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Por Nathalia Gimenes
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Publicado 28/04/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
As novas regras impostas pela China para a importação de carne bovina colocaram o setor brasileiro em alerta neste mês de abril de 2026.
O país asiático, principal comprador da proteína nacional, passou a adotar limites anuais de entrada do produto e cobrança extra sobre volumes excedentes.
A medida afeta diretamente exportadores brasileiros, que agora buscam alternativas para evitar perdas e manter o ritmo dos embarques.
“Estima-se que existem aproximadamente 300 mil toneladas de proteína chegando aos portos chineses e estão tentando fazer com que esse volume que já havia sido embarcado não entre na cota para 2026, o que seria muito importante porque, se fosse hoje, nós teríamos alcançado o limite já no mês de setembro”, afirmou Rodrigo Costa, analista de pecuária da Pine Agronegócios, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Salvaguardas são mecanismos usados por países para proteger o mercado interno quando há aumento nas importações. Na prática, funcionam como barreiras temporárias para controlar a entrada de produtos estrangeiros.
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No caso da carne bovina, a China decidiu estabelecer cotas anuais para alguns fornecedores, entre eles o Brasil. Quando esse limite for ultrapassado, haverá cobrança de tarifa adicional.
O cronograma definido para o Brasil prevê crescimento gradual até 2028. Em 2026, o limite será de 1,10 milhão de toneladas. Em 2027, sobe para 1,12 milhão. Já em 2028, chega a 1,15 milhão de toneladas.
Esses volumes precisam ser acompanhados de perto pelo setor para evitar custos extras e perda de competitividade.
Se o Brasil exportar acima da cota anual, o excedente terá tarifa adicional de 55%. Isso encarece a carne brasileira no mercado chinês e pode reduzir o interesse dos importadores.
Por isso, empresas e entidades do setor defendem controle rigoroso dos embarques e negociação para que cargas já enviadas não entrem no limite de 2026.
Leia também: China pressiona exportações e setor de carne bovina busca saída para evitar perdas
Mesmo com as novas regras, a expectativa do mercado é de continuidade das compras chinesas. O principal motivo é o preço competitivo da carne brasileira em relação a concorrentes como Estados Unidos e Argentina.
Além disso, a China mantém forte demanda por alimentos e precisa garantir abastecimento interno. Com oferta global mais restrita em 2026, o Brasil segue como fornecedor estratégico.
Leia também: Brasil abre mercado no Vietnã para exportar miúdos bovinos e amplia aproveitamento da cadeia
Entre as medidas discutidas estão a criação de linhas emergenciais de crédito para frigoríficos e exportadores, ajudando no capital de giro e no armazenamento de estoques.
Outra possibilidade é negociar a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países. Também há mobilização diplomática para proteger cargas que já estão a caminho dos portos chineses.
“Algumas possibilidades estão sendo ventiladas, entre elas uma linha de crédito emergencial ao setor exportador, onde os recursos tenderiam a ser utilizados pelos frigoríficos tanto para capital de giro quanto para investimento em armazenagem e estoque, além da redistribuição de cotas não utilizadas por outros países”, disse Rodrigo.
Enquanto tenta ajustar as vendas para a China, a indústria brasileira também acelera a abertura de novos destinos. Vietnã e Japão aparecem entre os mercados mais promissores.
A estratégia é reduzir a dependência de um único comprador e ampliar as oportunidades para cortes premium e produtos de maior valor agregado.
Apesar das medidas protecionistas da China, o especialista acredita que a competitividade do preço brasileiro deve garantir a continuidade dos negócios. “Nossa diferença, quando vamos dolarizar o preço, mostra que somos mais de 56% mais baratos que os americanos ou mais de 3% mais baratos que os argentinos, e a China, por uma necessidade de segurança alimentar, continuará demandando a nossa carne assim como os Estados Unidos fizeram recentemente.”
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As novas regras exigem planejamento maior das exportações brasileiras de carne bovina. O setor precisará acompanhar volumes embarcados, negociar alternativas e ampliar mercados externos.
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