A tese dos Estados Unidos não resiste a uma análise concorrencial mais aprofundada.”

O professor afirmou que é natural haver pleitos e pressões no comércio internacional, mas disse que, no caso do Pix, o Brasil tem uma posição “inegociável”. Para ele, a discussão pode ser diferente em outros temas da pauta bilateral, nos quais concessões comerciais são parte do jogo diplomático.

“Na matéria de Pix, acho que nossa tese é sólida e deve prevalecer”, afirmou.

Gesner disse que a investigação no âmbito da Seção 301 já gera incerteza para empresas de tecnologia, bancos, instituições financeiras e meios de pagamento. Segundo ele, a disputa cria dúvidas sobre projeções de transações, crescimento de mercado e novos investimentos.

Ainda assim, o economista afirmou não acreditar que o caso representa uma barreira estrutural ao desenvolvimento das relações comerciais ou dos segmentos afetados pelo Pix.

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“É uma disputa importante que coloca um possível freio no avanço de investimentos em determinadas áreas”, disse.

Na avaliação de Gesner, o Pix e outros temas levantados na investigação cumprem mais o papel de ampliar a agenda de negociação dos Estados Unidos do que de determinar, isoladamente, se haverá sanção contra o Brasil.

“Eles cumprem mais um papel de uma agenda de negociação do que propriamente a questão que vai decidir se haverá ou não uma sanção por parte dos Estados Unidos”, afirmou.

O economista lembrou que a Seção 301 é uma ferramenta antiga da política comercial americana e tem sido usada para pressionar parceiros a negociar bilateralmente. Segundo ele, essa estratégia já existia antes de Donald Trump, mas foi acentuada durante suas gestões.

Para Gesner, a discussão atual é menos técnica e mais ligada à estratégia de negociação. Nesse cenário, o Pix pode ser usado como elemento de barganha para destravar concessões em outras áreas da relação comercial.

“Muitas vezes você quer uma concessão em um tema que não tem nada a ver com o Pix, mas o Pix serve para a barganha que poderá viabilizar uma determinada concessão em outro tema completamente diferente”, disse.

O professor afirmou que o leque amplo de temas incluídos na investigação mostra a tentativa de colocar várias fichas na mesa. Segundo ele, o diálogo entre setor privado, empresas e consumidores pode ajudar a identificar concessões aceitáveis e reduzir atritos.

Gesner defendeu ainda que uma agenda mais ampla de integração comercial poderia ser mais produtiva do que disputas bilaterais sucessivas. Ele citou como referência uma eventual área de livre comércio nas Américas, capaz de ampliar mercados e fortalecer a região diante da Ásia e da União Europeia.

“Talvez esses atritos e confrontos e negociações duras bilaterais possam eventualmente levar as partes a uma negociação mais ampla”, afirmou.

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